Casa das estrelas – Javier Naranjo

O universo pelo olhar das crianças: esta é a obra do colombiano Javier Naranjo. Através da ressignificação de palavras comuns, o autor e organizador de Casa das estrelas age mais como um mediador, dando corpo e forma às palavras que conseguiu reunir ao longo de anos, nas suas práticas de ensino e no seu convívio com os pequenos. O resultado é um dicionário de sentimentos, um presente que merece uma revisitação constante.

Como não se trata de uma narrativa linear e como não cabe dentro de gêneros tradicionais, é difícil resumir o livro porque ele é o que é e cabe a cada leitor vivenciá-los e experimentá-lo em toda sua grandiosidade, por isso estou tentando deixar apenas aqui o que o livro deixou em mim – e eu sou absolutamente suspeito para falar sobre qualquer coisa que envolva crianças porque eu me derreto todinho.

Mas ler Casa das estrelas é mesmo um exame de si. É como voltar-se para si e buscar nisso esse olhar mais atento e desgarrado do que nos ensinaram que é isto ou aquilo. Afinal, o que de fato é morrer? O que é poesia, o que é solidão? O que é pai, mãe, violência e casa? O que é país? O que é terra, menino, céu, universo? O que é sexo? O que é cão, igreja, o que é país e o que é Deus? 

Com essas perguntas, o autor nos guia pela sensibilidade tátil de quem ainda está vivendo o mundo no ato. Por vezes, significados distantes da literalidade, outras tantas dando um conceito tão profundo quanto verdadeiramente sincero. E as coisas dentro da gente se movem à medida que as páginas também são movidas pela curiosidade que causa.

Cada vez que nos damos a chance de mergulhar nesses significados que as crianças dão as coisas, é como se fossemos obrigados a apontá-los por nós mesmos, ressignificando também o que já nos está posto como uma verdade incontestável. O universo é essa “casa das estrelas”.

O livro é doce e leve, cômico muitas vezes. Dá para rir e chorar, dá pra gente passar por ele em apenas poucas horas, minutos até, se passarmos correndo. Porém ele fica, por mais que a gente passe. E por mais que tudo vá se revirando, tudo ainda fica intacto como a gente era quando olhávamos para uma porta e víamos um portal. Ou de quando, olhando para o céu, imaginávamos que era um imenso oceano.

Tudo é novo e bonito. Às vezes. Tudo é cruel. Às vezes também. Tudo é como as crianças veem e ver tudo através delas, neste livro, é tocante e singelo. É ótimo pra ler sozinho, junto, para ter e dar de presente. Acho que, acima de tudo, esse é livro que merece nunca passar desapercebido por ninguém.

Boa leitura!

Um dos maiores sucessos da poesia das últimas décadas, agora de volta ao Brasil
Ao longo dos anos, Javier Naranjo, professor e poeta colombiano, coletou definições que seus alunos do curso primário davam a palavras, objetos, ideias, pessoas, lugares e sentimentos. Os pequenos verbetes, reunidos no grande sucesso Casa das estrelas, oscilam entre o poético, o lúdico, o melancólico e o revelador.
poesia > É como estar cantando.
amor > É quando batem em você e dói muito.
guerra > Gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz.
adulto > Pessoa que, em toda coisa que fala, vem primeiro ela.
eternidade > É esperar uma pessoa.
tristeza >Tempo.
tempo > É um relógio que move e move uma mão até que se cansa.

4 comentários:

  1. Olá! Uau que preciosidade, nada mais lindo do que ter um pedacinho do olhar daquelas pessoinhas que ainda não foram contaminadas pela maldade e escuridão do mundo, só trechinho que li já me deixou sorrindo, pensando e emocionada, imagina a leitura do livro todo, sem dúvida vai ser para lá de emocionante. Não conhecia, mas já quero e para ontem.

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  2. Naranjo é uma das grandes referências da Colômbia quando se fala em poesia!Tudo que o cara faz, fica lindo, poético, mesmo que muitas vezes, deixe quem lê, meio triste!
    E esta obra voltada para a pureza das crianças deve ser bem o oposto disso tudo. Olhar com os olhos de uma criança já é tentar ver o mundo de outro ângulo e isso, Naranjo sempre conseguiu que o leitor fizesse.
    Sabe aquele voltar ao passado, na época da ingenuidade, da inocência??
    É bem isso!!!
    Quero demais ter este presente em mãos!!!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na flor

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  3. Ronaldo!
    Que livro, hein?
    Sempre acho que os livros infantis trazem grandes mensagens para nós que nos onsideramos adultos.
    Ver um livro que traz uma forma nova para demonstrar para as crianças os significados das coisas e que elas tem seu próprio ponto de vista em observá-las, nos traz um olhar diferenciado sobre elas também, concorda.
    Muito fofo!
    cheirinhos
    Rudy

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  4. Ronaldo, você sabe fazer resenha como ninguém! Que talento, já adicionei o livro nos desejados ✨

    Beijo, Karoline.

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