O dia em que minha vó me apresentou a morte – André Comanche

Com toques de terror sobrenatural e gostinho de infância – o agridoce sabor da nostalgia – André Comanche, em O dia em que minha vó me apresentou a morte, conduz o leitor por seis contos curtos que revivem parte de sua memória de garoto travesso, ao tempo em que compartilha a experiência de dividir o questionamento universal do que é real e do que não é quando você é apenas uma criança querendo descobrir o mundo.

São contos de aventura e mistério baseados em fatos quase reais, como o próprio autor gosta de se referir, e ele apresenta, em suas narrativas, referências claras ao universo cinematográfico dos anos oitenta – quem nunca amou e se divertiu com a trupe de Os goonies que atire a primeira pedra.

O conto que dá nome ao livro é também o que o abre: não parece nada ameaçador e nada terrível até que a composição de detalhes e a própria figura da matriarca se mostrem como ingredientes propícios para atiçar a imaginação infantil.

E se são as experiências vividas na infância que nos formam adultos menos ou mais temerosos, O portal no quintal, último conto do livro, nos induz a embarcar na aventura do menino que só quer entender o motivo do seu pequeno pintinho ter morrido e o que acontecerá depois

Em As sombras na cidade fantasma dois amigos são levados pela curiosidade de desbravar a cidade e se deparam com um convento assustador no meio de uma cidade histórica e tudo ao redor parece leva-los a crer que algo de muito terrível pode estar acontecendo naquele lugar.

Já no Tem um dinossauro morando aqui, de longe o meu conto favorito, um grupo de crianças saem para procurar um cachorro no sítio de um dos garotos e se deparam no meio da caçada de um possível dinossauro que habita aquelas terras.

O livro conta ainda com Todo sítio tem mistério e A arma do velho, ambos com a mesma proposta de trazer crianças no centro das narrativas, guiando suas histórias pelo medo e pelo ímpeto de enfrentar qualquer coisa para descobrir o que tem ali.

Acho que o mais interessante da obra é que, mesmo em se tratando de um livro de contos, no qual as histórias são independentes, podendo ser lidas na ordem que o leitor preferir – eu, por exemplo, comecei pelo penúltimo conto (minha quedinha por dinossauros!) – todas elas têm características que as unem, com pontos em comum que dão sentido de conjunto.

As histórias são curtinhas e ótimas, uma experiência compartilhada em que escritor e leitor parecem estabelecer um pacto de cumplicidade, sendo este último impelido a reviver suas próprias memórias infantis, tatear seus medos e tentar descobrir até que ponto vivemos o que imaginamos ou imaginamos o que vivemos.

É um exercício incrível!

Boa leitura!

P.S.: para quem se interessar, o livro pode ser adquirido através das redes sociais do autor: Do Conto ao Traço (Facebook e Youtube) e @do.conto.ao.traco (Instagram).

Toda criança é naturalmente destemida. Talvez por causa de sua inocência sobre as coisas do mundo. Talvez por sua vontade incessante de descortinar os mistérios da realidade ao seu redor. Os seis contos deste livro trazem histórias sobre descobertas. Em um deles, um forte cheiro vai revelar a aventureiros mirins os limites da maldade humana. Em outro, a amizade se revela uma verdadeira arma para fugir do ataque de uma figura sinistra. Um terceiro narra os detalhes de uma investigação sobre o aparecimento de um suposto dinossauro nas matas ao redor de um sítio. Algo em comum em todas estas narrativas é a nostalgia doce que só a infância fornece, temperada por uma dose de medo e mistério.

2 comentários:

  1. Um dos meus passatempos preferidos quando criança, era aguardar ansiosa as noitinhas de sexta feira(sei lá, hoje acho que nem era noite, mas aquela hora que o sol está indo embora, pois a mãe nunca deixava que ficássemos na rua depois das 6 mesmo e oh, dormíamos as 7, só para que o vizinho ficasse contando os "causos" dele que sempre envolviam avós velhinhas e corcundas, casas velhas e abandonadas com chão que quando é pisado, range e claro, uma mula sem cabeça aqui e um lobisomem ali..rs
    Ele jurava que havia visto ambos e os havia vencido e sabia direitinho quem eram.
    A gente morria de medo,mas adorava.
    Por isso, ler a resenha deste livro trouxe tantas recordações gostosas, pois parece que os contos são assim, essa coisinha gostosa da inocência de uma criança, misturada com aquele medinho gostoso.
    Reviver....cheirinho de nostalgia!
    Quero demais poder conferir!!!
    Beijo

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  2. Olá, tudo bem? :D

    Nossa, eu não conhecia esse livro e me chamou muita atenção, principalmente por ser contos. Adoro livros assim, principalmente após uma leitura bem pesada, sabe? Me chamou atenção o nome e gostei da sua opinião. Já estou colocando na wishlist :D

    Aliás, estou seguindo seu blog para saber mais novidades <3
    Beijos,
    Blog PS Amo Leitura

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