Dezenove Minutos - Jodi Picoult

Sterling é uma cidadezinha comum do interior, onde nada acontece – até o dia em que a quietude é abalada por um terrível ato de violência. Peter, um adolescente socialmente isolado que há anos sofre bullying, um dia leva uma arma para a escola e abre fogo contra os colegas, matando dez pessoas. Narrações do passado revelam como as constantes provocações dos outros alunos levaram Peter a se isolar, buscando refúgio em jogos violentos de computador.
Josie, filha da juíza responsável pelo caso e que já foi a melhor amiga de Peter, deveria ser a testemunha mais valiosa de acusação, mas não consegue se lembrar do que aconteceu bem diante de seus olhos – ou será que consegue? Conforme o julgamento avança, rupturas entre os adolescentes da escola e a comunidade adulta começam a se revelar, destruindo famílias e as amizades mais íntimas.

Alguns dias atrás eu escrevi a resenha do livro Quando você voltar - Kristin Hannah e exaltei o quanto eu admiro o patriotismo dos americanos, seu desejo desde o berço em proteger e servir o seu país. Por isso não podia deixar de dizer, depois da leitura de Dezenove Minutos, o quanto eu repudio, nesses mesmos americanos, a forma como eles criam e educam os seus filhos. Certo, posso estar generalizando, mas essa é a minha opinião quanto a esse fato.

As escolas americanas são conhecidas pela formação de grupinhos, acredito que muitos já assistiram filmes onde é fácil notar a existência dos grupos de atletas, dos valentões, das garotas populares, dos nerds, dos drogados e enfim, daqueles que são separados dos outros, quase que à dedo, e que sofrem dia após dia o tão terrível bullying.

Crianças e adolescentes que tem seus pertences roubados, o dinheiro do lanche confiscado, são empurrados, presos em armários, afogados em vasos sanitários. E o que não se estranha é que esses fatos são vistos pelos maiorais que os praticam, como simples brincadeiras. Mas para aqueles que sofrem o bullying não é só isso, pois essas ditas “brincadeiras” afetam suas vidas de forma irreparável.

Foi assim com Peter, o garoto tímido e frágil da história de Dezenove Minutos. Desde o seu primeiro dia de aula, ainda no jardim de infância, ele foi maltratado pelo grupo de valentões, que ainda eram crianças como ele. E isso perdurou até sua adolescência. Por um período de tempo ele se apoiou numa única amizade, Josie, mas ela de repente passou a fazer parte do grupo do qual ele fugia dia a dia. Peter então,  passa a viver num mundo onde é excluído, maltratado, afastado da grande massa, sem amigos e muito solitário.

Fermentou dentro dele por toda uma vida o desejo de se ver livre desses maus-tratos. Até o dia em que o menino frágil tomou uma atitude que mudaria sua vida e a de todos os envolvidos nessa sua longa trajetória de sofrimento.

Eis então que surge a grande pergunta, aquela que fervilha durante toda a leitura: Quem é realmente o verdadeiro culpado por uma tragédia?!

Dezenove Minutos é um daqueles livros que nos transporta para o meio da história, você se sente um coadjuvante de todos os fatos, vivencia o sofrimento dos personagens, e fica tão envolvido que não consegue tomar partido. Fica durante toda a trama buscando respostas para as inúmeras perguntas que fazem a cabeça do leitor, quase explodir.

Uma história que deveria ser lida por todos e com certeza iria fazer com que o leitor repensasse alguns conceitos.

Primeiro livro que leio da autora Jodi Picoult e com certeza não será o último. Ela consegue prender o leitor com uma narrativa esclarecedora, que transita entre o passado e o presente, usando como ponto de partida o dia que mudou a vida de todos na Sterling High School.

Uma história comovente que aborda um tema atual e triste, que já fez parte da realidade de alguns estados americanos e que infelizmente também já ocorreu no Brasil. Com uma escrita fácil de acompanhar, um tema profundamente bem explorado, a autora nos brinda com uma história inesquecível que mexe com os nossos sentimentos mais caros. Aborda não só o relacionamento entre os alunos de uma escola e suas reações diante de uma tragédia, quanto também como isso afeta de maneira direta os sentimentos de todos os familiares envolvidos e de toda uma cidade.

Com certeza esse é um dos livros que eu voltaria a ler em qualquer momento da minha vida, porque acredito que seu tema será sempre atual, infelizmente.

Espero ter conseguido atiçar sua curiosidade em relação ao livro, pois estou certa que essa é uma história que todos deveriam ler, sem sombra de dúvidas ele vai se tornar um marco nas suas leituras, assim como passou a fazer parte do rol de indicações que farei a partir de agora.
Uma história que deve ser apreciada, uma narrativa totalmente absorvente e que vai tornar a leitura instigante e fazer com que o leitor corra para descobrir seu final surpreendente.

27 comentários:

  1. lena, linda resenha!

    Jodi é o tipo de autora que nos faz pensar muito em algumas situações, acredito que com esse livro seja o mesmo.

    Já está na lista de desejados.

    Bjs

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    1. Obrigada Ju, espero que você consiga ler o livro em breve para trocarmos figurinhas!
      Beijokas!

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  2. Leninha eu sempre quis ler Jodi, mas ainda não consegui comprar ou ganhar nenhum livro dela, mas pelas sinopses que leio [inclusive tenho dois livros dela nos desejados e vou acrescentar + esse] vejo que ela tem o dom de abordar fatos devastadores, mas contemporâneos.
    Fico encantada com isso.

    bjs,
    Camila Márcia
    @camila_marcia
    De Livro em Livro
    Devaneios Fugazes

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    1. Vou torcer para você conseguir adquirir qualquer exemplar da autora em breve.

