Sobre Ficção Científica, por Robson Koudan

Hoje o Sempre Romântica tem o prazer de apresentar Robson, mais conhecido como Koudan, o novo colunista do blog, e que agora fará parte da equipe. Esse cara é um amigo querido e aceitou o convite para resenhar algo que não se vê muito aqui no blog: Ficção Científica, Biografias, entre outros. Vamos dar as boas vindas e recebê-lo de braços abertos. Espero que vocês gostem do seu primeiro texto, sobre Ficção Científica.

Seria o gênero da ficção científica uma subespécie de literatura destinado somente àqueles de ímpeto juvenil e que se interessam pelo valor especulativo das inovações científica?

Penso que não! Tentarei convencê-lo com poucas palavras numa nova proposta de resenha que pretendemos nesse espaço, e sinceramente, espero ter sucesso nisso. Então, abra sua mente e tenta não deixar qualquer preconceito, caso o tenha, influenciá-lo; é difícil eu sei, mas sua tentativa será válida.

Vamos lá, não tomarei muito seu tempo.

Esse gênero literário não encontra em nosso país uma gama de leitores e autores como os de romances ou fantasia, mesmo, estando intrinsecamente correlacionados; irmãos siameses separados em algum momento, mas que nunca perderam a conexão.

Qualquer história olhada bem de perto, não é diferente dos mitos criados pelos nossos ancestrais em tempos áureos à beira de uma fogueira sob um céu noturno estrelado. Elas foram e continuam sendo, não apenas uma ferramenta de entretenimento, é algo mais profundo que mera leitura. Seja nas culturas orais ou sob a égide da escrita, elas servem para propagar conhecimento, consolidar valores e recriar nossa realidade, e o resto, é consequência: a emoção em se ler um poema, a angustia de um amor perdido ou o entusiasmo das aventuras que permeiam milhares de milhares de histórias.

As possibilidades do gênero ficção científica traz consigo questões fundamentais sobre a humanidade: onde estamos? E para onde estamos indo? Tudo isso apenas com um exercício mental e uma simples conjunção que possibilita toda sorte de divagação possível e porque não, impossível - "e se isso?" "e se aquilo?" e se...

Com tal frase, podemos viajar no tempo, para frente ou para trás; enfrentar ameaças robóticas ou alienígenas; cruzar galáxias inteiras por estradas de nebulosas rumo ao início do cosmo. Independente do devaneio, estarão presentes questões humanas e por isso mesmo, um exercício de possibilidades. Como a robô "fêmea" que se apaixona pelo seu amo num dos contos de Asimov ou nos infindáveis paradoxos de A máquina do tempo de H. G. Wells.

Outrossim, não é de todo ruim termos dicas sobre novos tipos de literatura  que tentaremos trazer para vocês no intuito de divulgar e compartilhar nosso amor pela leitura, ao passo que, fazendo isso, estaremos nos dando oportunidade de se apaixonar por outras histórias e personagens e vivenciarmos enredos insólitos e surpreendentes. Seja viajando pelo mundo árido das poderosas bruxas de Duna; ou quem sabe, enlouquecendo numa nave espacial em O enigma do horizonte; ou na clássica jornada do herói numa galáxia muito, muito distante pelo espaço, a fronteira final, ou simplesmente, partir junto com a criança robô David, em busca da fada azul, na esperança de torná-lo num menino de verdade e ser amado por sua mãe humana.

Devemos ter em mente que toda história, de certa forma, retrata sob algum aspecto o tempo em que foi criada, como um espelho que reluz apenas um reflexo de uma realidade mais complexa. Uma tentativa de decifrar nas entrelinhas a história de fundo, em si, já é algo fantástico! Entender o contexto é entender o texto. Não é algo somente para os estudiosos, você pode fazer uma leitura de A Guerra dos Mundos sob o ponto de vista da Primeira Guerra Mundial ou o Senhor dos Anéis nessa mesma ótica; pode tentar buscar a espiritualidade por meio de 2001, Uma Odisseia no Espaço, e por que não assistir E.T.,com um olhar infantil.  Todas elas possuem um plano de fundo, o que não é privilégio de um único gênero, e sim, da grande maioria.Todavia, a ficção científica possui uma relação crítica com sua realidade, tornando-a atemporal quando bem sucedida, surgindo dessa forma, os grandes clássicos. Por essa e outras razões, pensamos ser um bom motivo para não relegar esse gênero.

Propomos nesse espaço um novo olhar sobre essa literatura, que traz em seu bojo, todas as emoções humanas sob uma perspectiva diferente, um gênero diferente. Tenho certeza, vocês não irão se decepcionar, e mais certeza ainda de que irão se apaixonar.

