O Rouxinol - Kristin Hannah

No pequeno vilarejo de Carriveau, Vianne Mauriac se despede do marido, que ruma para o fronte. Ela não acredita que os nazistas invadirão o país, mas logo chegam hordas de soldados em marcha, caravanas de caminhões e tanques, aviões que escurecem os céus e despejam bombas sobre inocentes. Quando o país é tomado, um oficial das tropas de Hitler requisita a casa de Vianne, e ela e a filha são forçadas a conviver com o inimigo ou perder tudo. De repente, todos os seus movimentos passam a ser vigiados e Vianne é obrigada a fazer escolhas impossíveis, uma após a outra, e colaborar com os invasores para manter sua família viva.
Isabelle, irmã de Vianne, é uma garota contestadora que leva a vida com o furor e a paixão típicos da juventude. Enquanto milhares de parisienses fogem dos terrores da guerra, ela se apaixona por um guerrilheiro e decide se juntar à Resistência, arriscando a vida para salvar os outros e libertar seu país.

Comecei a leitura de O Rouxinol impulsionada pela indicação de uma amiga querida, que havia me dito que o livro era maravilhoso. Devo confessar que a princípio eu não me senti muito à vontade na leitura, até as primeiras 80 páginas eu pensei mais de uma vez em parar, dar um tempo, pegar outro livro e depois retornar mais aberta à leitura. Não que a leitura estivesse ruim, longe disso, mas acredito que eu não estava, naquele momento, preparada para tantas emoções. Agora, aqui em frente ao PC, tentando escrever essa resenha, posso afirmar com todas as letras: graças a Deus que eu não parei! Eu simplesmente adorei o livro, a história, os personagens, o drama e, claro, o desfecho do livro. O Rouxinol acaba de entrar para o rol das minhas melhores leituras.

O livro nos conta a história de duas irmãs sofridas, que não tiveram uma infância feliz, devido à morte prematura de sua mãe e do abandono do pai. As duas se afastaram por circunstâncias da vida, mas sempre mantiveram um laço invisível entre elas, a certeza e vontade de um dia se aproximarem e serem uma família.

Porém, a guerra se instala entre as duas, e cada uma lida com ela de forma diferente. Apesar de todos os dramas vividos, Vianne tem um marido amoroso e uma filha linda, enfim, uma família. Já Isabelle pula de instituição para instituição que lhe impõem regras e boas maneiras, mas ela nunca se encaixou em nenhum desses lugares, vivendo sempre na angústia de não saber o porquê da rejeição do pai e tentando compreender por que ela e Vianne nunca se entenderam.

Vianne é frágil e atravessa a guerra com paciência, cautela e aceitação. Quando seu marido é convocado ela precisa assumir as rédeas de sua casa, cuidar de sua filha e tentar que nada falte para elas, e ainda tem que lidar com as revoltas da irmã, o que culmina em brigas e desavenças, até a fuga de Isabelle de casa. Ela se vê sitiada e tem sua casa invadida por um nazista que se aquartela por lá, e mesmo assim tenta viver, apesar do medo, fazendo de tudo para se manter em segurança e aguardando o retorno de seu amor.

Já Isabelle não tem a mesma paciência, ela reage com raiva, revolta e resistência. Não aceita que sua cidade seja invadida sem fazer nada, ela quer fazer alguma diferença. Jogada de para-quedas no meio de uma situação que ninguém esperava, ela usa das armas que tem para ajudar a resistência contra os nazistas. Sabe que é perigoso, que sua vida irá correr riscos, que irá contra tudo que já aprendeu, mas mesmo assim vai lutar até o fim para se sentir livre do açoite dos nazistas.

Duas irmãs lidando de formas diferentes diante de um mal que, com certeza, deixará marcas profundas.

Sei que muitas pessoas não curtem livros com o mote Segunda Guerra Mundial, sei que o tema não é fácil, e que muitas das ações e reações podem trazer dor e sofrimento para quem lê. Porém, eu gosto de me sentir questionada, gosto de saber mais da história, mesmo que através de um livro de ficção. Durante uma conversa com um amigo, eu me questionei sobre alguns pontos e curiosidades que me perturbam: Será que todos os nazistas eram tão desumanos e cruéis? Será que em meio a tanta maldade não existiu um ser que se salvasse, que tenha se revoltado com tanta miséria e se recusado a cometer tantas crueldades?! Essas são perguntas sem respostas, até porque eu nunca vi em nenhum livro, ficção ou não, um nazista que tenha levantado a bandeira pela mudança. Se alguém conhecer um livro que mostre o outro lado, por favor, me indique, preciso ler urgente algo assim.

