Os Bridgertons - Julia Quinn, por Laís


Assim como muitos gêneros literários que aparecem, viram moda e – muitas vezes – depois acabam perdendo a graça, a bola da vez são os romances históricos. Porém, deixarei algo claro: a qualidade de Julia Quinn não deve ser medida pelo sucesso do gênero, e sim por sua forma original (e ao mesmo tempo, deliciosamente familiar) de retratar aquele que é o período favorito da maior parte das fãs de romances/novelas.

Enquanto as autoras do século XIX – por mais “avançadas” para sua época que muitas delas tenham sido – não podiam falar de determinados temas (sob o risco de morte social), felizmente, em pleno século XXI, Julia Quinn não sofre dessas limitações. E faz ótimo proveito disso.

Sendo assim, ela menciona diversos costumes e curiosidades da época que nos passaram despercebidos e desconhecidos nos romances maravilhosos de Austen, Gaskell, Woolf, entre outras. Ela nos ensina como as moças usavam a carta de dança para controlar que rapazes lhes haviam convidado para uma valsa. Ela nos apresenta a cenas hilárias das explicações que as mães fazem às suas filhas sobre o que acontecerá na tão esperada noite de núpcias. Ela escancara as diferenças/preconceitos sociais da época, inclusive falando abertamente dos abusos sofridos por criados e filhos ilegítimos.

E, por fim, Julia nos mostra o que acontece depois do “felizes para sempre” (ou antes dele). A diferença é que, para Julia Quinn, assim como para muitas de nós, ficar apenas nos olhares e troca de promessas não é suficiente. Porém, as cenas mais “quentes” não são exageradas, são na medida certa.

Como não acho possível falar da série “Os Bridgertons” sem falar... Bem, dos Bridgertons, seguem algumas das minhas impressões sobre os membros dessa família extraordinária:

Os pais: Violet e Edmund

Se a humanidade fosse dizimada, e as duas últimas pessoas na Terra fossem Edmund e Violet Bridgerton, eles garantiriam que a humanidade não seria extinta. São oito filhos, nomeados por ordem alfabética, e somente não foram mais porque o visconde faleceu demasiado jovem (e porque, talvez, até Júlia Quinn achou que uma série com mais de oito livros seria demais).

Ao contrário do que acontecia no início do século XIX, época retratada nas obras, o visconde e a viscondessa era um casal completamente apaixonado (o que ajuda a explicar a quantidade de filhos). E esse amor passou para os filhos. Por isso, a criação dos oito também não foi exatamente ortodoxa. Diferentemente dos pais da alta sociedade, que praticamente ignoravam a prole, cuja educação era oferecida por governantas e tutores, Edmund e Violet fizeram questão de fazer parte da infância de seus pequenos, inclusive cometendo o absurdo da falta de etiqueta: deixarem as crianças jantarem com eles!

Bem, vamos agora aos Bridgertons: a prole. Vou falar de acordo com a ordem dos livros, não em ordem alfabética/de nascimento:


Daphne (O Duque e eu)

Mesmo em pleno século XXI, ter três irmãos mais velhos superprotetores e ciumentos e que, além de tudo, são fortes e amedrontadores, não é nada fácil para qualquer moça. Agora, imaginem a posição da Daphne. Não que ela seja uma donzela precisando de ajuda: como a cena inicial com um de seus pretendentes demonstra muito bem (não quero dar spoiler, mas aviso que envolve soco), Daphne é o tipo de mulher muito adorável que mostra - e usa - as garras quando necessário. Porém, a jovem passará poucas e boas por conta do ciúme desmedido de seus irmãos... Pobrezinha...


Anthony (O Visconde que me amava)

Ciumento e até, às vezes, rabugento, Anthony se torna irresistível pelo seu amor incondicional à família. Poderia ser daqueles rapazes que, ao herdar muito (bens, dinheiro e título) muito cedo, se tornaria um mimado irresponsável, que passa a vida gastando sua fortuna com garotas e bebidas. Mas não é. Não que ele seja um santo (até porque, quem quer um engomadinho?), mas sua prioridade é uma: sua família. E essa sua característica, somadas a outras tantas que vamos descobrindo ao longo do livro, fazem com que suspiremos muitas vezes pelo primogênito da família...

