É hora de falar - Helen Lewis

Helen Lewis, jovem estudante de dança em Praga durante a eclosão da II Guerra Mundial, é levada para o gueto de Terezín e, depois, deportada para Auschwitz. Separada da família, ela vive em meio à carnificina da Solução Final de Hitler. Como e o que fez para sobreviver é uma história emocionante, contada com humor, franqueza e alguma raiva, mas sem dar espaço para a autocomiseração. Em É Hora de Falar, Helen mapeia as profundezas do Inferno, arrebatando-nos com uma obra de arte irrepreensível. Ao nos guiar por um terreno repleto de pesadelos apavorantes, ela não pisa em falso. Seu tom permanece sereno; seu estilo, simples. Mas essa forma de expressão esconde o martírio de sua necessidade de recordar.

Quem me conhece sabe o quanto gosto de livros que falam sobre a Segunda Guerra Mundial, sobre o Holocausto e afins. Quando a Editora Bertrand forneceu a lista de livros para escolha de leitura para o mês de Dezembro, fiquei com uma pequena dúvida entre um livro comédia e um drama. Mas é claro que não poderia abrir mão da leitura desse não-ficção, que tinha tudo para se tornar inesquecível, já que era um drama real.

Nada melhor do que conhecer a história através dos olhos de uma sobrevivente e, juntamente com ela, ver as diversas facetas de algo terrível que ficou como uma mácula na história da humanidade.

Neste livro, Helen Lewis traz um relato emocional de sua trajetória de vida durante o Holocausto. Não espere encontrar aqui uma narrativa demasiadamente sofrida, porque ela soube dosar suas emoções e nos brindar com uma história pungente, verdadeira, com sua escrita leve e de certa maneira doce.

Ela não lamenta sua trajetória, ela apenas caminha e vivencia tudo com resignação. Aceita seu destino, sem desistir e lutar pela vida em nenhum momento, usando as oportunidades que ela lhe presenteia, contando milagrosamente, em certos momentos, com a sorte.

Apesar de tamanhas atrocidades vividas, Helen tinha uma válvula de escape, algo em que se segurar: a dança. E é nela que se agarra e consegue suportar as agruras da guerra, numa luta diária pela sobrevivência, embalada pelos doces passos da dança.

Não tem como não se emocionar com o trajeto sofrido por essa guerreira. Algo inusitado e que me foi uma surpresa durante a leitura, é que conseguimos perceber através de seus olhos que existia bondade, apesar da dor infligida e que nem todos os alemães eram coniventes com tantas atrocidades. Vemos várias faces de uma época que manchou a história com sangue e lágrimas.

Helen sofreu perdas irreparáveis e mesmo assim triunfou. Passou por situações calamitosas, viagens sub-humanas, sentiu fome, sofreu agressões, teve que conviver com a falta de higiene e o frio, mas, mesmo assim venceu, sobreviveu, não sem manter suas cicatrizes visíveis.

Forte, perseverante, corajosa, Helen nos brinda com sua história sem ser rancorosa ou lamentar em momento algum. Sofreu sim, isso é visível para todos, mas encontrou na dança seu bem mais precioso, aquele que não a abandonou e salvou de certa maneira sua alma.

Um livro que, por mais sofrido e triste que seja, nos mostra que existe uma saída para tudo, que conseguimos encontrar um refúgio dentro de nós mesmos diante das adversidades, Helen encontrou salvação na dança e muitos de nós nos livros, na música, na escrita, etc.

Uma história real sobre a Segunda Guerra Mundial, direta, simples, sem nunca cair na mesmice, que mostra o pior lado da intolerância e crueldade humana, mas que traz uma lição entremeada em suas páginas, descubra qual, lendo esse livro inesquecível.

8 comentários:

  1. Ei Lena

    Eu gosto muito de livros ambientados na segunda guerra, mesmo sendo tudo tão triste. Este eu não conhecia ainda e não reparei na historia no email dos lançamentos, mas não sei se eu leria. Bom, pelo menos não agora, estou preferindo livros mais alegres, mas eu tbm adoro um drama.
    bjs

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    1. Talvez em um outro momento não é Nandinha?!
      O livro é muito bom, super fácil de ler, um relato emocional.
      Beijokas!

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  2. Parece ser um livro bem forte, e triste...

    http://conversandodragoes.blogspot.com.br/

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    1. Forte, triste e inspirador.
      Vale a pena ler e se emocionar!
      Beijos Kate.

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  3. Eu também sou apaixonada por livros que se passam na época do holocausto. Na verdade, são os meus favoritos.
    Me encantei pela capa quando vi, logo de cara já tem uma imagem impactante com ar vazio e triste. Vai, sem dúvida, para a wishlist de natal.

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    1. Se você gosta de livros assim, essa é com certeza uma ótima leitura.
      Leia e depois volte para me contar o que achou!
      Beijos.

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  4. Oi Lena!
    São poucos os livros com esse enredo... sempre sofro com histórias da segunda guerra ...
    bjks!

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