O Guia do Mochileiro das Galaxias - Douglas Adams, por Koudan

Olá pessoal, espero que vocês estejam de posse de suas toalhas, porque hoje o livro escolhido é, O guia do mochileiro das galáxias.

“Muito além, nos confins inexplorados da região mais brega da Borda Ocidental desta Galáxia, há um pequeno sol amarelo e esquecido.”

Assim começa um dos livros ícones da cultura pop mundial, dando indícios desde suas primeiras linhas do tom sarcástico desta obra, que hoje representa a data do dia do orgulho nerd em todo mundo, conhecido como “O dia da toalha”. Antes de explicar o porquê da data, vamos saber um pouco sobre o autor e a história.

Douglas Nöel Adams foi escritor de esquete para o rádio e TV, trabalhando como roteirista de outros dois ícones britânicos do cinema e da série televisiva: Monty Python e Doctor Who, em que escreveu três episódios da série clássica. A morte prematura desse escritor britânico ocorreu aos quarenta e nove anos, por ataque cardíaco, em 2001.

O guia do mochileiro das galáxias é sua obra máxima pela dimensão que alcançou e é conhecido por ser uma trilogia de “cinco volumes”, é isso mesmo, não há erro. O bom humor permeia toda a obra, desde os títulos até suas chamadas: Não entre em PÂNICO, trilogia de cinco e por aí vai. Devo ressaltar que a qualidade do bom humor é tão refinada, que é impossível você não rir a cada página.

A história inicia mostrando a vida desinteressante de Arthur Dent em sua casa modesta, para não dizer feia, que estava preste a ser demolida sem aviso prévio para dar lugar a uma estrada, ao mesmo tempo em que a Terra estava prestes a ser demolida por alienígenas construtores para dar lugar a uma via expressa na via láctea. Arthur é salvo por um amigo, Ford Perfect, ator desempregado, que na verdade era um extraterrestre infiltrado há quinze anos em nosso planeta, com a missão de atualizar um dos itens mais importante do universo, o guia do mochileiro, sobre os hábitos terrestres.

Como dito, impossível não rir a cada página, sendo considerado um dos poucos livros sobre ficção científica soft a ter a comédia como um dos gêneros narrativo e com um dos personagens mais engraçados, um robô maníaco depressivo de nome Marvin. Eu acredito que o humor é um dos recursos mais difícil de se trabalhar, e o autor o faz sem esforço, a ponto de você rir de situações tão bobas, quando exposta sob uma ótica do estranhamento alienígena. Não posso deixar de mencionar sobre a resposta da questão fundamental da vida, do universo e tudo mais, que será 42. Lamento, para maiores informações vocês terão de ler o livro, não quero estragar a experiência hilária de ninguém sobre esse resultado.

Piadas bobas, porém não inocentes. É sabido que nas obras de ficção científica, não somente nelas é verdade, há uma crítica velada sobre a sociedade, e nesse livro não é diferente. Um leitor atento encontrará críticas à religião, ao sistema burocrático, governos e até acadêmicos. Difícil listar todos os alvos, mas a forma como ele faz, nada tem de agressivo, eu vejo mais como uma provocação, um exercício mental cujo resultado, será provavelmente uma risada.

A sequência da história mantém sua qualidade humorística, em minha opinião, até o terceiro livro. Mas, é importante dizer! Que essa comparação não quer dizer que os demais sejam ruins, muito pelo contrário, é muito bom comparado a muitas outras obras, justiça seja feita.

A primeira edição do livro foi lançada em 25 de maio 1977, no mesmo ano que estrelou no cinema outro grande ícone do universo nerd, e quiçá, fundador desse movimento em todo o globo, estou me referindo é claro, a Star Wars de George Lucas. Coincidência ou não, só posso dizer: que ano foi esse!?

Desde 2004, na mesma data, comemora-se o dia da toalha. Ah! Sim, por que a toalha? É o item mais importante de um mochileiro, pois com ela você pode: fazer uma cama, usar como cobertor, usar como turbante e se proteger de ondas neurais, usar como arma e até se secar. Reza a lenda, se você atravessar o universo e não perder sua toalha, você certamente é um mochileiro digno de nota.

No decorrer do livro encontramos as paixões do autor pela ciência, bugigangas tecnológicas e animais exóticos. Uma informação importante, no filme de 2005, da Disney, ele inicia com um musical dos golfinhos por ser considerado no livro o segundo animal mais inteligente do planeta, quanto ao primeiro? Vou dar uma dica, não é o homem.

Os outros livros que compõem a continuação são: O restaurante no fim do universo; A vida, O universo e tudo mais; Até mais, e obrigado pelos peixes! e Praticamente inofensiva. Há um sexto livro que foi escrito não por Adams, Só mais uma coisa, de Eoin Colfer, autor de Artemis Fowl, com autorização dos herdeiros de Douglas Adams.

Não é difícil achar a coletânea em promoção na internet, se vocês acharem, não percam a oportunidade de ter essa excelente obra do século XX em sua estante.

É isso pessoal, espero que tenham gostado.

Até mais, e obrigado pelos peixes!

Koudan - Professor de História, Orientador Educacional e Contista, foi membro do Núcleo de Literatura da Câmara dos Deputados  e pesquisador em História oral e Mitologia greco-romana. Amante de ficção científica e animação, e leitor ávido de quadrinhos e livros.

4 comentários:

  1. Que resenha maravilhosa!
    E eu que nunca tinha achado interessante esta série agora tô louca pra conhecê-la.
    Bjs

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  2. Olá Neli. Tenho certeza que você irá se surpreender e dar muitas risadas.

    Até a próxima.

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  3. Olá, Koudan!

    Só nos últimos meses eu pude conhecer a obra de Douglas Adams por causa das adaptações para livros de duas das três histórias de Doctor Who que ele escreveu: Cidade da Morte (City of Death) e Shada, sendo que esse foi a famosa história que nunca foi ao ar por causa de uma simples mistura de teimosia do Adams para que aceitem a sua ideia de uma história com o Doutor se "aposentando" com uma greve na BBC. Ambas foram adaptadas por autores que escreveram livros com histórias novas para Doctor Who e não sei se foram autorizados pela família de Douglas do mesmo modo que Só mais uma coisa.
    Mesmo sendo livros criados a partir dos roterios de Adams, pude ver muito do humor dele e até mesmo de suas ironias sobre a sociedades. Um exemplo: Skagra, vilão de Shada, ao descobrir que não existe deus no universo, pensa que tem uma vaga em aberto para ser um, o que mostra até mesmo uma certa autoironia, já que o próprio Adams é ateu.
    Por causa disso, já quero ler a série do Guia do Mochileiro das Galáxias e também Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently, que há muito de Doctor Who nele, para ter mais desse cara fantástico que foi o Adams.
    Ah, um toque sobre o filme que me lembro muito bem é que na versão dublada, o guia, que narra toda a trama, tem a voz do saudoso José Wilker, que também quando atuava usava do humor para criticar a sociedade, mesmo não sendo um ator essencialmente cômico e que sobre cinema tinha muito o que comentar, ao contrario da Glória (Foi por causa de um comentário dele no Oscar que O Labirinto do Fauno ganhou uma maior popularidade e exibição nos cinemas nacionais).

    Um abraço!

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    Respostas
    1. Olá Letiolive. Lendo a biografia do Douglas temos a noção de quão intensa foi sua vida produtiva. Bem lembrado do saudoso Zé Wilker.

      Eu não li ainda o Agências de investigações holísticas Dirk Gently, quem sabe ainda nesse ano né verdade?

      Abraço e obrigado.

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