Romance de época: a experiência de publicar o primeiro livro em um gênero consagrado

E hoje o blog Sempre Romântica tem o prazer de apresentar Aline Galeote, uma autora que começa a galgar os primeiros passos numa experiência única: escrever um romance de época. E claro que ficamos curiosos para saber como é essa experiência, por isso o tema é: Romance de época: a experiência de publicar o primeiro livro em um gênero consagrado, por Aline Galeote
Bem-vinda ao sempre Romântica, o espaço é todo seu.

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Carruagens. Passeios no Hyde Park. Belos vestidos. Encontros escandalosos no jardim. Duelos clandestinos.
Todos estes aspectos que compõe um retrato da Inglaterra do século XIX passaram a fazer parte da minha vida quando decidi escrever meu primeiro romance de época há quatro anos.

Cansada da exaustiva rotina de escritório - e de suas limitações à vívida criatividade que me acompanhava desde que escrevi meu primeiro manuscrito nas páginas de um caderno de desenho – decidi que era chegada a hora de me aventurar nesse mundão literário. 

O momento decisivo foi estabelecido quando assisti a um vídeo da escritora Julia Quinn participando de uma sessão de autógrafos. E, pela primeira vez na vida, imaginei como seria estar no lugar de outra pessoa.

Aos vinte e sete anos de idade descobri minha verdadeira vocação.
Minha alma era de uma escritora. 

Não havia mais como negar o desejo intrínseco do meu coração de colocar minhas palavras no mundo. Passei a sonhar com o prazer de ser lida e de assinar meus próprios livros em uma sessão de autógrafos. Havia um manuscrito de romance de época em andamento e pensei: por que não?

Um dos maiores desafios que encontrei ao escrever um romance do século XIX foi a ambientação. Para criar um argumento convincente era imprescindível incluir em minha história os hábitos e costumes da época. Minha rotina de escrita foi pontuada por pausas para pesquisas de termos, costumes, o correto uso dos títulos da nobreza (tenho trinta e quatro páginas sobre o tema), vestimentas, lugares... A lista é imensa! Cheguei a passar tardes inteiras pesquisando um determinado assunto para apresentá-lo no livro em apenas duas linhas. 

Outro ponto desafiador na minha escrita foi a construção da personalidade de cada personagem. 
O que os motiva? Quais seus medos? Seus anseios? Suas paixões? 

Foram três longos anos conversando com meus personagens para compreendê-los em seu íntimo.
Quando finalmente escrevi a palavra “fim” no manuscrito, eu acreditava que a parte mais difícil do processo de lançar um livro havia sido concluída. 
Mal sabia que este era apenas o começo. 

Eu havia decidido trilhar minha carreira literária seguindo a tortuosa estrada da autopublicação, optando por lançar meu livro no formato digital. Aprendi na marra termos que até então eram pouco familiares. Capistas, diagramadores, revisores, blogueiras e IG literários passaram a integrar o meu vocabulário e o meu dia-a-dia. 

Minha vida sofreu uma transformação e tanto quando o livro foi finalmente lançado. A sensação era de ser um peixinho em um mar de tubarões. Eu decidira focar minha nova profissão em um gênero consagrado e dominado por autoras internacionais. (Meu salve a todas as colegas brasileiras que diariamente tentam vencer as barreiras do preconceito enraizado para serem reconhecidas). Enquanto experimentava emoções desgovernadas (ansiedade, insegurança, o medo eterno de ser um fracasso) conheci pessoas maravilhosas que me guiaram através da tempestade, conferindo ao meu espírito a confiança necessária para desbravar esse admirável mundo novo.

Queria que fosse possível declarar que meus dias são exclusivamente dedicados a escrita. Afinal, este é o trabalho de um escritor, não é mesmo? Porém, grande parte do meu tempo é investido em acompanhar as redes sociais, criar parcerias, enviar cartinhas através dos Correios, elaborar campanhas de divulgação, acompanhar os números que o livro tem alcançado e a parte mais prazerosa dessa aventura: conversar com os leitores.

A rotina de um escritor independente pode ser muito cansativa e desanimadora. Vamos do céu ao inferno em um instante. Convivemos com personagens que exigem o máximo de nossas emoções. Doamos nossos dias e nossas noites. Choramos, nos emocionamos, sentimos. Nos momentos mais sombrios a vontade é de correr para as colinas! 

Mas então, acordamos e nos deparamos com uma resenha linda do livro ou com aquele leitor inesperado que te procura nas redes sociais para dizer que se emocionou com sua forma de trabalhar as palavras. Se há algo mais gratificante nesse mundo, desconheço. Todo o desgaste emocional é recompensado, trazendo a certeza de que escolhi a aventura certa para a minha vida. 

Tenho acumulado experiências maravilhosas desde que o livro foi lançado. Jamais esquecerei a emoção ao ler a primeira avaliação na Amazon. A primeira vez em que segurei nas mãos os marcadores do livro. A primeira crítica. A satisfação de alcançar o segundo lugar nas vendas. A euforia de participar da Bienal do Livro usando meu próprio crachá de escritora. O orgulho de ter minha obra declarada por um dos blogs que mais admiro como o melhor romance de época nacional lido até o momento. 

Minha própria sessão de autógrafos? Ouço alguém perguntar.
Permanece um sonho enquanto a oportunidade de publicar um livro físico não se apresenta. 

Mas como o grande Walt Disney afirmou em uma frase eternizada na história:
“Todos os nossos sonhos podem se tornar verdadeiros se tivermos a coragem para persegui-los.”
E isto, meus amigos, tenho de sobra.

6 comentários:

  1. E com certeza, este é um sonho muito possível a você!
    Só por ter dado o primeiro passo, de tirar da cabeça e do coração, enredo, personagens e ter feito todo este trabalho de construção e ter entrado num universo até recentemente esquecido, como os romances de época e sim, viver nessa "briga" com os livros estrangeiros que sempre estão em alta, já é sinal que você não veio a passeio!
    Então, bora tirar estes projetos e sonhos da alma e se jogar!
    Ah, eu estarei na fila para ter seu autógrafo!rs
    Beijo e toda a felicidade do mundo a você, hoje e sempre!!!!

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    1. Muito obrigada pelas palavras de incentivo. São de um valor inestimável na vida de um autor. 😊

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  2. Aline, fico muito feliz em vê-la atravessar esse período de novas experiênciase e desejo a voce muito sucesso.
    Serei a primeira da fila em sua noite de autógrafos...beijos no teu coração.
    Adê Turati

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  3. Que bom ver autores que estão começando e já com tanto talento. Vou adicionar seu nome, Aline, na minha lista de futuras compras. Desejo que você faça muito sucesso, o gênero que você escolheu é de uma sensibilidade maravilhosa, vale à pena ler sempre, ainda mais escrito por nossos autores tão talentosos. Força, fé e sucesso.
    Beijos estrelados

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    Respostas
    1. Obrigada, Paty! Espero que tenha a oportunidade de ler o livro. E se ler, venha me contar o que achou. Vou adorar conhecer a sua opinião. 😘

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