O que o sol faz com as flores – Rupi Kaur

Escrever para a Rupi – e para qualquer pessoa que escreve, deve-se imaginar – é um processo de enxergar a si mesmo ou o mundo em palavras. É tirar de si pesos, representando saudades e suturando feridas no papel. Em O que o sol faz com as flores as poesias sangram como sangra a Rupi em seu anterior, editado aqui no Brasil como Outros jeitos de usar a boca.

A escritora indiana radicada no Canadá, neste segundo livro usa os vários processos da vida de uma flor como metáfora para falar sobre os seus próprios processos de estar no mundo e ser suscetível ao que o sol faz com as flores e ao que as pessoas fazem umas com as outras – ou com elas mesmas.

Dividido em cinco partes, as poesias estão dispostas a parecer que junto a elas evolui também a autora – e consequentemente, seu leitor. Para o florescimento do final é preciso, antes, encarar as fases menos fáceis e mais dolorosas de uma transformação que de doer tanto se transforma em arte em suas mãos.

O processo desmurchar ao entregar o amor e a afetividade em mãos irresponsáveis; o processo de cair ao ser doloroso consigo, ao ser verdadeiro e sincero com os seus sentimentos; o processo de enraizar, olhando para suas origens e escrevendo sobre elas para não esquecer – de longe minha parte favorita do livro e eu diria sua coluna vertebral; o processo de crescer forte, reerguendo-se do caos para finalmente; florescer e espalha luz no mundo.

Rupi escreve assim: 

essa é a receita da vida
minha mãe disse
me abraçando enquanto eu chorava
pense nas flores que você planta
a cada ano no jardim
elas nos ensinam
que as pessoas
também murcham
caem
criam raízes
crescem
para florescer no final

Ao florescer Rupi nos faz florescer junto. Sua poesia, que por vezes se solidifica em uma simples frase supostamente despretensiosa, ecoa como um sino ao silêncio da noite – e mesmo assim é preciso ter ouvidos e sentimentos apurados para que possa ser entendida.

O que o sol faz com as flores é ferida exposta que deve ser lida desarmada. Vá preparado e boa leitura!

da mesma autora de outros jeitos de usar a boca, best-seller com mais de 100 mil exemplares vendidos no Brasil.
o que o sol faz com as flores é uma coletânea de poemas arrebatadores sobre crescimento e cura. ancestralidade e honrar as raízes. expatriação e o amadurecimento até encontrar um lar dentro de você.
organizado em cinco capítulos e ilustrado por Rupi Kaur, o livro percorre uma extraordinária jornada dividida em murchar, cair, enraizar, crescer, florescer. uma celebração do amor em todas as suas formas.

2 comentários:

  1. Mesmo ainda não tendo lido nem o primeiro livro, os dois livros estão na minha lista de desejados.
    Me recordo que quando o primeiro foi lançado, fiquei super pé atrás com o título,mas daí começaram as resenhas e não deu outra:paixão à primeira letra!
    Sou fã demais de poesias, poemas, aliás, fã de tudo que vem da alma e a autora tem uma maneira toda especial de tacar o dedo na ferida com vontade e com isso, nos jogar na vida, literalmente.
    Não precisa escrever muito para nos fazer pensar e sentir.
    Isso é fabuloso.
    Espero ler os dois livros em breve.
    Beijo

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  2. Ronaldo!
    Nada li ainda da autora, mas tenho visto boas análises, não apenas desse livro, mas do anterior também.
    Poesia é um texto que geralmente toca a alma do leitor quando este consegue entender o sentido dado.
    Ver que ela aqui usa metáforas relacionadas a flor, e faz seus anseios sangrarem pelas páginas, já me deixou curiosa para fazer a leitura.
    Maravilhosa semana!
    “O meu objetivo é colocar no papel aquilo que vejo e aquilo que sinto da mais simples e melhor maneira.. “(Ernest Hemingway)
    cheirinhos
    Rudy

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