o livro é rápido; no entanto, se demora. porque parece sempre buscar um presente continuado diante de tudo que atravessa a narradora - amores, desejos, lutos, medos, hesitações.
tudo se dá depois que ela, ao receber a chave de uma casa deixada na Turquia pelo avô, empreende uma busca que, por vezes, parece até alegórica. é real a tal busca pela casa, pela vida passada, pelos antepassados?
as coisas dão a impressão de estarem à prova em todo o trajeto empreendido. a jornada íntima é cortada por capítulos curtíssimos e não menos afiados; um entrelaçamento entre realidade e ficção (as fronteiras se borram).
no fim, o incômodo que causa no leitor desde o começo é o que torna "a chave de casa" tão inesquecível. os retalhos que juntamos transformam várias vidas em uma vida - ou uma em várias. por isso é tão marcante.
foi meu primeiro contato com a obra de tatiana salem levy e quero mais!
Em seu premiado romance de estreia, Tatiana Salem Levy apresenta os traços estilísticos e a originalidade literária que a consagraram como uma das mais promissoras escritoras da literatura brasileira contemporânea. A personagem-narradora, neta de judeus turcos, recebe do avô a chave da antiga casa da família, que foi deixada para trás em Esmirna, Turquia. A busca pelas raízes e pela herança familiar se desenrola no limiar entre realidade e ficção. O intenso fluxo de memórias é condensado para se transformar em uma narrativa composta por diversas vozes que se complementam. A chave de casa é uma obra que evoca a memória e os sentidos ao abordar o exílio, a dor da morte, a paixão e, sobretudo, o lugar do escritor perante a complexidade do real.













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