Cantiga de Ninar - Chuck Palahniuk, por Koudan

Que tal darmos uma olhada no universo de terror?
A sugestão da semana é sobre um dos melhores trabalhos de Chuck Palahniuk, segundo os próprios fãs do autor, que tem entre suas obras o célebre Clube da Luta, que foi adaptado para o cinema. Convido-os a entrar agora no mundo de: Cantiga de Ninar.

Eu classifiquei o livro como terror por ser, para mim, o elemento mais predominante na história toda, mas ele tem uma pegada investigativa também, lembrando um pouco policial.

O título transmite uma ideia inocente né? Vai nessa! Não tem nada de ingênuo. Tudo começa com um jornalista, Carl Streator, que começa a investigar uma série de mortes misteriosas de crianças, causada pela chamada síndrome da morte súbita infantil. Em sua investigação ele encontra um padrão para aquela fatalidade, um livro contendo cantigas de ninar do mundo todo com a mesma página marcada, onde se encontra uma canção rara africana. Após a descoberta, a história toma um rumo sombrio e sinistro, fazendo essa personagem experimentar um poder para decidir sobre a vida e a morte das pessoas. Não há duvidas que desde seu início a história se mostra instigante, mas seu desenrolar começa a ficar mais interessante com a introdução de outras personagens, um casal meio hippie, e uma corretora de imóvel, que negocia casas mal assombradas.

Essa corretora é um dos pontos alto do enredo, a descrição dela me remeteu à imagem da cantora Cyndi Lauper no seu auge nos anos oitenta. E é outra coisa que engana, pois imaginamos uma pessoa frágil e fútil, mas ela não tem nada de tola, muito menos frágil, é típica personagem feminina carismática, com um ar cômico e encantador e determinante para o desfecho.

Talvez vocês estejam pensando ser essa uma história pesada depois da minha introdução, em alguns aspectos, sim, ela é. Porém, seu desenrolar é muito empolgante, fazendo a nossa curiosidade se renovar a cada término de capítulo como manda a cartilha, fazendo o terror assumir uma história de fundo e sobressaindo uma pegada de perseguição e ação.

O livro não é muito grande, 277 páginas, e a sensação é de que você está lendo um roteiro de um filme por ser muito fluído, sem solavancos, mesmo nas indagações e reflexões, tudo é na medida certa, pontual e preciso, fazendo você emergir na história sem querer sair até saber onde ela vai descambar. No início, um ar misterioso é instalado e seu final é tão inusitado, que é impossível não lhe arrancar um sorriso e a pergunta: será que vai ter o segundo?

As circunstâncias em que o autor escreveu esse livro, por si só, já daria uma outra história macabra, pois envolve o assassinato de seu pai e de sua madrasta, tendo sido o próprio Palahniuk, um dos componentes do júri que sentenciou o assassino à pena de morte. Daí se percebe as reflexões que a personagem principal se faz no decorrer do livro sobre se decidir quem vive ou morre. Moralidade, religião e conflitos éticos também estão presentes nessas indagações. O que podemos dizer que foi um ótimo escape desse momento tumultuado da vida do autor que instigou seu espírito criativo.

Antes de terminar, gostaria de falar sobre três aspectos técnicos que eu considero muito relevante num livro. Objetividade, ele não se demora em descrições longas; diálogos, sarcásticos e cômicos, pra mim, é o tipo mais difícil ou se sabe fazer, ou ficará caricato, e por fim; final chave de ouro, aquele que coroa a história com catarse.

Espero que tenham gostado.

See ya.

Koudan - Professor de História, Orientador Educacional e Contista, foi membro do Núcleo de Literatura da Câmara dos Deputados  e pesquisador em História oral e Mitologia greco-romana. Amante de ficção científica e animação, e leitor ávido de quadrinhos e livros.

4 comentários:

  1. Gosto de um terror ou suspense de vez em quando.
    O título do livro é bem interessante pra um gênero como este.
    Bjs

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  2. Oi Koudan,
    Eu conheço pouco do Palahniuk. Dele só li O Clube da Luta e Condenada.
    Ambos me pegaram de jeito e fiquei com vontade de ler mais coisa do autor. Adoro o humor negro, o sarcasmo e até mesmo certas descrições bem viscerais e grotescas.
    Adorei a resenha, esse é um título que não conhecia, já havia visto, mas não sabia do que se tratava de fato.
    Ótimo texto e obrigado pela dica.
    Abraços!
    Ademar Júnior
    https://coolturalblog.wordpress.com/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Opa Ademar, é sempre bom ter seus comentários. Vc disse uma coisa engraçada: "me pegou de jeito" a mesma resposta que dei para um amigo próximo que leu a resenha. Valeu cara.

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