Poesia de internet ou Eu também sou poeta

Eu já li. Provavelmente você também. Se você já teve o coração partido, se você já precisou ir embora, se você simplesmente precisou ler algo que acalmasse seus terremotos aí dentro - ou, ao menos, colocasse você no centro do caos, te fazendo enxergar. Uma rima. Um texto cheio de pausas, sem métrica, livre, o português cavalgando pelo campo da criatividade, sem obrigações linguísticas de sujeito e predicado. Poesia de internet? Você já ouviu falar de poesia de internet? Deveríamos chamá-las assim? Poesia de internet.

De uns tempos pra cá a poesia tem descido das estantes dos cânones. Tem se tornado acessível, legível e, mais do que qualquer outra coisa, democrática e disposta à leitura. A poesia que nasce nas plataformas virtuais através de sentimentos rasgados nas telas eletrônicas são tão legítimas quanto as escritas com pena em papel chumbo. Se tem sentimento, coração e atravessa o outro é poesia e tenho dito. Chega dessa chatice literária de que poesia tem que ser um bicho hermético e concebido no seio do rebuscamento gramatical. Poesia é boa quando toca, quando acelera os batimentos, quando você se enxerga nas palavras do outro e aí vocês vão conversando de longe, um pacto silencioso entre quem escreve e quem lê através da obra.

Vários são os autores que surgiram dessa leva de expor seus escritos na internet. Eu sou um deles, falo não apenas pelas experiência de ler, mas de se deixar ser lido no espaço virtual. É um tanto quanto difícil fazer as coisas acontecerem porque você se potencializa na internet: pode ser lido apenas por um, mas há uma chance - mesmo que mínima, alguns dizem - de ser lido por um milhão. Já pensou? Um milhão de pessoas lendo uma coisa que saiu de dentro de você?

Poesia de internet é poesia, não tem isso de poesia de internet. A internet é só um meio, a receita é a mesma, salvo modos de preparo que diferem de autor pra autor: é sentimento, é afeto, é dor, é revolta, é observância de mundo através da arte. É saber usar os recursos tecnológicos a favor de um bem maior, de uma catarse artística e humana que pode ser o começo da cura - sua ou dos seus potenciais leitores.

Sem contar que tem uns que dizem que agora todo mundo pode ser poeta, escrever qualquer coisa e jogar na internet "sou poeta". Pudera: se eu sinto, logo me disponho a escrever, logo me dou conta de que talvez seja poesia. O que é poesia, afinal? É preciso do quê pra ser poesia? Quem definiu? Há uma definição válida e sólida?

Não, o mérito aqui não está em desbancar os anos de estudos sobre a classificação teórica nem sobre a teoria da poética, mas o que é, fundamental e genuinamente, a matéria-prima, o x da questão que gere e pare a pessoa: o que eu sinto, lá no meu íntimo.

Vocês leem poesia? Quais são seus autores favoritos? Quais páginas acompanham? Deixem aí nos comentários, vamos trocar favoritices poéticas pros caretas morrerem do coração - enquanto a gente se entope de amor.

2 comentários:

  1. Tenho um blog de "poesia" e mesmo não me considerando poeta por nenhum segundo da minha existência, adoro isso de poder jogar na tela minhas angústias, desejos e dores! Sei lá, é um mundinho onde despejo meu universo inteiro, sem medo de que me critiquem ou riam.
    Por isso,acho de suma importância que a poesia continue cada vez mais trazendo novos leitores, novos autores. Sejam de renome ou sejam meros "eu"...
    Não vou citar um poeta favorito, pois minha maior busca são pelos poetas desconhecidos, gente que como eu, apenas desabafa em letras, ora líricas, ora comuns!!!!
    Viva a poesia!!!!De rua, de net, de vida!
    Beijo

    E oh, parabéns pelo post!!!!! Por isso amo o blog =)

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  2. Ronaldo!
    Acredito que um dos primeiros estilos que me interessei na vida, foram os poemas. Adorava descobrir as novas formas de escrever poemas e amava ainda mais as poesias livres.
    Esse movimento de 'poesia da internet' é fantástico. Estimula os mais tímidos a se exporem de peito aberto.
    Há alguns anos, fiquei triste por não ver mais tantos livros de poesias sendo editados, e de uns dois anos para cá, voltaram, mas, mesmo durante o período de livros físicos, as poesias rodavam na internet.
    No blog participo de um projeto: Poetizando e encantado, originado do Blog Filosofando na vida e amo escrever, bem como acompanhar os poemas dos amigos que participam.
    Poesia é inspiração, seja lá em que meio de communicação!
    cheirinhos
    Rudy

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