LGTBQI+ nas estantes – e fora dos armários!

Quais livros com protagonistas LGBTI+ você já leu? Quantos autores LGBTQI+ você tem na estante? Quando você começou a ter contato com essas narrativas? O que elas te fazem perceber? Quais são as editoras que abrem espaço para essas histórias?

Falo do lugar de leitor: custei muito a encontrar livros assim lá atrás, quando adolescente, quando precisava me reconhecer na literatura. O mercado engatinhava nessas publicações – sim, havia livros, mas onde eles estavam? Nas prateleiras altas, quase que inacessíveis. E eu, como um garoto LGBT de 13 anos, custava a encontrar, logo custava também a me encontrar.

Escrevo hoje aqui de peito aberto e feliz pelos avanços. Nos últimos anos, os caminhos que começaram a ser abertos lá nos anos 60, em Stonewall, e muito antes disso, através de militâncias ainda prematuras, foram fundamentais para chegarmos até aqui.

A literatura sempre foi e sempre será uma via pela qual as pessoas desenvolvem senso crítico, empatia e respeito pelo outro. As narrativas LGBTQI+, nesse sentido, são fundamentais para que as pluralidades literárias se desenvolvam, para que tenhamos um espectro de inclusão efetivo.

Ontem, dia 28 de junho, foi comemorado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQI+. E aqui, como um espaço aberto para discutirmos e refletirmos sobre o papel dos livros e da literatura, trago essa discussão. Você reconhece a importância? Você sabe como essas narrativas são geradas, de onde elas partem e para onde elas vão?

O meio caminho andado precisa estar em movimento constante. É preciso agora, que quebramos tantos paradigmas, perceber quais histórias estão sendo contadas. A luta pela inclusão é atravessada por inúmeras outras e é necessário que estejamos atento ao tipo de literatura que a gente quer construir.

Pronto, agora que você já deu uma checada mental nos livros LGBTQI+ da sua estante (e se encontrou alguns bons títulos...) quero te perguntar: eles são protagonizados por homens gays brancos? Tem representativa negra? E narrativas de pessoas transgênero? Gênero fluído? Lésbicas? Bissexuais? Queer? 

Não, não é um tribunal. Eu também não tenho todas essas narrativas morando na minha estante. E é exatamente esse o ponto: por quê não? Por quê não temos?

Seguimos buscando essas respostas. A proposta da reflexão reside exatamente na percepção do que consumimos e de quem consumimos. Certamente, essas narrativas existem – engavetadas ou não. Por que não chegam até nós?

Eu vou te fazer uma proposta: eu procuro daqui, você daí. Pode ser? E, com toda certeza, vamos nos encontrar em algum ponto, pedir um café e trocar essas indicações!

5 comentários:

  1. Olá! Olha eu consigo contar nos dedos (de uma mão), quantos livros com a temática eu já li, mas depois da última bienal do livro e aquela tentativa vergonhosa de censura, acabei conhecendo alguns títulos bem interessantes e que já fazem parte da minha lista, o último que entrou é até um nacional O amor não é óbvio. E concordo com você que as editoras ainda estão gatinhando nesse quesito e mesmo com mais títulos em destaque ainda falta muita representatividade de TODOS!

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  2. Adorei a crítica! Ainda tenho poucos livros com personagens declaradamente LGBTQI+ e venho procurando aumentar a quantidade. Sempre bom parar e analisar a composição da estante para entender o que está faltando e que pode ajudar numa compreensão maior e mais profunda de mundo.

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  3. Penso que toda luta seja válida. Tivemos recentemente(meio que em meio à dor e tristeza) atos contra o racismo e lá vem a pergunta que nunca se cala: Você lê autores e autoras negras?? Fez até um movimento lindo na internet, onde nós,leitores estamos aprendendo pouco a pouco a sim, ter livros de autores(as) negras na estante e isso é maravilhoso.
    Agora com esse dia tão especial ontem, a luta ganha mais um grito por igualdade e mais uma vez, a pergunta de quantos livros do gênero já lemos ou pretendemos ler!
    Eu já li alguns,mas preciso aumentar e muito esse número.
    É pouco o que fazemos?? Sim!!!Mas de pouquinho em pouquinho, conseguimos ao menos sonhar com um mundo regado à amor e respeito!!!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na flor

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  4. Ronaldo!
    Proposta muito interessante a sua e confesso que poucos são os que fazem parte na minha estante, não porque não goste ou por algum preconceito, mas porque tenho dificuldade em encontrá-los e quando encontro, de fato acabo achando um outro que queria como prioridade (será que é algo no meu subconsciente? Agora fiquei preocupada..).
    Dá próxima vez que for compras livros ou ebooks, vou periorizar os do assunto.
    Valeu a reflexão!
    cheirinhos
    Rudy

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  5. Muito interessante a sua colocaçao .
    Eu vivo procurando livros com personagens negros e náo acho Eu gostaria de ver uma autora branca escrever romances com personagens negros .

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