A máquina de contar histórias – Maurício Gomyde, por Laís

Na noite em que o escritor best-seller Vinícius Becker lançou A Máquina de Contar Histórias , o novo romance e livro mais aguardado do ano, sua esposa Viviana faleceu sozinha num quarto de hospital. Odiado em casa por tantas ausências para cuidar da carreira literária, ele vê o chão se abrir sob seus pés. Sem o grande amor da sua vida, sem o carinho das fi lhas, sem amigos... O lugar pelo qual ele tanto lutou revela-se aquele em que nunca desejou estar. Vinícius teve o mundo nas mãos, e agora, sozinho, precisa se reinventar para reconquistar o amor das filhas e seu espaço no coração da família V.

O nascimento, o amadurecimento e o renascimento de um Escritor com “E” maiúsculo.

“Escrever era um exercício e, uma vez aplicadas as técnicas, não tinha como dar errado.”

Maurício Gomyde me dá esse soco (ou seria um chute?) no estômago já nas primeiras páginas. Logo eu, uma autora que acredita(va?) na paixão, criatividade e espontaneidade como os pilares fundamentais de um bom livro, deparo-me com uma frase dessas... 

Por conta do choque, a obra, que deveria ter sido lida de uma só vez (todos que a recomendaram assim a descreveram) foi “degustada” aos poucos, para que pudesse ser devidamente “digerida” (não, caros leitores, não estava com fome ao escrever esta resenha, mas não achei palavras melhores para descrever a experiência pela qual o Maurício me fez passar).

A cada parágrafo, uma pausa, uma nova reflexão. E uma pergunta: seria Vinícius Becker um autor frio e calculista (quase um sociopata!) ou seria eu uma autora louca e exageradamente apaixonada?

Uns poucos capítulos depois, descubro que não é nem um, nem o outro.

“A criatividade já faz parte de suas entranhas. Você precisa, agora, aprender a organizar o caos .”

Ao descobrir, durante o enterro da esposa de Vinícius, que sua própria filha é uma escritora (e nunca compartilhou esse fato com o pai-autor-estrela), o protagonista percebe a amplitude do estrago de sua ausência.

E é no fim da vida de seu grande amor que Vinícius pensa nos começos (e em alguns meios): a primeira vez em que expôs sua escrita, com muita paixão e zero técnica; quando comprou sua bela casa, por conta do sucesso literário; as cenas marcantes que retratavam os inúmeros momentos que ele perdeu, gravadas em pequenas fitas de vídeo, empoeiradas e –quase – esquecidas no fundo de um armário.

Porém, não se engane: “A Máquina de escrever (ops!) de contar histórias” pode ser sobre um escritor que se redescobre; mas é, sobretudo, uma comovente história da batalha de um pai para conseguir (re)descobrir suas próprias filhas.

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Laís é autora do livro Primeiras Impressões, uma adaptação moderna de Orgulho e Preconceito.


4 comentários:

  1. Nossa! Já me despertou uma vontade imensa de ler! "Surpreendente" foi o primeiro livro que li dele e o melhor que li em 2015! Já vou correr pra garantir esse!

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  2. Laís!
    Fiquei bem emocionada com a leitura desse livro, principalmente porque ele redescobriu o convívio com a família que restou após a morte da esposa.
    Muito bem escrito.
    “Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância.” (Sócrates)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    Participe do TOP COMENTARISTA de Janeiro, são 4 livros e 3 ganhadores!

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  3. Olá, Laís!

    Tenho em casa Surpreendente! e ao dar uma olhada nos agradecimentos, notei que a família do Maurício também é uma família em que todos os nomes começam com a mesma letra, só que ao invés do V de Vinícius, a família é com M de Maurício.
    Acho que ele até se utilizou dessa semelhança entre as famílias real e da ficção para também se colocar em jogo e comentar como é a vida de autor de verdade, que tem que organizar o caos das idéias ao mesmo tempo que tem que organizar a vida, pois se um dos dois é deixado de lado, tudo se perde, mesmo que o estrago é mais grave quando se deixa a família de lado, o que sei que vai concordar comigo.

    Um abraço!

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  4. Oi Laís, muitos pais não percebem ou se dão conta de como não são presentes na vida de um filho, e este afastamento nem é o físico. Deve ser um enredo emocionante.
    Bjs, Rose.

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