Continuando a leitura, percebi que não foram só os nazistas que impuseram tanta dor ao povo, em O Rouxinol vemos que os franceses, instigados pela sede de poder de Hitler, mostraram que sabiam ser tão desumanos e ruins, e com seu próprio povo. Acreditem, Paris perdeu um pouco o encanto para mim, saber que ali, ao lado de um dos maiores pontos turísticos do mundo, a Torre Eiffel, aconteceram atrocidades tão terríveis, e que aquele solo tem sangue do povo francês, infligido pelos seus próprios compatriotas, não é fácil de aceitar.

Em O Rouxinol você vai ter todas as suas emoções e sentimentos misturados; vai amar, sentir pena e raiva, se revoltar, sorrir, chorar, se emocionar de todas as maneiras possíveis e imagináveis. Nada mais tocante do que ver narradas nas páginas de um livro a história real de um povo que deu sua vida por um mundo melhor, ou que sofreu horrores sem dever nada, sem motivo aparente, sofreram apenas por serem tidos como diferentes.

A gente que só consegue imaginar o quanto um povo sofreu nas mãos de pessoas cruéis, e jamais conseguirá sentir na pele o que foi a Segunda Guerra Mundial (ainda bem), precisa ler livros assim para prender a dar valor nas pequenas coisas, a respeitar o próximo, independente de quem seja. Não somos melhores do que ninguém, e o nosso direito acaba quando se inicia o do outro.

Leia O Rouxinol, mas antes prepare seu coração para grandes emoções. Se você for emotivo ou sensível ao sofrimento alheio, providencie lenços. Boa leitura!

P.S.: Nos agradecimentos do livro, Kristin Hannah cita uma amiga escritora que a ajudou bastante durante a escrita de O Rouxinol, a querida Tatiana de Rosnay. Eu, como leitora dessa autora, devo confessar que percebi um toque sutil que só poderia ter vindo de Tatiana. A autora de A Chave de Sarah e A Casa que amei, só poderia acrescentar, e conseguiu tornar O Rouxinol uma leitura ainda mais realista.

17 comentários:

  1. Leninha, minha flor...

    Já conseguiu me deixar curiosa.
    Sou daquelas que acha que um livro marcante faz o blogueiro ter dificuldade em escrever uma resenha curta.
    E acabei por dar veracidade a esse ponto kkkkk
    Você transmitiu tanto sentimento na sua resenha, que é impossível duvidar que o livro é sensacional.
    Parabéns... a resenha está maravilhosa.
    Bjux

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    1. Poxa Babi, boa teoria essa sua. Acho que o que acontece quando a resenha fica enorme, como essa minha, é porque faltam palavras para descrever tudo que sentiu em relação à história lida. Então sim, acho que resenhas grandes podem sim ser motivo de ótimos livros. rsrs
      Obrigada por sua presença aqui no SR. Leia o livro e depois me conta tá?!
      Bjs

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  2. Oi, Leninha! Sou eu, Vivi quem lhe escreve. Rejane transmitiu a sua recomendação e, portanto, aqui estou, amiga. De fato, você acertou. Essa temática faz totalmente a minha cabeça. Inclusive, dei uma passada d'olhos nesse livro quando estive na Leitura, semana passada. Registrei em nota mental o desejo de lê-lo. A sua resenha deu mais ênfase a esse desejo. Thanks, my dear!

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    1. Fico feliz em ter atiçado ainda mais sua vontade de ler esse livro, certeza que você vai amar.
      Beijos e é sempre um prazer ter você aqui. Beijo enorme!

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  3. Ei Lena

    Melhor leitura do ano! Amei cada linha, nem achei o começo pesado, me encantei pela história e pelas personagens. Me irritei um pouco com Isabelle no início,e com a lerdeza de Vianne, mas depois passou rsrs.
    bjs

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    1. Pois é Nanda, acho que o eu não estava no clima de início e me choquei com o tema, mas logo passou, já que amo um drama pungente, rsrs
      Isabelle também me irritou um pouco, mas depois que a gente vê o crescimento da personagem, percebe que ela era apenas uma jovem revoltada com o mundo, já fomos assim né?!
      A apatia de Vianne também me irritou, mas depois me coloquei em seu lugar e soube que por meus filhos eu faria o mesmo, então, deu para entendê-la e aceitar.
      Beijos e mais beijos para você!

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  4. Oi Leninha, este para mim foi o melhor livro que i em 2015, chorei igual uma vaca velha! Cheguei a ficar com o nariz vermelho, principalmente na reta final. Que sofrimento! Isabella me irritou em muitos momentos, mas em nenhum deles eu queria o que aconteceu com ela, que tristeza sem tamanho! Viviane era de uma força que me deixava envergonhada! Leitura com o tema da segunda guerra sempre me fazem chorar, e este não foi diferente!
    Bjs, Rose

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    1. Consigo te entender Rose, também me emocionei em muitas partes durante a leitura, principalmente com o que aconteceu com a Sarah, aquilo quase me matou.
      Achei que os finais foram condizentes com cada ação dos personagens, injusto sim, coerente jamais.
      Adoro esse tema e o que ele faz comigo.
      Bjs Rose!

