O ano em que disse sim – Shonda Rhimes

Quero pensar que não foram as coincidências que fizeram com que esse fosse o último livro que eu resenharia por aqui em 2017, porque (1) O ano em que disse sim é como uma resolução absoluta de ano novo e (2) essa resolução é escrita por ninguém menos que Shonda Rhimes que (3) é simplesmente uma das mulheres mais incríveis que escreveu (4) Grey's Anatomy, que é um sucesso televisivo há mais de 10 anos.

Tudo bem, vamos chamar a coincidência de destino - ou talvez só tenha sido uma série de acasos que nos trouxeram aqui: eu precisando desesperadamente de algo para me segurar, a Shonda me oferecendo uma mão e vocês me emprestando os olhos e ouvidos para que eu contasse da experiência. Montemos os trilhos - uma metáfora ótima utilizada no livro (aqui sou eu afirmando pela primeira vez: leia. esse. livro!)

O ano em que disse sim poderia facilmente - e certamente seria - classificado como autoajuda nas estantes das livrarias. Despretensiosamente ele seria posto lá tal qual qualquer desses livros que são alvos do nosso olhar mais desatento (poucos são os que vão até as livrarias buscando um autoajuda aleatório). Pois bem, não é. Não é aleatório, não é qualquer autoajuda e ouso até dizer que é mais experencial e sensorial do que qualquer outra coisa.

Através de inúmeras experiências, Shonda Rhimes vai nos oferecer em "O ano em que disse sim" uma odisseia pessoal, uma trama na qual ela  é autora e protagonista, uma ficção real vivida durante todo o ano em que ela resolveu dar um basta nos seus medos, nas suas inseguranças e nas suas negativas diante dos desafios que faziam seu estômago revirar e causavam crises e mais crises e mais crises de ansiedade.

Só que o detalhe mais peculiar desse livro é que ele não é positivo em absoluto. Ele não é fórmula pronta. Ele não oferece moldes para que você seja lindo, feliz e viva sorrindo pelo resto da sua vida. Ao contrário: é uma bíblia da realidade, cheia de choros, tropeços e dores. E não, não é positivo em totalidade e não, não é entupido de lições de moral que te fazem pensar "nossa, isso é tão bonito, mas só na teoria".

É mais que teoria, é cotidiano. Shonda Rhimes utiliza as mais de duzentas páginas para se derramar, conversar com o leitor, se despir diante dele. Aliás, o livro é mesmo todo escrito em tom de conversa: a Shonda vai se tornando uma amiga dessas que tomam sorvete e veem filmes com você em uma tarde de sábado, te liga no meio da noite porque não consegue dormir, pergunta qual a melhor roupa para um primeiro encontro. A pessoalidade que ela imprime em casa capítulo aproxima muito quem está lendo de quem está escrevendo e, por mais ilusória que seja a sensação, às vezes eu realmente me reconhecia como um amigo muito próximo e íntimo da autora.

O ano em que disse sim é sobre todos os "sins" que ela precisou dar para que sua vida fosse mais leve, menos tensa e mais divertida. Ela não nos ensina como fazer, ela faz e nos mostra como isso transformou sua vida. Não é como se quisesse nos oferecer manuais de instrução de como tudo pode ficar ótimo depois que você começa a ser mais positivo, mas como ela ficou ótima quando se deu mais chances.

Acho que esse é o maior mérito da obra: é despretensiosa sem ser apelativa, é engraçada sem exageros, é leve e pesada e negativa e positiva e tudo junto. É a vida acontecendo em uma série de medos e erros e acertos e enfrentamentos e tudo que acontece e não está ao nosso controle.

Aaaaah, sem contar que para quem acompanha o trabalho das Shonda em suas séries é um prato cheio para descobrir curiosidades dos bastidores, a relação que ela tem com sua equipe e elenco que estrelam suas histórias. Um prato que transborda.

Agora sobre as coincidências - chamemos destino! - que me fazem assinar essa última coluna de 2017 com a resenha desse livro... Bem... Quero aplicar algumas coisas que aprendi com ele. Quero ver como elas funcionam comigo, como eu posso adaptá-las, como posso fazer das experiências da Shonda um caminho para, como diz no livro, dançar, ficar ao sol e ser a minha própria pessoal.

2018 está logo ali, então só vou aproveitar.

Fiquem bem, leitores. E que próximo ano a gente possa continuar se encontrando por aqui ou por qualquer outro lugar - principalmente, espero, nas páginas dos muitos livros que iremos ler juntos!

Um livro motivador da aclamada e premiada criadora e produtora executiva dos sucessos televisivos Grey’s Anatomy, Private Practice e Scandal, e produtora executiva de How to Get Away with Murder.
Você nunca diz sim para nada. Foram essas seis palavras, ditas pela irmã de Shonda durante uma ceia de Ação de Graças, que levaram a autora a repensar a maneira como estava levando sua vida. Apesar da timidez e introversão, Shonda decidiu encarar o desafio de passar um ano dizendo “sim” para as oportunidades que surgiam. Os “sins” iam desde cuidar melhor de sua saúde até aceitar convites para participar de talk shows e discursos em público. Além disso, Shonda deu um difícil passo: dizer sim ao amor próprio e ao seu empoderamento. Em O Ano em que disse sim, Shonda Rhimes relata, com muito bom humor, os detalhes sobre sua vida pessoal, profissional e como mergulhar de cabeça no “Ano do Sim” transformou ambas e oferece ao leitor a motivação necessária para fazer o mesmo em sua vida. 

2 comentários:

  1. Ronaldo!
    Que horror!
    Triste quando vamos com a maior expectativa ler um livro para que nos animemos e por final, acabamos ainda mais arrasados, ainda mais com indicação e com autora tão boa.
    Uma pena!
    Mas se valeu de algumas experiências pessoas e para novas resoluções valeu ser a última resenha do ano.
    Um Novo Ano repleto de realizações!!
    “Para ganhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.” (Carlos Drummond de Andrade)
    cheirinhos
    Rudy

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  2. Sinceramente não acredito em coincidência, por isto acredito que este livro tenha chegado para você no momento certo, em que você precisava lê-lo, principalmente neste novo ano, em que geralmente esperamos ansiosamente por mudanças, mais alegria e sinceridade em nossas vidas. Conheço a autora deste livro exatamente por seus seriados, e quando vi o livro antes mesmo de saber do que se tratava fiquei interessada em lê-lo. Porém me surpreendi ao saber que se trata de uma obra de auto ajuda em que conta uma estória real, de uma pessoa que passa por crises de ansiedade por diversas situações do cotidiano, e teve de aprender a lidar com estas ocasiões em que as vezes nos deixa para baixo, porém ela da a volta por cima, e vem nos apresentar esta experiencia, mas não como algo pronto, em que devemos segui passamos, e sim nos fazer refletir e questionar.

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