Espero ter tido sucesso em meus argumentos. Como vocês bem sabe, paixão normalmente não se explica, elas são vividas e experimentadas. Compartilharemos boas dicas de leitura para enriquecermos ainda mais este espaço. Afinal, somos todos apaixonados por belas histórias, elas nos motivam, e nos faz refletir sobre pluralidades de situações e mundo, nos definindo como pessoa e ser.

Seria a ficção científica tudo isso? Penso que não, mas sem dúvida nenhuma ela compõe esse grande tronco dos gêneros literários, sendo apenas um galho, que pode sustentar vistosos e saborosos frutos.

See you in space cowboy.

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Koudan - Professor de História, Orientador Educacional e Contista, foi membro do Núcleo de Literatura da Câmara dos Deputados  e pesquisador em História oral e Mitologia greco-romana. Amante de ficção científica e animação, e leitor ávido de quadrinhos e livros.

14 comentários:

  1. muito bom o texto kaudan, a literatura, por princípios ideológicos, nos torna capazes de entender e até mesmo acender essa luz que as palavras de contos mitológicos ou não nos repassa. Assim dizia a Vênus de Medicis:
    ali se ergue uma estatua que encanta o mundo...grifo..
    Ademais, assim como a estatua de Vênus que ocupa o caldeirão da grecia, as palavras também nos encantam..
    joao siqueira

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    1. Obrigado João. Vi que gosta também de mitologia.

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  2. Estou muito ansiosa para ler a história. Bem vindo koudan! Abraços!

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  3. Adorei o texto!! Ansiosa pelos próximos

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  4. Seja muito bem - vindo Koudan e parabéns ao Sempre Romântica pela diversidade das postagens, agora o blog é mesmo para todos os gostos!!!

    Beijão, Van - Retrô Books
    http://balaiodelivros.blogspot.com.br/

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  5. Oi Koudan,
    Parabéns pelo texto. Havia comentado com a Leninha o quanto fiquei feliz com o fato de agora ter alguém falando de ficção científica aqui no blog. É, de longe, meu gênero favorito.
    O que mais me deixou empolgado após a leitura do seu texto, foi não apenas o fato de você tratar deste assunto aqui, mas também pela propriedade com que fala do mesmo. Parabéns!
    Espero que seu espaço aqui seja um sucesso, estarei sempre de olho nas suas dicas e comentários. Pelos autores citados no texto, já vi que temos muito em comum no que se refere à ficção científica.
    Abração
    Ademar Júnior
    Blog Cooltural

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    1. Olá Ademar. Obrigado, gostei bastante do blog cooltural e também estou acompanhando as novidades por lá. Valeu pelo apoio.

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  6. Olá, Koudan!

    Primeiro, bem-vindo ao Sempre Romântica!
    O que você falou sobre como as obras de ficção científica refletem o momento em que foram escritas e o transformam em algo atemporal é muito verdadeiro. Além do mais, assim como as lendas mitológicas e fábulas contadas há milhares de anos, conseguem passar através da criatividade e capacidade de contar histórias, lições, reflexões e idéias de modo leve, passando longe do rigor de uma lição dada de modo rígido.
    Um exemplo disso eu percebi quando comecei a assistir Doctor Who, que para mim tem uma boa mistura entre ficção científica e fantasia. Vi que por trás das histórias cheias de emoção, amor e humor, tinham comentários sutis, mas interessantes sobre respeito, preconceito, tolerância, o mal que faz as guerras e até mesmo reflexões sobre a morte. Ou seja, enquanto tem gente que enxega só uma série TV, quem ver enxerga os episódios em seu contexto enxerga essas lições escondidas.
    No fundo, a literatura consegue ter seu encanto em permitir a quem escreve em transmitir um pouco do seu mundo e do que se pensa dele em uma boa história.

    Um abraço!

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    1. Olá. Muito obrigado pelas boas vindas. Doctor Who resume muito isso mesmo, não é por acaso que a série até hoje é atual e seus temas instigantes e seus dilemas sempre pertinentes.

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  7. Estou emocionada com o seu texto!
    Parabéns!
    Faltava alguém falar com tanta clareza e sensibilidade sobre esse gênero tão rico e ao mesmo tempo tão distante da maioria dos leitores.
    Parabéns Leninha por trazer o seu amigo para esse blog, que ficou ainda mais completo.
    Parabéns Robson por engrandecer o cenário da blogosfera.

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    1. Eu que agradeço, espero, humildemente, conseguir trazer um pouco mais da minha paixão para compartilhar com todos.
      Obrigado pelas palavras.

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  8. Muito bom o texto, Koudan! Desenvolvido de uma forma bem instrutiva e deliciosa de se ler!
    Creio, assim como abordou, que exista uma linha tênue que difere a fantasia da ficção científica. É interessante ler mais especificamente sobre esse tema.
    Gostaria de ver mais de seus textos! Parabéns pela estreia!

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    1. Valeu Flávio, agradeço suas palavras, vindo de você, fico muito contente com suas palavras.

      Grande abraço.

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