As Nuances do mercado editorial

Hoje contamos com a presença mais do que querida do meu amigo Danilo Barbosa, com a difícil tarefa de falar sobre o mercado editorial. Ninguém melhor do que ele para isso, tanto que temos um texto maravilhoso para leitura e reflexão. Então vamos deixar de conversa e nos deliciar com a participação do Danilo aqui no aniversário do blog. Com vocês: As Nuances do mercado editorial, por Danilo Barbosa.

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O Mercado e os moinhos de vento 

Muito dinheiro, glamour, sessões de autógrafos, fãs enlouquecidos… Imagine a possibilidade de ficar em sua mesa, tranquilamente, com uma taça de vinho, apenas dando vida aos personagens da própria história? É perfeita essa vida, não é mesmo? 
Se para quem vê de fora é uma boa existência, para nós também… 
Pena que reside apenas no ambiente dos sonhos.

Infelizmente, a vida do escritor brasileiro está longe de ser glamourosa. Principalmente em tempos de crise, como andamos nos últimos anos  – e a tendência não é ter uma melhora imediata.

Nosso mercado editorial ainda engatinha, em comparação aos grandes, como o norte-americano, por exemplo. Aqui, infelizmente, o livro é visto como supérfluo, onde muitas vezes as pessoas preferem gastar o triplo do valor de um romance em uma “balada” do que na viagem cultural proporcionada por um romance. Ou muitos não tem o que pagar as contas, colocar comida na mesa, portanto, impossível de adquirirem livros. Editoras tem que se adaptar, focando em títulos que são mais itens de fã do que a clássica divisão ficção / não-ficção que antes era o ansiado nas prateleiras. As livrarias lidam com a queda de vendas e não conseguem reverter o pagamento às editoras, que freiam ainda mais a produção… Sendo assim, quando há a publicação de ficção, em vez de investir em literatura nacional, pegam best-sellers estrangeiros que já vem com um histórico de sucesso ou de fenômenos vindos da mídia.

Mas isto está certo? É o que temos para trabalhar. Na lei da sobrevivência, somos todos Dom Quixotes lidando com moinhos de vento, resolvendo com as questões diárias, tentando conter a avalanche. Boa vontade todos temos, mas o receio de tempos ainda mais sombrios nos impedem de confiarmos em nosso feeling, talvez por receio de perder o espaço que tanto lutamos para conquistar. E é nos erros e acertos que vamos buscando as melhores formas de manter o mercado editorial funcionando. 

Dizem que as grandes mudanças sempre advém das grandes crises. E tenho certeza de que aos poucos isso acontece, em todos os âmbitos. Várias editoras, de todos os tamanhos, tem direcionado atenção para os nacionais, diminuindo assim os custos da publicação com traduções e direitos autorais onerosos. Buscam novas ferramentas para diminuir os custos, tornando o livro “um entretenimento popular”, com um preço mais acessível. Para sobreviver, as editoras pequenas e médias trocaram as prateleiras das livrarias por eventos e encontros, cujo objetivo é divulgar e vender a obra, além da participação das feiras literárias que estão espalhadas por todo o Brasil. O fora do senso comum virou a palavra de lei, em todos os sentidos. 

As plataformas digitais se tornaram um celeiro de escritores. Agora, através de e-books e leituras é possível determinar o potencial de um autor. E ver aquela obra e autor como um produto rentável é um ótimo atrativo para as casas editoriais. 

E o escrevinhador? Deixa a caneta de lado e se multiplica. Com o malabares cultural nas mãos vira vendedor, revisor, capista, diagramador… Passa o dobro de horas que escreve divulgando a sua obra, se não quiser ser superado pela concorrência e viver disso. Cria estratégias, faz sorteios, gera grupos, tudo na tentativa de estreitar o vínculo com o leitor. Muitos conseguem, pois fazem esse relacionamento fluir como algo pessoal, único e duradoura. Constrói laços pessoais que suplantam os escritos. E isso é incrível.

Existe solução instantânea? Não. Devemos nos curvar e esperar a maré passar, mas sem vitimismo. E mesmo quando tudo parecer distante, devemos nos lembrar que a chave de tudo, o que nos impulsiona a seguir adiante é a paixão por aquilo que fazemos. E por enquanto, para todos os lados da história, isso deve bastar.

3 comentários:

  1. Eu acredito que por tecnologia que se tenha, nada um dia, se comparará ao trabalho que um autor tem. Gratificante? Muito. Mundo de sonhos e perfeição? Não!
    Aquele glamour que vive rondando oa autores, só nos filmes e olhe lá.
    A literatura nacional é praticamente esquecida e não adianta a gente fingir que não é, pois sabemos que é assim. Os autores matam um leão por dia, tanto para terem suas obras aceitas, afinal o mercado estrangeiro está aí o tempo todo.
    Por isso acho muito importante que mais e mais blogs literários tragam nomes novos da nossa literatura. Isso sim, é gratificante a nós, leitores amantes da boa literatura nacional!!!!
    Show de entrevista, Danilo!!!
    Beijo

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  2. Que bom seria se tudo fosse um mar de rosas, não digo só no universo literário, mas também na vida em si. Danilo nos mostra aquilo que está acostumado a ver no seu dia a dia, e não vejo muita diferença com todos os ouros obstáculos que atravessamos diariamente. Só desejo que moinhos de vento se tornem consistentes, que o sonho se torne real, que os autores nacionais consigam um lugar ao sol, com renda digna, trabalhos reconhecidos, e que o pão seja fruto de suas escolhas. Adorei seu texto, me fez refletir e me deu uma boa ideia do que o autor tem enfrentado pelo mundo, difícil, mas nada impossível de ser vencido. Parabéns pelos temas propostos no blog, Leninha. E parabéns aos autores que encaram com força e nos trouxeram palavras que fazem o leitor pensar.
    Beijos estrelados

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  3. É fácil perceber esses problemas intensos que os autores nacionais sofrem durante e depois do processo de publicação do material deles aqui no Brasil porque principalmente é um país que não tem o hábito da leitura e que dá mais valor a astro de futebol do que autores e professores então é uma cultura que já são um pouco perdida e os livros que se dão valor os são dos autores bastante antigos ou são dos autores estrangeiros o que eu acho muito triste porque é quase que o menosprezo a nossa Cultura e o nosso próprio material

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