Telegramas – Lucão

Telegramas são mensagens imediatistas. Quase como poesias – letras no papel em branco significando uma urgência, qualquer coisa que fale com a necessidade de um fato acontecendo agora, pouco tempo para o agora. São palavras juntadas que transmitem o que a gente chama de sentimento – a poesia, no caso. Telegramas, só às vezes.

É sempre complicado e difícil resenhar um livro de poesias. Embora eu acredite fortemente que toda arte é absolutamente passível da subjetividade do interlocutor, confesso que poesia é um bicho que me pega – eu viro dum lado para o outro e nunca consigo dizer que é boa ou ruim, nesses termos. Acho que poesia eu sinto, deve ser por isso.

Mas, de fato, há sempre que se considerar como nossas leituras nos afetam, então tentarei falar mais sobre como as palavras do Lucão em Telegramas me afetaram do que da poesia de forma crítica (em um sentido mais estruturalista e predeterminada do que se entende como tal – evitarei, por não ter instrumentos suficientes para isso e por aceitar que a poesia sempre me atravesse).

Dividido em cinco partes, os poemas de Lucão, neste livro, discorrem sobre quase tudo: a fúria de um sentimento bastante primitivo, a necessidade de uma carícia, a compreensão de um coração partido, as dores que só conhece quem se permite o não-medo. É sobre tudo isso e pouco mais: é sobre amor, saudades, autoconhecimento, outras poesias, perdas – e encontros.

Gosto da maneira como Lucão e tantos outros artistas encontraram maneiras manifestas de ir quebrando paradigmas da estruturação linguística que acompanha a poética. Telegramas são mesmo algumas páginas inteiras sobre o que o autor sente, mas também são duas frases soltas que te faz olhar para dentro de uma forma assustadora – e traduz.

Em Telegramas, Lucão me permitiu muita coisa e eu só fui na onda. Embarquei de cabeça no que eu já tinha vontade de mergulhar para conhecer – o É cada coisa que escrevo só pra dizer que te amo, também do autor, está na minha lista de cabeceira desde que o mundo é mundo. Mas gostei de adentrar na literatura produzida por ele por Telegramas.

Acabou sendo significativo e sintomático para eu conhecê-lo tacitamente. Então gosto tanto da maneira como essas poesias se expressam no papel em lombada, em formato tradicional de livro, tão quanto gosto da maneira como elas são paridas no ambiente virtual – no Facebook, Instagram...

Que continue a se fazer poesia assim, dosando certinho as palavras e poupando a todos nós de uma vida muito realista. 

Um telegrama, por menor que seja, é portador das mais importantes notícias -- sejam elas alegres ou tristes. Assim como os telegramas são os poemas: mesmo quando pequenos, são capazes de despertar os sentimentos mais profundos em quem os lê. Em “Telegramas”, Lucão fala sobre amor, saudade, poesia e autoconhecimento, sempre com sensibilidade e delicadeza ímpares.

6 comentários:

  1. Ronaldo!
    Sempre fui fascinada por poemas, porque expressam tudo com grande sensibilidade.
    Pelo que entendo, as poesias de Lucão são micros poemas, porém cheios de significados, o máximo.
    E é bem como diz, cada leitor terá suas próprias impressões sobre os poemas e acrescento, tudo depende das suas experiências de vida e o quanto eles os afetam...
    Um carnaval de alegria e moderação e bom final de semana!
    “Quer você acredite que consiga fazer uma coisa ou não, você está certo.” (Henry Ford)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA FEVEREIRO: 3 livros + vários kits, 5 ganhadores, participem!
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  2. Sabe, amo poesia! Escrevo umas que nem considero poesias no meu blog, pois acredito que todos nós, sejamos diariamente, poetas quando deixamos nossas almas gritarem tanto o amor quanto a dor.
    Ainda mais neste caso acima, quando são gritos sinceros, como telegramas realmente...pequenos alertas a todos nós!
    Beijo

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  3. Oi Ronaldo!
    Acredito que quando um autor escreve poesias é porque contém sentimentos fortes dentro de si, já que os pequenos textos passam tantas emoções para o leitor... Quando se lê algo do tipo, não há como não olhar para dentro de si e se identificar ou viajar pelas palavras, é algo que nos afeta de forma inexplicável né? É como eu sempre digo: as palavras contém um poder que muitas vezes não entendemos!
    Telegramas é um livro para ser ter na cabeceira da cama, eu adorei.
    Beijos

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  4. Oi Ronaldo!
    Concordo com você com o fato de como é difícil avaliar uma poesia. É algo que a gente sente, mas como explicar um sentimento é sempre uma tarefa árdua, avaliar esse tipo de obra é sempre muito difícil. A primeira coisa que quero comentar sobre a obra é sua capa belíssima, que já mostra de alguma forma como o conteúdo que está dentro vai nos marcar.
    Outro ponto a ser destacado são os temas retratos, todos bem relevantes. Uma poesia sobre saudades, autoconhecimento, a fúria de um sentimento, por exemplo,com certeza já é sinal de poemas marcantes. "É cada coisa que escrevo só pra dizer que te amo" também são poemas?
    Sempre digo que o livro pra se manter na cabeceira são as poesias que tocam nossos corações. Recente tive oportunidade de ler um livro muito bom de poesias e me apaixonei e emocionei com algumas. Com certeza é uma indicação que pretende ler pois provavelmente eu amarei.

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  5. Moço,

    Tou aqui caçando tua cara, curiosa para ver quem escreve tão poeticamente sobre este livro. Quero muito Lê-lo, não só pela capa que é linda, ou pela contradição do nome do autor que seria o extremo da macheza rsrsr Lucão, não Lucas, ou Luquinhas e sim Lucão o lutador de MMA ou jogador de futebol, ou o garanhão e no entanto é Lucão escritor...

    Quero lê-lo por causa da sensibilidade da resenha, confesso que se visse este livro numa prateleira, não teria me chamado atenção o suficiente para Lê-lo, no máximo diria, que capa bonita.

    Abraço, obrigada pela indicação!

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    Respostas
    1. Oi Cor e Tom, quer conhecer o Ronaldo?!
      Olha o link aí, abre em seu navegador e conheça nosso divo.
      Espero que goste, rsrrs
      http://www.sempreromantica.com.br/2017/11/novo-colaborador-do-blog-ronaldo-gomes.html

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