A Metamorfose – Franz Kafka

Uma das mais famosas novelas da literatura Mundial, A Metamorfose é amplamente divulgado, falado, estudado. Você já deve ao menos ter lido algo a respeito: um homem que, um dia, sem grandes explicações, acorda metamorfoseado em um gigantesco e asqueroso inseto. Considerado um dos mais célebres e influentes escritores de sua época, Kafka traz, através dessas alegorias, discussões importantíssimas a respeito de pressões sociais, sobre o ser em seu íntimo, despido de toda e qualquer performance do que lhe é imposto como certo, ético e moral.

A obra como um todo é tratada do absurdo ao natural, em um caminho por vezes contrário: se o choque causado pela metamorfose, a princípio, causa uma repulsa imediata em toda a família, logo acostuma-se aquela condição – não numa consideração natural, mas até aceitável. Isso é notado principalmente pela figura da personagem Grete, irmã do nosso protagonista, Gregor.

Através desse personagem, Kafka implementa em sua narrativa um tom lamentoso, lamurioso, uma entrega ao sentimento de abandono – vivenciado e reiterado por Gregor. As representações do pai e da mãe, também bastante presentes na vida de Gregor, são postas de maneira a evidenciar essa sensação de indiferença, de ter sido deixado de lado.

Se por um lado a narrativa caminha pela exasperação diante da metamorfose, por outro dá conta de colocar Gregor como um ser universalizado diante do outro. Um ser que se “despersonaliza” por ter deixado sua condição humana e, a partir disso, se torna algo repugnante. 

E é nesse personagem que está centrado toda a questão da estória: como ele se sente ao se tornar algo nojoso diante do outro, o que ele passa a comer – ou deixar de comer – quais as condições que começa a viver. Esse estranhamento parece colocar o leitor em um lugar de reflexão da sua própria vida, escolhas, o que é e para quem ou o quê.

De forma bastante simplória, eu diria, mas com uma prosa impecável, Kafka consegue captar de maneira extraordinária essa desolação e descontentamento. Confesso que era um livro que me parecia bastante distante, por ter a impressão de que ele exigia uma leitura mais atentamente dedicada (não que não exija, mas quero dizer, uma narrativa prolixa e até pouco palatável). Mas não. É uma leitura bem tranquila, rápida, porque é envolvente.

Mesmo que pequena, é profunda. Mesmo que fluída e rápida, é demorada no seu ressoar depois de lida. Leiam Kafka!

E se, de repente, você acordasse metamorfoseado em um inseto monstruoso?
Clássico da literatura mundial, o fantástico de Kafka agora chega a novos leitores.
A metamorfose (Die Verwandlung, em alemão) é uma novela escrita por Franz Kafka, publicada pela primeira vez em 1915.
Nessa obra, Kafka descreve o caixeiro viajante Gregor Samsa, que abandona as suas vontades e desejos para sustentar a família e pagar a dívida dos pais. Numa certa manhã, Gregor acorda metamorfoseado num inseto monstruoso.

3 comentários:

  1. Puxa, quanto tempo não lia o nome do autor! Não sei se vou estar certa, mas acho que esta é a obra mais "famosa" dele e é impossível viver nesse mundo literário, sem nunca ter visto ou lido nada sobre essa obra em particular!
    Gregor traduz a alma humana, eu sempre acreditei nisso. Que esse se transformar é nada mais nada menos que a alma cansada dele e o inseto seria apenas as angústias, tristeza e alegrias do personagem.
    Ao mesmo tempo que é sim um livro filosófico, é também um grande apanhado de lições importantes a todos nós!
    Super recomendado!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor

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  2. Ronaldo!
    Tive a oportunidade de ler esse genial livro do Kafka ainda na adolescência, mas na época não entendi bem o real sentido da história e acabei fazendo a leitura já na fase adulta e foi uma experiência de entendimento sobre o dilema humano e como a nossa mente trabalha de uma forma que nos transforma... é um pouco nojentinha a leitura, porém primordial.
    Bom que não encontrou dificuldade na leiura.
    cheirinhos
    Rudy

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  3. Olá! Engraçado que ao me deparar com o livro e esse título a primeira coisa que fiz foi associar a música do Raul Seixas, e lendo um pouco mais sobre a história, acho que a semelhança é bem real, confesso que não é o tipo de leitura que faço com mais frequência, mas estou sempre aberta para novos gêneros e novas histórias que sempre tem algo a acrescentar.

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