É assim que acaba – Colleen Hoover

Falar de algum livro da Colleen Hoover é sempre um desafio. Depois de acostumado com os recursos , e com as tramas da autora, parece ao leitor que não há mais como ela se reinventar dentro de sua própria escrita. De fato, é preciso concordar que Hoover tem uma voz potente, autêntica, mas, em alguns casos, bastante previsível: um relacionamento amoroso cheio de agravantes. 

Com "É assim que acaba" não é muito diferente. Mas, se por um lado ela parece sempre conduzir sua trama pelos labirintos frenéticos de um drama de partir o coração, por outro, ela tem o talento incontestável de trazer elementos próprios, peculiares, que tornam cada um dos seus livros inesquecivelmente fortes e marcantes. Neste, todos esses elementos estão concentrados em sutilezas, em aspectos que dividem a construção narrativa em duas linhas temporais: a história da Lily e do Adam e a história da Lily e do Ryle.

Eu nunca gosto de usar o espaço da resenha para resumir os livros (acho que a sinopse - pelo menos algumas delas - dá conta disso de maneira efetiva) mas vou dar um panorama: Lily é uma jovem cheia de traumas por viver em um lar socialmente perfeito mas particularmente amedrontador: cresceu vendo seu pai agredir sua mãe. Agora, anos depois, em outra cidade, ela tenta lidar com a atração que sente por um neurocirurgião que também carrega seus próprios problemas: Ryle.

Enquanto essa trama se desenvolve no presente (esse envolvimento e suas implicações) outra parte da vida de Lily vem a tona através dos seus diários: a história que viveu com Adam, um amor adolescente, um primeiro amor, que lhe deixou marcas.

Quando esses dois pedaços seus se chocam, ela precisa...

Viver tudo aquilo que a Colleen Hoover faz com seus personagens.

Gosto especialmente desse livro pela relação pessoal que consegui estabelecer com ele. Quando terminei de ler fiquei me perguntando até que ponto eu tinha gostado, porque ao mesmo tempo em que ele é demarcado por uma voz literária forte, ele me pareceu mais sutil do que alguns outros livros da autora (vulgo Novembro, 9 ou Um Caso Perdido). Digo sutil no sentido mais superficial da palavra.

Em É Assim Que Acaba os dramas são mais fincados, mais táteis, menos visíveis. Ele demora para acontecer porque a autora parece ter o intento de oferecer ao leitor uma chance única de criar uma relação com cada história. E dividir opiniões. E fazer refletir. 

Em determinado ponto ela escrever que nem todo mundo é inteiramente bom ou ruim, mas faz coisas boas ou ruins; algo assim. Isso já mostra sua disposição em construir personagens reais, passíveis de uma humanidade brutal.

Sem contar que é um livro que nos lembra da importância ter um primeiro amor correspondido apesar das adversidades. E de ter um amor mais consciente, que se sustenta em coisas para além do sentimento.

É um livro necessário, bonito e bastante doloroso, que toda em questões importantíssimas - violência doméstica, maternidade - de uma maneira responsável. 

Eu diria que é Colleen Hoover em sua melhor forma. Um jeito bom de conhecê-la, para os leitores que ainda não a conhecem, e uma forma de se apaixonar ainda mais por ela - para quem, como eu, não pode sentir o cheiro de algum lançamento seu.

Boa leitura!

Um romance sobre a força necessária para fazer as escolhas corretas nas situações mais difíceis. Da autora das séries Slammed e Hopeless.
Lily nem sempre teve uma vida fácil, mas isso nunca a impediu de trabalhar arduamente para conquistar a vida tão sonhada. Ela percorreu um longo caminho desde a infância, em uma cidadezinha no Maine: se formou em marketing, mudou para Boston e abriu a própria loja. Então, quando se sente atraída por um lindo neurocirurgião chamado Ryle Kincaid, tudo parece perfeito demais para ser verdade. Ryle é confiante, teimoso, talvez até um pouco arrogante. Ele também é sensível, brilhante e se sente atraído por Lily. Porém, sua grande aversão a relacionamentos é perturbadora. Além de estar sobrecarregada com as questões sobre seu novo relacionamento, Lily não consegue tirar Atlas Corrigan da cabeça — seu primeiro amor e a ligação com o passado que ela deixou para trás. Ele era seu protetor, alguém com quem tinha grande afinidade. Quando Atlas reaparece de repente, tudo que Lily construiu com Ryle fica em risco. Com um livro ousado e extremamente pessoal, Colleen Hoover conta uma história arrasadora, mas também inovadora, que não tem medo de discutir temas como abuso e violência doméstica. Uma narrativa inesquecível sobre um amor que custa caro demais.

3 comentários:

  1. Adoro a Colleen, mina primeira leitura dela foi O lado feio do amor e ela já me fez chorar ali.
    Esse livro ta na minha lista mas confesso que ainda não criei coragem para lê-lo, li muito sobre ele e de como a história é sensível e triste e que inclusive é o melhor da Collen - como ainda não li não posso concordar- Mas estou me preparando para começar porque esses temas que ela abordou mexem muito comigo. Acho importantíssimo falar sobre relacionamentos abusivos e violência domestica, e a Colleen foi super corajosa em expor situações da sua vida pessoal nessa leitura e acho que isso intensificou ainda mais o peso que esse livro tem. Com certeza é um livro que pretendo ler em breve.

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  2. Ronaldo!
    Oh! Saudade do meu primeiro amor...kkkkkk
    Logo dois romances em um só livro, uauuuuu!!
    Não imagino o que seja o relacionamento dos pais ruir, porque os meus viveram até que um deles morreu, mas deve ser bem doloroso, principalmente para quem acompanha isso desde a infância.
    Imagino que a narrativa seja contagiante mesmo, porque a autora tem o om de emocionar o leitor.
    Deve ser um livro intenso, porque o tema é sério e acaba vivendo a mesma coisa vivida pela mãe, difícil compreender, né?
    É verdade, o assunto deve mesmo ser discutido com muita intensidade, mas sinceramente, ele pode ser bom em tudo, mas não dá para conviver com relacionamento desse tipo, é minha opinião, mas entendo quem se envolve dessa forma e não julgo.
    Quero muito ler.
    Bom final de semana!
    “A consciência é o melhor livro de moral e o que menos se consulta.” (Blaise Pascal)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA JULHO - 5 GANHADORES - BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  3. Então...Eu acabei conhecendo o trabalho da autora por este livro. Se gostei da maneira dela escrever? Muito!!!Tanto que quero e vou ler mais e mais livros da autora em breve.
    Mas vou confessar que este livro acima não me agradou. A história começou muito bem e eu vou confessar que mesmo tendo lido inúmeras resenhas dele antes, não imaginava nunca que a autora optaria por um caminho assim.
    É preciso tratar a violência? Sim! A todo tempo! Mas eu acredito que houve uma romantização do tema e isso me desagradou demais.
    Aceitar uma agressão, seja verbal ou física, foge muito ao que acredito e achei muitas coisas desnecessárias.
    Mas sei que o livro agradou inúmeros leitores e isso não é ruim.
    Beijo

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