Minha Última Duquesa - Daisy Goodwin, por Sueli

“Beleza, fortuna, admiradores e a arrogância ingênua de acreditar que o dinheiro lhe abriria todas as portas era do que uma jovem precisava para ser feliz nos Estados Unidos no final do século 19. Cora Cash tinha tudo isso. Mesmo assim, lhe faltava o que alguns consideravam o mais importante: um título de nobreza. Por isso, para conseguir um casamento que lhe garantisse um status social inabalável, ela partiu para a Inglaterra aos 18 anos. A primeira impressão do novo país não foi nada boa – a aristocracia era fria e hostil, dominada por intrigas e fofocas. Mas a situação ficou ainda pior quando Cora se apaixonou por um homem que mal conhecia… e entrou em um jogo com regras desconhecidas e que tinha como único prêmio a própria felicidade.”

O maior desejo de Sra. Cash é ser considerada a melhor anfitriã de Newport, e para isso ela não mede esforços para que suas festas sejam indecentemente luxuosas e cheias de surpresas que possam maravilhar seus convidados.

Na recepção de despedida da temporada de 1893, a Sra. Cash pretende surpreender mais uma vez ao enorme público que comparece à sua residência com um espetáculo grandioso de luzes e cores, quando algo inesperado modifica sua aparência (deve ter sido a maldição dos beija-flores!), mas nada que a impeça de seguir para a Europa em busca de um nobre para casar-se com sua filha Cora.

Nesse ínterim, Cora tem seus planos frustrados ao ver rejeitada a sua proposta de casamento feita de maneira intempestiva ao jovem Teddy Van Der Leyden, filho de uma das famílias mais tradicionais americana, que prefere se dedicar à pintura que ser esmagado pelo peso da fortuna da família Cash.
Portanto, mãe e filha embarcam para o velho mundo onde esperam que um título possa consolidar a instável posição social que os Cash desfrutam na América, apesar de sua imensa riqueza.

Cora Cash é linda, muito jovem, culta, inteligente e, absolutamente diferente das beldades inglesas, o que faz com que essa moça conquiste um séquito de admiradores, sem sentir-se atraída por nenhum. Até que um dia, ao participar de uma caçada, Cora sofre um acidente tentando fugir de alguém particularmente desagradável.
Cora Cash é salva por Ivo, um duque falido, porém misterioso e muito sedutor, que não perde tempo e a pede em casamento assim que nossa protagonista se recupera.

E, é aí que começa a encrenca, aliás, como a maioria dos casamentos, não é mesmo?

De repente, Cora se vê jogada em um mundo de intrigas e invejas. Onde, revestida de maneiras gentis e palavras ácidas, a hipocrisia impera. Onde cada passo poderia levá-la à beira do abismo.

A jovem duquesa não está protegida nem mesmo em sua casa, onde os criados não a respeitam e a desafiam diariamente. Apenas, Bertha sua criada e “quase amiga” é seu porto mais ou menos seguro.

Eu adorei cada página mal revisada desse livro. É uma pena que os livros estejam sendo tratados tão desrespeitosamente pelas editoras. Sou do tempo que ler era a garantia de melhorarmos nosso linguajar e idioma. Porém, posso assegurar que apesar dos tropeços o livro é muito bom.

Não que o casal seja fantástico, longe disso. Mas, existe um intenso trabalho de pesquisa, com informações interessantes, sem contar que a história flui sem nenhum contratempo ou longos parágrafos entediantes. Muito pelo contrário!

Os cenários são sedutores, o vestuário é luxuoso e muito bem descrito, inclusive com modelos dos grandes estilista da época, já que nossa heroína é considerada uma das mulheres mais ricas do mundo, o que não lhe garante a felicidade sem tropeços, ou a sensação de estar protegida de mulheres treinadas desde o nascimento para calibrar suas ações de acordo com suas posições sociais.

Contudo, nossa Duquesa não havia sido educada para ser perseguida e humilhada, pois Cora é o prêmio, porém o prazer e a dor de estar apaixonada faz com que ela perca o controle de sua vida e de suas ações, por pouco tempo felizmente.

Infelizmente, não simpatizei com o Duque. E, olha que sou louca por duques, mas Ivo não estava à altura de Cora, assim como Camden não está à altura de Gigi (Um Amor Quase Perfeito/Sherry Thomas) e nem Clayton à altura de Whitney (Whitney, Meu Amor/Judith McNaught), só para citar alguns exemplos.

Para mim, leitores, foi imperdoável o abandono imposto por ele à nossa ingênua Cora como castigo por mais uma das armadilhas dessa sociedade corrompida e cruel. Sem contar que durante todo o tempo esse duque egoísta e egocêntrico sabia do que se tratava. E, quando todos os segredos sujos e mentiras abjetas são revelados a minha opinião sobre o duque piorou bastante. Mais uma vez a protagonista está muito acima de seu par.

Foi o primeiro livro que li de Daisy Goodwin e fiquei com a impressão que mais que um romance o que eu tive o prazer de ler foi um livro sobre a sociedade inglesa no final do século XIX, nos últimos anos do reinado da Rainha Vitória, com seus hábitos, figuras da sociedade, incluindo seu filho e sucessor, com muitos artistas, além dos pratos servidos nos grandes eventos sociais.

