Analisando a música: Dois – Paulo Ricardo


Atendendo a pedidos hoje o Analisando a música traz mais uma vez uma canção do amado, querido e idolatrado Paulo Ricardo. Quem me conhece sabe que amo esse cantor desde sua época de RPM. Sua voz rouca, sua entonação vibrante me fazem arrepiar. Amo de paixão o interprete que coloca a alma nas músicas que canta e Paulo Ricardo consegue esse feito.
A música solicitada e escolhida foi Dois, de 1997. Um sucesso na época e ainda nos faz suspirar até hoje. Agora deixemos de enrolação e vamos à minha humilde análise.
Espero que gostem.


Dois - Paulo Ricardo

Quando você disse nunca mais
Não ligue mais, melhor assim
Não era bem o que eu queria ouvir
E me disse decidida, saia da minha vida
Que aquilo era loucura, era absurdo

Um término de um relacionamento, abrupto, inesperado que com certeza pegou o parceiro de surpresa. Um dos lados simplesmente decidiu que aquele relacionamento não daria certo, que não estava funcionando, e que tinha que acabar.

E mais uma vez você ligou
Dias depois, me procurou
Com a voz suave, quase que formal
E disse que não era bem assim
Não necessariamente o fim
De uma coisa tão bonita e casual

Daí veio talvez o arrependimento, vem a sensação de que o amor ainda não acabou, ou a tentativa de ficar longe não funcionou. Que o que eles tinham não podia simplesmente acabar de uma hora para outra, mais uma vez apenas um dos lados tomou essa decisão.

De repente as coisas mudam de lugar
E quem perdeu pode ganhar
Teu silêncio preso na minha garganta
E o medo da verdade

Mas um deles sabe que existe muito mais por trás daquele rompimento, que algo ficou no silêncio do que não foi dito, uma verdade oculta que pode mudar tudo. Que na verdade ainda há muito a se dizer, e que isso talvez doa muito.

Eu sei que eu, eu queria estar contigo
Mas sei que não, sei que não é permitido
Talvez se nós, se nós tivéssemos fugido
E ouvido a voz desse desconhecido
O amor, o amor, o amor, o amor

Eles queriam ficar juntos, pelo menos uma das partes sabe que se eles tivesse dado vazão aos sentimentos, se tivessem ouvido o coração eles poderiam ficar juntos, e entre eles só existiria o amor. Aqui fica a dúvida da existência de uma terceira pessoa, um impedimento mais concreto.

Essa voz que chega devagar
Pra perturbar e pra enlouquecer
Dizendo pra eu pular de olhos fechados
Essa voz que chega a debochar do meu pavor
Mas ao pular, eu me vejo ganhar asas e voar

Aí os sentimentos gritam, querem sair de dentro do peito, chegando a maltratar tanto o corpo quanto a alma. Aquele sentimento que se pudesse se libertar faria com que ambos voassem, que ambos se entregassem ao amor.

De repente as coisas mudam de lugar
E quem perdeu pode ganhar
Minha amiga, minha namorada
Quando é que eu posso te encontrar

E mais uma vez eles querem se ver, se encontrar, testar os sentimentos, olhar nos olhos e talvez se permitirem dar vazão aos sentimentos.

Eu sei que eu, ah, eu queria estar contigo
Mas sei que não, sei que não é permitido
Talvez se nós, se nós tivéssemos fugido
E ouvido a voz desse desconhecido

Arrependimento, vontade de voltar no tempo, de ter se permitido sentir, mesmo sabendo que isso é impossível, que esse sentimento jamais deve ser sentido. 

Eu sei que eu, ah, eu queria estar contigo
Mas sei que não
Não, não, não, não
Não é permitido
Talvez se nós tivéssemos fugido...

E aí a alma grita todo sentimento guardado, escondido no silêncio das palavras que não foram ditas.


Existem relacionamentos que não eram para acontecer, amores improváveis e impossíveis, mas que não necessariamente deixam de existir apenas pela nossa vontade. Eles ficam lá no fundo do nosso ser, guardadinho, e sempre vem à tona principalmente quando estamos tristes com nossa realidade ou quando sentimos que poderia ter sido diferente, se tivéssemos tido coragem de deixar falar o coração, se aquele ou aquilo não tivesse se imposto entre os dois apaixonados. Um "se" que passa a viver eternamente em nossos pensamentos. Fica a dica: Não tenha medo de dizer "eu te amo", não importa os obstáculos, o amor sempre vence no final. 