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  5. Leninha,

    Esse livro já estava na minha lista por um simples motivo: foi VENCEDOR DO PRÊMIO 'GOODREADS CHOICE AWARDS' na categoria Ficção Histórica de 2015.
    E agora? Depois da sua resenha? Bem.... Fiquei ponderando.... Rsssss.... Sabes que não leio livros muito emotivos, neh? Fico mal! Entretanto, cheguei a conclusão que vou ler sim. Quero conchecer um pouco desse história.
    Amei sua resenha. Bjo

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    1. Poxa Flaveth, desconhecia esse prêmio ganho pelo livro, que legal isso viu!
      Espero que você goste da leitura tanto quanto eu gostei. Depois me conta tá?
      Beijo e é sempre bom te ver por aqui.

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  6. Oi Lena!
    Eu livro lindo! Eu ainda não conferi essa história, mas estou bem animada para começar. Como já li alguns da autora, já sei que vou ficar muito emocionada, e com certeza, vou derramar algumas lágrimas, rs.
    Bjks!
    http://www.historias-semfim.com/

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    1. Garanto que você vai se emocionar. Se você for forte vai conseguir se segurar e não chorar, mas caso contrário, prepare os lenços.
      Bjs Ká!

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  7. Olá, Leninha!

    Tem um ditado que costuma dizer que só os vencedores que escrevem a história, e que por isso é tão difícil ver o outro lado em conflitos históricos como a Segunda Guerra Mundial, principalmente no seu caso, em que quer saber seu um alemão largou o nazismo, mesmo estando com o uniforme, e que provavelmente sofreu por essa decisão. Mas a verdade é que tanto vencedores quanto vencidos tiraram muitas vidas devido ao conflito, seja pelo preconceito dos nazistas, seja pela visão que a guerra dá em que só a violência pode acabar com algo que por si só é violento em seu modo mais extremo.
    E o curioso é que vendo alguns programas e documentários franceses sobre a Segunda Guerra, descobri que até mesmo os próprios franceses tem essa dificuldade de falar dessa época,e do colaboracionismo de vários deles com o Nazismo e a morte dos judeus como se fosse algo que criasse uma mancha negra na história do país, como se fosse algo a ser esquecido por tudo de mal que ocorreu e não como um lembrete de como o preconceito, a segregação e a violência podem fazer mal.
    O jeito que a Kristin consegue transmitir o que ocorreu durante a ocupação francesa e como ela fez isso através de duas irmãs que não só estão separadas fisicamente, mas também em suas ideias e seus dramas. Acho que você torceu até o fim para que se reencontrasse antes que a guerra fizesse a separação definitiva entre elas.
    Por fim, me lembrei logo da entrevista da Carolina Estrella quando você citou que a Kristin agradeceu a Tatiana de Rosney pela ajuda ao escrever O Rouxinol, já que a Carolina falou que autores de verdade se apoiam e já no comentário da entrevista falei que isso não é só verdade aqui no Brasil, mas em todo o mundo e você acabou de ter a prova disso nesse agradecimento.

    Um abraço!

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    1. Amei seu comentário Leti, que visão que você tem menina, adorei.
      Pois é, uma verdade o que você disse sobre um autor ajudando outro, como seria perfeito se sempre fosse assim não é?!
      Beijos mil.
      Vou reler e reler seu comentário, adorei de verdade.

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  8. Nossa! Já despertou minha vontade de ler. Percebe-se o seu prazer ao resenhar o livro, aliás, coisa que fez muito bem. Já anotei aqui para ser uma das minhas próximas leituras.

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  9. Oi Leninha,
    Havia comentado com você que nunca li nada da Kristin, mas que esse havia de certo modo me interessado pela temática de que trata. Ultimamente tenho feito algumas leituras sobre a Primeira e Segunda Guerra Mundial e realmente são leituras fortes, que nos levam a muitas reflexões. Temos que está preparados e ao mesmo tempo é preciso conhecer um pouco toda essa parte da História, a boa reflexão nos faz tirar proveito disso para quiçá nos tornemos pessoas melhores.
    Gostei de saber um pouco mais sobre a trama do livro, a diferença de posicionamento entre as irmãs e tudo mais, anotei a dica!
    Obrigado e parabéns pelo texto.
    Beijos
    Ademar Júnior
    Blog Cooltural

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