No Jardim do Ogro - Leila Slimani

Visceral, intenso e de uma simplicidade aterradora: talvez esses sejam os melhores adjetivos para a obra de estreia de Leila Slimani, uma voz perceptivelmente autêntica e potente da literatura francesa contemporânea – não que eu tenha muita bagagem de comparação, diga-se de passagem, mas sigamos. 

Acompanhando a trágica e aparentemente insossa vida de Adèle, a narrativa nos leva a lugares muito comuns e comprometedores do desejo humano, da solidão (mesmo estando com alguém) e da mirabolante trama de mentiras que se costura em um cotidiano banal.

Através dessa personagem, temos uma história desenvolvida em fluxos de tempo que parecem pouco importar para o verdadeiro sentido narrativo para o qual o enredo flui. Aqui temos não apenas uma trajetória guiada cronologicamente pela autora, mas seu conteúdo sendo exposto em saltos, como que ela estivesse preocupada mais em fazer o leitor imergir em sua obra de modo a instiga-lo a ponto de não o fazer largar o livro.

Adèle é, obviamente, uma personagem que sofre de uma compulsão sexual que é, clinicamente falando, uma patologia. Mas ela é também uma personagem notoriamente comum, uma mulher, uma jornalista, uma mãe, uma esposa. E é essa sua vivência comum que faz reconhecer traços de qualquer pessoa que esteja lendo.

Embora o tema central do livro trate da maneira como Adèle se desdobra para conseguir manter sua dupla vida, uma socialmente correta e uma rejeitada, sua narrativa se desmonta e fragmenta em muitas outras questões que envolvem o desejo, o vazio, a construção familiar, as cobranças e a própria experiência de ser o que é: um humano com tendências a falhar e falhar e falhar.

Sinceramente, acho que o livro é de uma importância literária muito significativa. Não achei que fosse gostar tanto. E gostei justamente porque ele me levou por caminhos diferentes do que me é seguro nas leituras. Ele é muito diferente de quase tudo que já li.

E é também inegável a relevância do entendimento do tema e da sensibilidade tátil com a qual a autora constrói a história. Sem romantizações, sem pedantismos clichês e sem criar tamanho enojamento ou rejeita para sua personagem principal. Um feito.

Enfim, literatura francesa das boas, corre pra ler! E boa leitura.

Adèle tem a vida perfeita: é uma jornalista de sucesso em Paris, onde vive com seu marido cirurgião e seu filho pequeno em um lindo apartamento. Mas, debaixo da superfície, ela está entediada com seu trabalho e seu casamento – e consumida por uma necessidade insaciável de sexo a qualquer custo. Movida menos pelo prazer que pela compulsão, ela organiza seu dia em torno de casos extraconjugais, chegando atrasada ao trabalho e mentindo para o marido, até se enredar definitivamente em sua própria armadilha. No jardim do ogro é um romance visceral sobre um corpo escravizado por seus impulsos, o vício sexual e suas consequências implacáveis.


2 comentários:

  1. Eita!
    Admito que não conhecia nadinha sobre este livro, mas ele já começa trazendo tudo diferente!
    Até por ter isso da literatura francesa que eu também confesso, sei de muita coisa não..rs
    Mas uma personagem única. Aliás, me lembro de um filme que vi já tem um bom tempo, onde uma mulher era assim também, a típica vida perfeita, casamento, trabalho, mas a paixão pelo sexo a faz fazer coisas inimagináveis( preciso me lembrar do nome do filme)
    Por isso, achei a premissa da obra muito interessante e se tiver oportunidade, irei conferir!!!
    Beijo

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  2. A sinopse desse livro me chamou muito atenção, não porque seja o gênero literário que chama minha atenção, mas sim porque a história é muito semelhante à do filme Ninfomaníaca. Eu acho interessante como os franceses sempre aborda em suas obras, tanto literária quanto cinematográfica, a questão da sexualidade e do sexo com uma nova perspectiva. Isso me chama muito atenção o novo olhar que eles dão para isso e abordando a questão da patologia Envolvida com a Extrema necessidade de sexo. Não é um gênero que realmente me agrada Então acho que eu vou pular essa leitura

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