História é tudo que me deixou – Adam Silvera

História é tudo que me deixou é um livro doce, triste, fofo, melancólico, transformador e reflexivo. Ele é um monte de coisa que vai se misturando a medida em que a história vai acontecendo: você se pega indo do riso ao choro, da euforia a perplexidade, da paixão ao ódio em questão de páginas, parágrafos, diálogos.

Foi meu primeiro contato com a obra do Adam Silvera – porque eu já o amava pelo instagram, e, apesar de me interessar muito por sua literatura, nunca tinha tido a chance de ler. Uma grata surpresa e não poderia ter vindo em melhor hora. A história é profunda desde o início e conduz o livro para uma derrocada emocional que, de maneira catártica, produz um clímax, ao mesmo tempo, tranquilo e quase perturbador.

Não gosto de ficar resumindo os livros aqui nas resenhas, mas acho que o exercício é bom para fazer vocês entenderem do que a história trata. Primeiro que é sobre amor. Segundo que não é apenas sobre amor. Terceiro que, embora seja sobre amor, é sobre um monte de coisa – sobre corações partidos, amizades, cultura pop, nerdices e... estar apaixonado.

É sobre Griffin e Theo e Wade e depois é sobre o Jackson. Theo tá morto, mas isso não é spoiler porque é praticamente o primeiro parágrafo do livro. Griffin é o ex-namorado do Theo que tá narrando tudo – toda a história é sob a perspectiva dele, dividida entre o presente e o passado, a “história”. Wade é amigo dos dois, tipo um elo só que tudo fica complicado. E Wade é o namorado oficial do Theo quando o Theo morre.

Só que Griffin e Theo foram o primeiro amor um do outro. E aí o Wade sobrou, só que não sobrou porque ele tem uma história que a gente só vai descobrindo quando vai acontecendo... e o Jackson... bem, o Jackson é o Jackson – ou o outro garoto que compreende a dor do Griffin, só que ele é mais que isso também, óbvio.

(vide ler a sinopse para melhor compreensão haha)

Confesso que demorei um pouco para começar a gostar do livro. Acho que talvez porque é um pouco depressivo ler sobre a situação péssima do Griffin ter que lidar com seus surtos de ansiedade enquanto o garoto que ele ama está sendo velado e vai ser enterrado depois de morrer no mar.

MAS, continuem. O livro é realmente incrível. Para mim valeu o esforço de enfrentar a tristeza excessiva das primeiras páginas. Porque a história se conduz de uma maneira bastante bonita e autêntica, ganhando corpo, forma e emoção ao tempo em que os personagens vão se moldando e fazendo conhecer.

A propósito, gosto muito da maneira como o Adam constrói personagens. Não sei se é uma característica dos seus livros ou se foi deste em específico, mas é incrível como eles acontecem com bastante despretensão, humanos a tal ponto em que não há personagens que você simplesmente ama ou odeia.

Os personagens são reais, são gente. E você os ama, os odeia, quer abraçá-los, rejeitá-los... Acho importante a construção de personagens assim. Eles vivem nas páginas como vivemos nós fora delas – e eles erram e acertam e fazem coisas legais e coisas que “não são tão legais assim”.

E o final é uma verdadeira catarse. Deem-se o prazer de encontrá-lo.

Leiam Adam Silvera. Espalhe literatura LGBT. E boa leitura!

Vem aí, do autor best-seller do New York Times, uma história cheia de tristeza e transtornos mentais sobre as consequências devastadoras que a recusa por abandonar o luto pode desencadear. Quando o primeiro amor e ex-namorado de Griffin, Theo, morre afogado em um acidente, seu universo implode. Embora Theo tivesse se mudado para a Califórnia para cursar a faculdade e começado a namorar Jackson, Griffin nunca duvidou de que Theo voltaria para ele quando chegasse a hora certa. Porém, o futuro que ele tanto desejava está despedaçado. Para piorar as coisas, a única pessoa que realmente entende sua tristeza é o Jackson. Mas, não importa o quanto eles conversem e se entendam, a espiral depressiva de Griffin continua. Ele está se perdendo em suas compulsões obsessivas e escolhas destrutivas, e os segredos que ele tem guardado o estão consumindo. Se Griffin pretende reconstruir sua vida, ele precisará visitar e confrontar o que viveu com Theo, história por história.

2 comentários:

  1. Ando gostando muito deste gênero estar aparecendo mais entre as leituras. Num tempo distante, falar de romances LGBT era meio que tabu,considerado por muitos, até perversão. Mas muitos autores se jogaram neste universo e vem apresentando trabalhos bem desenvolvidos, sem vulgaridade e somente com amor.
    Eu adorei o que li acima, pois além do amor, o livro aborda mais temas misturados, desde a perda,até a aceitação. E claro, os segredos!
    Como não conhecia o livro, vai para a lista de desejados com certeza.
    Beijo

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  2. Ronaldo!
    Não conhecia o autor e sua obra e gostei de ver que ele aborda de certa forma, transtornos psicológicos em uma fase bem difícil de se passar.
    E gosto de livros jovens adultos porque trazem realmente assustos importantes a serem abordados.
    cheirinhos
    Rudy

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