Artista: Paulo Ricardo
Composição: Paulo Ricardo / Michael Sullivan
Álbum: O Amor me escolheu
Data de lançamento: 1997

9 comentários

  1. Quantas lembranças boas desta música!!! O auge dos meus 16 anos, a época em que mais sofri por 'amor', hehe. Escutava esta música e me debulhava em lágrimas, kkk. Mas acho que a adolescência é a fase mais pura em relação à sentimentos mesmo e letras como esta vem bem à calhar. Saudosismo puro!!!

    Beijo amiga!

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    1. Imaginando você adolescente destruindo corações e sofrendo por amor, rsrsrsrs
      Amo canções que nos remete ao passado, ainda mais quando trazem lembranças boas.
      Que bom que toquei seu coração, Van.
      Bjs

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  2. Olá! Eu também amo muito o Paulo Ricardo e as suas músicas, essa é mais uma que não cansava de ouvir, confesso que agora não ouço tanto, mas o post já me fez correr para refazer a playlist por aqui. E essa análise da letra sempre me faz rever a maneira que eu lidava com a canção (e amá-la ainda mais), pois quase não me dou essa oportunidade de entender melhor a letra e o que ela quer passar, acho que esse é um exercício que vou praticar mais vezes.

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    1. Temos que praticar mais ouvir as letras das músicas que cantamos, principalmente as pseudo músicas de hoje, tem cada letra que merecia até processo e outras que são pura falta de inteligencia. Ainda bem que temos o poder de ouvir músicas boas, consertar a playlist e viajar num tempo onde música boa era normal.
      Beijokas, Elizete.

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  3. Eu sou geração anos 70,80,90. E admito sem vergonha nenhuma, que mesmo hoje em dia, com as opções musicais que temos, prefiro manter meu gosto musical lá nessa época e meus vizinhos me amam rs
    Pois é de Roupa Nova, Paulo Ricardo,Rpm até Queen, Elton, Mettalica e Belchior!
    Eu não abro mão de viver a melhor época da música de jeito nenhum e essa música, acho que o Paulo estava casado ou se separando da Luciana Vendramini(é esse o nome??) Sei que é uma atriz linda que penso que se banha no formol pois é maravilhosa até hoje.
    A letra é um poema, um triste poema sobre a decisão errada, mas o arrependimento e a negação de uma relação que já estava sendo destruída pouco a pouco.
    Não deixa essa coluna morrer não rs
    Amo!!!!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na flor

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    1. Resumindo, Angela, você é da geração "música boa", porque hoje só tem lixo por aí.
      Não deixo a coluna morrer jamais, rsrsrrs
      Beijokas

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  4. SAbe Leninha, sempre fui apaixonada pelo Paulo Ricardo e seu RPM...(muitas rotações por minuto...kkkk).
    E essa música em especial, trouxe uma grande lembrança, pois mainha além de amar o Paulo Ricardo, amava essa música e escutava tanto, que chega doía, acredito que ela sentia saudades de painho, vai saber.
    Gostei da sua análise, mas sabe que sempre tive a impressão que essa música se referia há algum amor impossível, por algum motivo?
    cheirinhos
    Rudy

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  5. Oi, Leninha
    Amoooooo essa música!!!
    Que análise maravilhosa você fez.
    Tantas nuances que eu nem tinha percebido mesmo conhecendo ela há anos.
    Eu cresci ouvindo RPM e Paulo Ricardo solo e adoro todas. É incrível como a voz dele nos faz cativas e não consigo decifrar direito o que a letra quer dizer ao todo, só sentir a emoção rasgante da música.
    Pronto, vou ter que ligar ela aqui agora Kkkkk
    Obrigada por postar!
    Bjs

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  6. Olá
    Também sou super fã do Paulo Ricardo Ai que saudades do RPM rsrs Eu só ouço músicas antigas anos 70 80 é 90.
    Gostei da sua análise.
    Me parece que esse amor é um amor proibido .Será que um já era comprometido com um outro alguém ?Falam em fugir para viver esse grande amor .Fugir do que ? Ou de quem ? Acho que se trata de um amor que não poderia ter nascido mas nasceu.

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