Mosaicos - Glauber Vieira Ferreira


“Mosaicos” é o primeiro livro solo de Glauber Vieira Ferreira, um mineiro radicado em Brasília desde a infância, formado em Psicologia e atuante hoje na Polícia Civil do DF, onde trabalha na custódia de presos. Essa amplitude de vivências é percebida como uma vantagem para o autor, por fazê-lo entrar em contato com variados pontos de vista e ideias para personagens os mais diversos. O livro reúne 93 minicontos, de temas diversos como circo, relações humanas, problemas sociais e natureza.

É sempre um prazer e uma honra receber um livro diretamente das mãos do seu autor. Você para pra pensar no caminho que aquele livro percorreu até chegar em suas mãos; o trabalho que foi desde escrever, revisar, até concluir e publicar. Fica pensando o quanto o caminho foi árduo e trabalhoso, quantos sacrifícios se fez para finalmente lançar o livro físico, e só aí você já começa a dar um valor enorme.

Mosaicos é um livro de minicontos ou microcontos, como o autor explica na introdução do livro. O que vem a ser minicontos? Nada mais nada menos do que pequenas histórias com uma profundidade enorme. Vocês vão perceber isso, nos exemplos que postarei em citações, durante essa resenha.

Conheci o autor Glauber Vieira através das redes sociais e já o considero um amigo. Não temos intimidade, nem tão pouco conversamos horas e horas para tanto, mas lendo seus contos deu para desvendar um pouco de sua alma. Entender o que o autor escreve nas entrelinhas e nas linhas de seus contos já nos torna próximos de tal forma, que ele passou a figurar a lista de amigos, dos mais íntimos.

Mosaicos passou a fazer parte dos meus livros de cabeceira, aquele que você está sempre pagando para ler um ou outro trechinho, pois cada página nos brinda com um miniconto que fala sobre os mais diversos assuntos, numa narrativa simples, despretensiosa e rica em conteúdo.
Um dos que mais me tocaram eu apresento agora:

Amor Possessivo
Sempre apanhava.
E sempre ganhava flores em seguida.
Relevava.
Foram ramalhetes, arranjos...
E, finalmente, uma coroa.

Sentiu o clima?! Deu para perceber a profundidade? De forma poética o autor nos joga na cara uma realidade nua e crua sobre violência doméstica.
Mas temos muita coisa engraçada também, me diverti muito com outros. Exemplo:

Dia comum, um dia desses, comprou um presente único para as sobrinhas.
— Um chocolate só para as duas? — questionaram.
— Elas têm que aprender a compartilhar. Não só no Facebook.

Isso mesmo, temos que aprender a compartilhar! (Risos)

Autoajuda
Quando pensares que a dificuldade que possuis é muito grave, tente se consolar pensando em uma girafa com torcicolo: ela sim tem um problema com mais de metro.
E para fechar com chave de ouro, deixo um dos minicontos que eu mesma teria escrito:

Lixo Cultural
Sentia falta de cultura em sua vida, por isso, encaminhou-se para uma livraria. Lá adquiriu a biografia picante sobre uma ex-prostituta que atendia celebridades e a Caras contando as estripulias de um jogador de futebol. Em uma loja de CDs e DVDs, saiu-se com a antologia histórica da Banda das Cachorras e com o DVD ensinando passo a passo a coreografia da dança das 17 velocidades, além dos classicos do gênero como a dança da roldana (ou da manivela?) e mais uma entrevista com a mulher-abóbora e o homem-pepino.
Já em casa, utilizou a sacola das compras para forrar o lixinho do banheiro.
Nada mais apropriado.

Não tenho muito mais que falar sobre Mosaicos, acredito que cada leitor irá tirar algo substancial de suas páginas. Sinto que esse é um daqueles livros para ler e reler várias vezes, pois todas as vezes que você se pegar em um conto irá perceber algo mais, como se a cada nova passada de olho você note que a leitura anterior lhe escapou esse ou aquele pormenor. Eu já estou relendo alguns e gostando ainda mais.
Recomendo a leitura.

6 comentários:

  1. Que maravilha, agradeço muito essa nova amizade e sua disponibilidade em resenhar; fico feliz que tenha apreciado!

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  2. Olá, Leninha!

    São contos tão pequenos, mas tão tocantes que valem a pena ser lidos. Gostei muito do conto do chocolate, pois parece que compartilhar está virando algo muito mais virtual que real, perdendo o senso de união e amor verdadeiro que essa palavra tem.

    Um abraço!

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    1. Tocam pela simplicidade e pelo grande teor de verdades.
      Bom que você curtiu Leti, vale a pena ler mesmo.
      bjs

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  3. Infelizmente não conhecia esse autor, mas fiquei muito curiosa para saber mais sobre ele, pela forma singela e prazerosa pela qual a forma que ele escreve te tocou de uma forma que você se sentiu mais a próxima a ele. Não costumo me interessar pelas leituras de livros de conto, porém os trechos citados acima me fez refletir e imaginar por ele ser psicologo ter presenciado essas situações, isso mexeu um pouco comigo, e me fez refletir, gostei da forma como ele vê a realidade, VER mesmo a verdade por trás da sociedade, me interessei muito pela leitura do livro.

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    1. Oi, Lana, fico feliz com seu comentário. Vc pode adquirir o livro comigo mesmo, ou pelo site da Editora Penalux.
      Qualquer coisa, estou no Facebook, sou amigo da Leninha: Glauber Vieira Ferreira

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