Às vezes eu paro para pensar em uma pergunta que parece simples, mas me deixa completamente sem resposta: quem eu seria se os livros nunca tivessem feito parte da minha vida?
Sério... eu simplesmente não consigo me imaginar sem um livro por perto.
Talvez tudo tenha começado lá na infância, quando aquele primeiro livro "de gente grande", sem figuras para contar a história por mim, caiu nas minhas mãos. E se ele nunca tivesse aparecido? Será que hoje eu seria leitora? Ou minha vida teria seguido um caminho completamente diferente?
Aí minha imaginação começa a trabalhar.
Quem sabe eu seria uma grande artesã? Daquelas que fazem peças maravilhosas e transformam qualquer pedacinho de tecido em uma obra de arte.
Não... definitivamente não. Minha cola provavelmente grudaria mais nos meus dedos do que no projeto.
Então talvez eu fosse apaixonada por culinária! Dessas pessoas que inventam receitas, fazem bolos impecáveis e deixam a casa com aquele cheirinho irresistível.
Também não deu certo nessa realidade alternativa. Minha especialidade provavelmente seria queimar o arroz ou esquecer o bolo no forno enquanto pensava em qualquer outra coisa. Tá bom, não chega a tanto, sou uma boa cozinheira, mas não seria essa a minha vida.
Será que eu teria escolhido jardinagem? Fotografia? Pintura? Colecionar alguma coisa? Viajar sem parar?
Quanto mais penso, mais estranho tudo isso parece.
Porque a verdade é que eu nunca precisei procurar uma paixão. Ela simplesmente apareceu. Ou talvez tenha me encontrado.
Ler virou muito mais do que um passatempo. Virou um lugar para onde eu sempre posso voltar. Um jeito de conhecer pessoas que nunca existiram, visitar cidades imaginárias, viver romances, solucionar mistérios, sofrer despedidas, comemorar finais felizes e, às vezes, aprender um pouquinho mais sobre mim.
Existe uma felicidade muito específica que só quem ama ler entende: fechar um livro depois de uma história incrível e, poucos minutos depois, olhar para a estante pensando: "Qual será a minha próxima aventura?"
É uma sensação deliciosa. Como terminar uma viagem sabendo que outra já está marcada.
Talvez existam infinitas versões de mim em universos paralelos. Em alguma delas eu posso até cozinhar bem. Em outra, quem sabe eu faça artesanato sem transformar a mesa em um campo de batalha.
Mas, sinceramente?
Tenho dificuldade até de imaginar essas versões sem uma estante cheia, uma lista enorme de livros para ler e aquela ansiedade boa de começar uma nova história.
Os livros moldaram muito do que eu sou hoje. Eles me fizeram rir, chorar, viajar sem sair do lugar, conhecer culturas, enxergar o mundo por outros olhos e criar memórias que, curiosamente, pertencem a histórias que nunca aconteceram de verdade.
Então, se alguém me perguntar quem eu seria sem os livros...
Acho que a resposta é simples.
Eu seria eu pela metade.
Porque algumas pessoas apenas gostam de ler.
Eu, definitivamente, aprendi a viver entre páginas.













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