Como de hábito, ao procurar pelos fatos mais importantes no mundo em 1893, verifiquei que a Nova Zelândia concedeu o voto feminino, sendo o primeiro país a fazê-lo. Além de ter sido exposto pela primeira vez – O Grito - o quadro mais famoso do pintor Edvard Munch, e um dos mais caros já leiloados. E, não podemos esquecer que foi o ano de criação do produto Pepsi, o refrigerante que até hoje faz parte dos nossos dias, se bem que eu prefiro Coca-Cola!
4 corações

Sueli Jansen é professora aposentada, casada há mais tempo que consegue lembrar e, hoje vive no interior do estado do Rio de Janeiro, com sua família, seus livros, suas árvores e seus animais.
Você a encontra no Skoob clicando AQUI.



12 comentários:

  1. Gostei do enredo, amo romances de época, pena que foi mal revisado :(

    www.eucurtoliteratura.com

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  2. Mas, dá para ler sem problema, pois a autora é muito ótima, Tainan. Sem contar que a pesquisa feita é fantástica.
    Obrigada pelo comentário,
    Bjs

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  3. Páginas mal revisadas estão se tornando comuns até em Editoras grandonas. Caraaaaaaaaa.... Sueli, fiquei querendo demais ler esse livro!
    Que resenha!!!!
    Gosto muito de romances históricos.
    beijos, queridona

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  4. Ah, Telma, eu adorei esse livro, e nem posso imaginar o motivo de ele não ter feito mais sucesso...
    Quando eu soube a prática comum que os muito ricos utilizavam em suas festas quase morri de desgosto.
    Sem contar que o duque é um total fracasso, na minha opinião!!!!!!
    Quanto às revisões, é preciso que se diga que nos livros editados pela Cosac Naify, Companhia das Letras editando grandes autores, as revisões são impecáveis, mas o preço dos livros nem se fala, pois são caríssimos!
    Obrigada pelo comentário, minha deusa ruiva!
    Beijos carinhosos e saudosos!

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  5. Já li este livro há alguns meses.
    Mas tenho uma opinião um pouco diferente da sua. Achei um pouco exagerado o abandono a que a Cora é submetida durante a sua gravidez, mas gostei do personagem do Duque - um homem frio, mas firme e, apesar de não saber demonstrar, gostava dela.
    Nos demais aspectos, o livro é muito bom. Longo, mas a leitura flui com facilidade.

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  6. Tá vendo, Laura? É por isso que eu adoro o universo literário! Você já imaginou se todos nós tivemos a mesma "leitura" de um mesmo livro?
    Certamente, a diversidade de gêneros estaria esgotada em tempos de grande valorização de um assunto ou outro. E, o mesmo acontece com o que cada leitor percebe em cada livro. É totalmente pessoal...
    Eu, por exemplo, detestaria estar casada com um homem frio e que não me apoiasse em um momento tão importante. Principalmente, quando ele saiu de uma situação complicada graças ao meu dinheiro.
    Mas, tudo isso é que me encanta... Assim como você, eu li esse livro há vários meses, talvez mais de ano, porém pensei que seria um livro interessante de ser lido por mais pessoas, Laura.
    Obrigada por seu comentário e por sua defesa ao duque!
    Beijos, apareça sempre!

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    Respostas
    1. Olá Sueli,
      Em uma época como aquela até os filhos não eram criados pelos pais, mas pelas babás, preceptoras etc.
      As mulheres participavam apenas dos cuidados do lar e da vida social.
      E imagino que os homens deviam ser ainda mais ignorantes do que os de hoje (pois muitos até hoje ainda são) sobre as necessidades femininas (apoio, afeição, cuidado) e com certeza não deviam participar de situações como gravidez, TPM e outras.
      Se ele fosse meu marido, seria um homem morto (rsrs) mas, estou novamente defendendo o duque, considerando a época em que a história é narrada.
      É a primeira vez que participo dando meu comentário e gostei muito de fazer isto. Espero participar mais vezes, já que sou viciada em livros.
      Obrigada, Bjs,

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  7. Ah, Laura, que delícia saber que foi a sua estreia comentando resenhas.
    E, sabe de uma coisa, você tem razão em defender a forma como o duque foi retratado, já que está baseada em um dos pontos que mais me encantaram neste livro, a pesquisa e forma como a sociedade, tanto londrina, como americana está delineada no livro. Mas, acontece que eu sou romântica, e abandonaria esse duque imediatamente! Não sem antes tentar de todas as formas deixá-lo na mesma miséria de antes. Acho que ela teria um grande consolo nos braços daquele ex-namoradinho.
    Laura, seja muito bem-vinda, e por favor traga sempre suas opiniões, sejam elas a favor ou contra. Ok?
    Bjks

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  8. Eu tenho este livro em casa há um bom tempo e ainda não o li.
    Não sabia destes erros de diagramação, é mesmo bem triste o que temos encontrado ultimamente, e muitas vezes em editoras conceituadas...
    Eu gosto bastante de romances históricos e pretendo ler este livro até a metade do ano para enfim tirar minhas próprias conclusões.

    Beijo, Vanessa Meiser
    http://balaiodelivros.blogspot.com.br/

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  9. Faça isso, Vanessa, e quando terminar de ler nos dê um retorno. Eu adoraria saber se você gostou do livro tanto quanto eu.
    Obrigada pelo comentário,
    Bjks

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  10. Bem, Lucilene, acho que isso vai depender muito do que você considera um final feliz... Eu estou aberta a novas considerações, ok? ;)
    Bjks, e obrigada pela visita.

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