Benedict (Um perfeito cavalheiro)

No início, a história à la Cinderela não me prendeu. Cheguei a acreditar que seria o único livro da série que não conseguiria terminar. No entanto, Julia Quinn não decepcionou. Apesar do início ser, a meu ver, forçado, ela definitivamente conseguiu me prender depois do desgosto inicial. E Benedict, que a priori parecia ser o irmão Bridgerton mais "sem sal", comprova que o título do livro, "um perfeito cavalheiro", não foi um termo sarcástico da autora. Em uma época na qual os serviçais eram invisíveis (devemos lembrar que nem a sagaz Jane Austen falou muito deles em sua obra), Benedict demonstrou ser um homem de honra e capaz de superar os preconceitos sociais vigentes. Além de lindo e charmoso (características básicas dos Bridgertons), um homem que se torna admirável.

Colin (Os segredos de Colin Bridgerton)

Meu favorito, assim como seu par romântico e o livro. Desde "O Duque e eu", estava cheia de expectativas em relação ao livro dedicado a Colin. O irmão mais engraçado, aquele que sempre tem uma piada pronta e um comentário sarcástico a fazer. Mesmo com toda a curiosidade a respeito do romance de Colin, Julia consegue nos surpreender (muuuito positivamente, diga-se de passagem)!


Eloise (Para Sir Philip, com amor)

Nada convencional. Dizer Isso de uma Bridgerton é meio óbvio, porque nenhum deles segue muito as regras da sociedade inglesa do século XIX. Mas Eloise se supera, a ponto de chocar seus - nada santos - irmãos!!!

*************************************


Laís é autora do livro Primeiras Impressões, uma adaptação moderna de Orgulho e Preconceito.


8 comentários:

  1. Meu livro favorito até agora é o primeiro, o casal me conquistou completamente.

    Muito legal o post.

    Bjs

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    1. Oi! Acho que cada casal me conquistou à sua maneira. Meu favorito, até o momento, é o Colin e a Penelope, mas admito que todos eles têm um espaço no meu coração! ;-)

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  2. Oi Laís!
    Eu amo romances de época e fiquei em êxtase quando a Arqueiro anunciou a publicação dessa série no Brasil, dando sequeência à publicação de várias outras séries do gênero. Dos Bridgertons, meu livro favorito é "Os segredos de Colin Bridgerton", tanto pelo Colin quanto pelo seu inusitado par romântico.
    Beijos... Elis Culceag. * Arquivo Passional *

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    1. Oi, Elis!
      Temos a mesma opinião! Meu favorito também é o livro do Colin, tanto pelo enredo quanto por causa dos protagonistas! Amei!!! Apesar de que, até agora gostei de todos os livros da série, mesmo que alguns deles não tenham me conquistado logo no início.

      Beijos,
      Laís

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  3. Amo essa série, ainda não li o ultimo lançado, mas já está na minha estante, eu gosto mais do Anthony, também não gostei muito do Benedict.

    www.eucurtoliteratura.com

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    1. Oi, Tainan!

      Pois é, o Benedict teve bastante dificuldade para me conquistar. No entanto, como os demais Bridgertons, acabou por conseguir! :-)

      Beijos,
      Laís

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  4. Dessa série só li os dois primeiros e posso dizer que fui conquistada logo nas primeiras linhas de O duque e eu. Pra mim foi impossível não se apaixonar pelos personagens e pelas histórias e morrer de rir com esses irmãos!

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    1. Oi, Leila!

      Fiquei tão viciada que li os últimos mesmo antes de chegarem ao Brasil! :-)

      Mas devo admitir que gostei da série até o sexto, O Conde Enfeitiçado....

      Beijos!

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