As mil partes do meu coração - Colleen Hoover

Eu sou um veterano de Colleen Hoover. Essa é a melhor maneira de começar esta resenha porque (a) posso me dar ao direito de uma conclusiva comparação desse livro em questão em relação a sua obra como um todo e (b) eu sou completamente apaixonado por cada história que a autora cria – seja ela mais séria ou mais despretensiosa – e ainda (c) posso dizer sem dúvidas que este se tornou um dos mais favoritos dela pra mim.

Dito isso, sigamos para a história. Merit faz parte de um desarranjo familiar. Os Voss, sua família, é tudo que faz dela o que ela é e como é. E eles são cheios de segredos, cheios de falta de comunicação e, acima de tudo, cheios de certo distanciamento afetivo.

Merit cresceu assim: sempre à sombra de sua irmã gêmea, Honor, que, para ela, era sua versão melhorada. Com cabelo melhor, notas melhores, relacionamentos inalcançáveis e, acima de tudo, com o apoio do irmão mais velho Utah. A única coisa que parece salvá-la de tudo isso é o pequeno Moby, seu irmão - que, aliás, é fruto de uma traição do seu pai.

A família Voss, mergulhada em confidências e discrições, parece ser o catalisador de uma crise que Merit está prestes a ter. Ao tempo em que precisa lidar com a atração irresistível que sente pelo suposto namorado da irmã - que está morando na mesma casa que ela – ainda precisa não se deixar afundar na pilha de sujeira moral que todos ali insistem em manter debaixo do tapete.

Acho que essa, para mim, foi a mais inesperada e surpreende história da Colleen Hoover. Não por ela ter inovado em seus recursos narrativos nem por ter mirabolado uma história completamente diferente de suas anteriores. Não. Seu mérito em As mil partes do meu coração está justamente no fato dela ter usado todos os recursos anteriormente explorados em suas obras precedentes – o drama, a redenção e os toques ácidos de humor mórbido - sem se deixar cair no mais do mesmo.

Sou um grande fã da autora, não nego para ninguém, mas o que também não nego é que as narrativas da Hoover, por vezes, seguem caminhos previsíveis para quem já leu, sei lá, outras três ou quatro obras suas. Mas esta, mesmo assim, vai surpreendendo o leitor tanto pela aura de mistério criada – a narrativa é permeada, toda ela, por um segredo que só vai ser revelado pra mais da metade do livro – e pela própria sensibilidade autoral de delinear os contornos do tema central do enredo.

Sim, o livro é sobre Merit, mas é também sobre muita gente que se sente como ela. Que sente a rejeição, que teve um marco trágico na infância ou que aos poucos, por todo o peso, parece não ver sentido em continuar existindo. E aí entra a competência da Hoover: (ISSO NÃO É UM SPOILER) a Merit precisa de ajuda. Toda sua tristeza canalizada em um ponto, todo o seu sentimento de não pertencer acabem por levá-la por labirintos patológicos perigosos.

E então a redenção. É tão bonito acompanhar a evolução não apenas dela, mas de todos os personagens que compõem o mosaico narrativo. Cada um deles, com suas histórias, seus segredos, seus próprios traumas. Que são pouco explorados pela visão da Merit, mas tão bem pincelados de maneira sutil, porém necessária.

Tudo no livro leva ao que leva e isso é importante. É bonito. É necessário. Se o seu coração também tiver mil partezinhas, tenho certeza de que nem que seja uma, apenas uma, será tocada por essa história.

Boa leitura!

Para Merit Voss, a cerca branca ao redor da sua casa é a única coisa normal quando o assunto é sua família, peculiar e cheia de segredos. Eles moram em uma antiga igreja, batizada de Dólar Voss. A mãe, curada de um câncer, mora no porão, e o pai e o restante da família, no andar de cima. Isso inclui sua nova esposa, a ex-enfermeira da ex-mulher, o pequeno Moby, fruto desse relacionamento, o irmão mais velho, Utah, e a gêmea idêntica de Merit, Honor. E, como se a casa não tivesse cheia o bastante, ainda chegam o excêntrico Luck e o misterioso Sagan. Mas Merit sente que é o oposto de todos ali.
Além de colecionar troféus que não ganhou, Merit também coleciona segredos que sua família insiste em manter. E começa a acreditar que não seria uma grande perda se um dia ela desaparecesse. Mas, antes disso, a garota decide que é hora de revelar todas as verdades e obrigá-los a enfim encarar o que aconteceu.
Mas seu plano não sai como o esperado e ela deve decidir se pode dar uma segunda chance não apenas à sua família, mas também a si mesma. As mil partes do meu coração mostra que nunca é tarde para perdoar e que não existe família perfeita, por mais branca que seja a cerca.

4 comentários:

  1. Bom dia
    Vejo muitos comentários positivos vá respeito dessa autora mas ainda não tive a oportunidade de ler seus livros mas tenho muita vontade de conhecer sua escrita
    Dica anotada

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  2. Posso não ser assim uma fã assumida por completo da autora(culpa de É Assim Que Acaba),mas mesmo assim afirmo com toda a certeza que este é realmente um dos melhores livros da autora(ainda preciso ler tantos outros dela)
    Mas Merit carrega não somente o peso da família inteira, seus segredos, mas carrega principalmente o peso de ser quem ela é. Sem firulas ou adornos. Ela é assim, ponto final.E sendo assim, puxa para si toda uma responsabilidade que não é dela e isso é fascinante!
    Ela necessita de ajuda urgente, talvez como muitos de nós aqui fora precisa também!!!
    E o título caiu como uma luva em toda a história dela e de sua família!!
    Super recomendo!
    Beijo

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  3. Ah, não fala da Colleen que eu já caio de amores. Estou doida por esse livro! Também sou super fã.

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  4. Olá! ♡ Acho que o que mais chama atenção nesse livro, não é nem a trama em si, que por sinal é muito boa, mas sim essa família tão pouco convencional de Merit, em que todos escondem segredos de todos.
    Esse livro me fez pensar muito no quesito família ao fazer a leitura, no quanto por vezes a falta de comunicação se faz presente entre pessoas que moram na mesma casa. No caso do livro, Merit nem sequer sabia que Sagan estava morando em sua casa.
    Pra mim esse livro apresenta algo novo da Collen, já que estou acostumada com narrações de temas mais pesados como os de Tarde Demais, É assim que acaba e Um Caso Perdido. Mas, mesmo ela tratando temas importantes com mais sutileza dessa vez, eu achei tão bom quanto. É fascinante a forma como a Colleen sempre acha um jeito de surpreender os leitores ao trazer algo novo!
    Realmente, Merit precisa de ajuda, os sinais disso estão presentes durante toda a leitura do livro. A tristeza, o sentimento de inferiorização, o fato dela nem frequentar mais a escola por falta de motivação, o seu isolamento das pessoas, seus pensamentos de que não faria falta...
    Colleen, como sempre, nos faz refletir com essa história. Como cada pessoa é cheia de lembranças boas, mas também ruins, traumas, tristezas e o quanto segredos podem machucar.
    Beijos ♡

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