Entre páginas e notificações: qual está ocupando mais espaço na sua vida?


Outro dia me peguei pensando em uma coisa que talvez esteja acontecendo com você também: quando foi a última vez que consegui sentar para ler um livro sem interromper a leitura para olhar o celular?

Confesso que essa pergunta me incomodou.

Sempre fui daquelas leitoras que devoravam livros. Pegava uma história envolvente e, em poucos dias, já estava virando a última página. Hoje, porém, percebo que demoro muito mais para terminar uma leitura. E não sei dizer exatamente quem é o maior culpado dessa mudança.

Será que foi a pandemia?

Será que foi o celular?

Ou será que os dois deram as mãos e resolveram bagunçar minha capacidade de concentração?

Durante a COVID, nossa rotina mudou completamente. Passamos a trabalhar, estudar, conversar e até nos divertir através de telas. O celular virou uma extensão do nosso corpo. E mesmo depois que tudo voltou ao normal, continuamos carregando esse hábito conosco.

O problema é que os livros exigem algo que o celular parece estar treinando nosso cérebro a perder: atenção.

Quando estou lendo, basta uma notificação aparecer para minha mente sair da história. Às vezes nem preciso abrir a mensagem. Só de saber que chegou alguma coisa, já fico curiosa. E quando percebo, estou respondendo mensagens, olhando redes sociais, vendo vídeos curtos e esquecendo completamente da página que estava lendo.

Por que o celular na mão atrapalha tanto a leitura?

Porque ele foi criado justamente para capturar nossa atenção o tempo todo.

Enquanto um livro nos convida a desacelerar, imaginar e mergulhar em uma história, o celular nos oferece estímulos constantes. É uma sequência infinita de novidades, informações e distrações.

E o pior é que isso acontece de forma quase automática.

Quantas vezes você pegou o celular apenas para ver as horas e, dez minutos depois, estava assistindo vídeos de receitas, vendo memes ou acompanhando a vida de pessoas que nem conhece?

Eu já perdi a conta.

Mas aí surge uma pergunta importante: o celular é realmente o vilão da leitura?

Acho que não.

Na verdade, ele também aproximou muita gente dos livros.

Foi através das redes sociais que descobri autores incríveis, participei de leituras coletivas, conheci comunidades de leitores e recebi indicações maravilhosas. Nunca tivemos tanto acesso a conteúdos literários como hoje.

O celular ajuda quando nos conecta com outros leitores.

O problema começa quando ele ocupa todo o espaço que antes era dedicado à leitura.

E essa é uma batalha diária.

Todos os dias eu digo para mim mesma que vou ler mais e usar menos o celular. Nem sempre consigo. Às vezes abro um livro e, poucos minutos depois, estou verificando notificações sem nem perceber.

Mas quando consigo me desconectar um pouco, lembro exatamente por que amo ler.

Existe algo especial na chamada leitura profunda.

Aquela em que você esquece do relógio, não ouve os barulhos ao redor e se sente completamente dentro da história. Os personagens parecem reais. Os cenários ganham vida. As emoções ficam mais intensas.

É um tipo de conexão que nenhuma rede social consegue oferecer.

E talvez seja por isso que a sensação de terminar um livro continue sendo tão diferente.

Rolar o feed pode até trazer diversão instantânea. Mas ela passa rápido.

Já fechar um livro depois de acompanhar uma jornada inteira deixa uma sensação de conquista, de emoção e de companhia que permanece por muito mais tempo.

Talvez eu nunca descubra se minha falta de concentração começou na pandemia ou se o celular tem mais culpa nessa história. Mas uma coisa eu sei: os momentos em que consigo deixar as notificações de lado e mergulhar em uma boa leitura continuam sendo alguns dos melhores do meu dia.

E você?

Entre páginas e notificações, o que tem ocupado mais espaço na sua vida ultimamente?




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