"Você lê isso?!"


"Você lê isso?!"
Já perdi a conta de quantas vezes ouvi a versão “na maldade” desta pergunta – e de algumas variações – desde que me entendo por gente. Até contei nas minhas redes sociais sobre o dia que um ciclista aleatório (que vinha no passeio) gritou na minha cara que “quanto mais lê, mais burra fica”, apenas pelo crime de eu ser uma garota andando com um livro na mão a caminho do trabalho.


As pessoas estão sempre prontas para tirarem conclusões sobre os outros. Em muitos casos, estão preparadas para julgar a partir do que elas consideram O CERTO - e nem sempre praticam. Afinal de contas, muitos dos experts que me julgaram em algum momento deram pistas que são tão afeitos à leitura quanto eu gosto de côco. E, creiam, eu detesto côco.

Sim, eu leio romance.

A resposta causava narizes torcidos. Afinal de contas, para a cabeça de muitos, romance é subgênero, livros baratinhos para satisfazer classes inferiores ou gente sem cultura, uma forma de literatura que oprime e condiciona a mulher a acreditar em amor eterno e no conformismo em ser a rainha do lar, submissa aos padrões machistas. (Sim, já ouvi todas estas alegações, antecedida ou seguida por um “você é tão inteligente, não deveria desperdiçar seu potencial/tempo com isso”).


Existem livros bons e ruins em qualquer formato, gêneros e até daquela autora ou daquele autor que você ama. Generalizações são perigosas. Limitam algo muito amplo por uma visão distorcida e que nunca abarca todas as possibilidades.

Eu gosto de romances porque o formato cabe de tudo. A priori, pensam em overdose de coraçõezinhos piscantes em busca de happy end. E o romance policial? E o romance psicológico? E aquele livro que você pagou um horror na livraria mas que eu tenho da versão lançada em banca em um preço mais camarada para meu orçamento? E aí, como fica a cabeça de quem nunca parou pra pensar nisso? Pira, né?

Mas é mais fácil perguntar em tom de tribunal da inquisição “se leio isso”.

Eu leio de romances de banca à Jane Austen. Agatha Christie a Robert Galbraith. Clássicos daqui, dali e de acolá. As histórias me levam para outras realidades, outros locais, outros nomes e experiências. Outras vidas. Amplia meus conhecimentos e minha gramática. Gosto de todos? Não. Tenho verdadeira devoção por alguns, mas é impossível gostar de tudo porque tem trama que não funciona comigo. E nem me arvoro em ser crítica especializada, o que exige uma formação muito mais aprofundada, que eu não tenho.


Sou apenas uma assumidamente leitora compulsiva que compartilha as opiniões na internet. E sem prejudicar ninguém, porque estou investindo meu tempo, minha paciência e meu dinheiro.

Mesmo assim, com o Literatura de Mulherzinha há 11 anos na minha vida e mencionando, mostrando, indicando, desejando livros em quase todos os cantos das minhas redes sociais, ainda há quem pergunte por maldade.

Dependendo do dia, do humor, das circunstâncias da vida, quando me fazem a pergunta que abriu o texto, devolvo com algo que pode me render dicas interessantes. Ou colocar gente chata na berlinda.

“Sim, eu leio e adoro. Aproveita e me fala sobre o último livro que você leu”.


E no episódio de hoje, a lição é simples: não importa o gênero, o estilo, quem escreveu, o que os outros pensem, descubra o que te agrada e leia!

Bacci!!!

12 comentários:

  1. Olá Beta! Concordo com o que falou...E, muitas vezes esses mesmos que criticam não leem nem a bula do remédio que tomam. Eu leio de tudo, mas adoro as fantasias. Épicas então...
    E, que continuemos lendo muito e sem nos importarmos com que os outros pensem.
    Bjos!!!

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    1. Demorei pra alcançar a paz de exercer meu direito de ler o que quiser. Por isso, sempre incentivo as pessoas a fazerem o mesmo. Os chatos sempre vão existir e eles que sofram com isso.
      Obrigada pela visita e pelo comentário! Bacci!!! :)

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  2. Adorei!
    Eu fico chocada com a quantidade de gente que sem a gente dar brecha vem com julgamento.
    A depender do dia a patada sai leve ou acentuada.
    Bjs flor e vamos lendo. ^^

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    1. Tem muita gente sem rumo na vida que se acha na obrigação de conduzir a vida alheia, né? Como dizem por aí, não sou obrigada! E vamos lendo! Obrigada pela visita e pelo comentário! Bacci!

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  3. A conclusão é bem clara: cada um tem o direito de ler o quiser. E há de ser respeitar as escolhas alheias. A literatura é tão diversa e há gênero para todo tipo de gosto. Isso é o que importa. Parabéns pelo texto. Parabéns ao Sempre Romântica!

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    1. Há quem esteja tão determinado em ditar preceitos que se esquece de que LER é o mais importante. Obrigada, Rê, pela visita e pelo comentário! Bacci!!!

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  4. Olá Beta,

    Parabéns por escrever em uma postagem uma opinião tão bem argumentada que eu ousaria discordar. Leitura sem preconceitos, sempre!
    Parabéns Leninha pelo Sempre Romântica e por mais um ano <3

    Beijos!!!

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    1. Leitura sem preconceitos, sempre!
      Obrigada pelo carinho, elogio e visita, Thaís!
      Bacci!!!

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  5. Olá Beta, concordo com tudo que você disse. Há muito tempo eu parei de me importar com os que os outros pensam a respeito do que eu leio ou deixo de ler. Isso não me leva a lugar nenhum. Eu sempre digo a mim mesma e aos outros "Leia o que você quiser e pronto".
    Parabéns pelo texto. Bjs

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    1. Oi, Leila! O dinheiro, o tempo e o gosto são meus. Então leio o que quiser! Simples assim :)
      Obrigada pela visita e pelo comentário! Bacci!

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  6. Beta!
    Há mais de 35 anos leio os 'romances de mulherzinha' e como sofri com esses tais comentários, até dentro de casa, porque meus pais achavam que deveria ler apenas os livros 'científicos'. Passados todos esses anos, continuo lendo esses romances maravilhosos e claro, muitos outros estilos, porém meu coração é dominado por eles...
    Adorei suas colocações e vamos a leitura, seja ela qual for.
    “Prefiro os erros do entusiasmo à indiferença da sabedoria.” (Anatole France)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de OUTUBRO com 3 livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

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