      Realmente os temas abordados são devastadores, mas a escrita é tão leve que você consegui visualizar tudo sem entrar em choque.
      Boa leitura, espero que o mais breve possível!

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  3. Eu sempre me perguntei se esses grupinhos são realmente tão ruins ou se era exagero dos filmes, e percebi com muita tristeza era realmente assim!
    Gostei muito da resenha e me interessei pelo livro apesar da história parecer bem triste....

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    1. Pois é, lendo esse livro vc vai ver que os grupinhos são bem reais.
      O livro tem uma história triste sim, mas vale a pena cada página lida.
      Você iria gostar Thay.
      Beijinhos!

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  4. Oi Lena!
    Eu também não li nenhum livro da autora, mas as sinopses me atraem, rs.
    Esse livro eu ainda não tenho, e não vejo a hora de ter a oportunidade de ler!
    Bjs!

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    1. Você vai amar Ká, corre e adquire seu exemplar!
      Bjs.

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  5. To louco por esse livro....
    Adoro a Jodi, ja li o aclamado Guardiã da minha irmã, que foi a inspiração para o Filme Uma prova de amor. E li também A menina de vidro e Uma questão de Fé, posso garantir que a autora é fera no drama...
    É sempre assim que me sinto, quando leio seus livros, não consigo defender ninguém...rsrsrs

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    1. Oi Elves, bom te ver por aqui.
      Então, Jodi passou a figurar por aqui no blog só agora, não sabia que estava perdendo uma autora como essa.
      Vou ler O Filme Perfeito, que saiu pelo Editora Planeta e que comprei pela bagatela de 15 reais.

      Difícil tomar partido num livro assim, não é?

      Abraços!

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    2. O Filme Perfeito é um dos mais fracos de Jodi pelo que escuto de outros fãs dela e algumas resenhas...Mas vale a pena dá uma lida, vai que com vc a história flui de maneira diferente...


      Ha e quanto à tomar partido é verdade... muito difícil, acho que o falto dela sempre dar voz aos personagens, onde eles expõem o que sentem é o fator que nos leva a ficar desse jeito.

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  6. Achei bem interessante e atual o tema abordado nesse livro.... Ainda não li nada dessa autora, mas já incluí esse livro na lista de desejados.....

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    1. Espero que vc adquira logo seu exemplar, com a certeza de uma ótima leitura!
      Beijos.

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  7. Confesso que não tinha lido nada a respeito deste livro ainda, somente tinha visto a capa, pensava que era livro de auto-ajuda kkkk. Mas agora lendo sua resenha, vejo que é algo extremamente valoroso e que devemos sim lê-lo pois o tema é bem atual. Nos EUA isso já é uma constante a muito tempo, faz parte da cultura deles agir assim e se você não se encaixa também em nenhum grupo também sofre bulling por isso. E pior de tudo, isso já chegou no Brasil, na verdade aqui também sempre existiu, só que ninguém nominava dessa forma. As pessoas diziam apenas que eram "brincadeiras de crianças" quando na verdade se tratava de bulling. Eu sofri muito isso e achava que eu não tinha um lugar ao sol. Uma triste realidade! Leninha livro na lista #adicionado.

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    1. Uma triste realidade infelizmente.
      Na minha época o bullying era mais leve, a gente apelidava e ganhava apelidos e nem ligava, não tinha agressão física, mas os grupinhos estavam lá e a gente tinha que se encaixar em algum deles.
      Eu fazia parte do grêmio da escola e da turma de atletas, então passei batido.
      Mas me lembro das excluídas, as garotas tímidas que não tinham amigos e que viviam para estudar apenas.

      Infelizmente hoje o bullying é coisa séria, e deveria ser extinto.
      Beijos Eri!

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  8. Ai ai Jodi Picoult

    Aquela que me fez chorar horrores com "A Guardiã da Minha Irmã". Um dos livros mais sensacionais que já li, e certamente vc já viu o filme - Uma Prova de Amor com Cameron Diaz... Gostou do filme? O livro é muitas vezes melhor (o final do livro é diferente do filme, depois me conta qual gostou mais)
    Tenho na minha lista de desejados outros dela, e este eu não conhecia.
    Vou acrescentar.
    Amei sua resenha, e principalmente o fato desse patriotismo que vemos em outras culturas e que aqui não temos. E da forma independente também, que outros povos criam os filhos, e nós não.
    Porque?
    Essa mania de deixar debaixo das asas?
    Eu posso me orgulhar de estar criando as meninas para serem independentes, mas a maioria não.
    Bjão, linda

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    1. Eu tenho esse livro Ana, vou passar ele na frente na lista com certeza.
      Como criar os filhos? Tema difícil, mas aqui no Brasil não deixamos eles viverem, e mimamos demais, e=depois sofremos as consequências.
      Também crio minha filha para ser independente, tanto que desde os 16 ela trabalha e estuda, nada melhor do que dar valor ao dinheiro logo cedo, sem fazer dele o objetivo de vida.
      Beijos Ana!

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  9. A Jodi Picoult é uma autora que consegue transmitir emoções em seus livros, gosto bastante dela.

    Adorei essa resenha - o livro parece ser incrível!

    Beijos,
    Nanie

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    1. A história é super, Nanie, acredito que você iria amar!
      Beijos!

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  10. Resenha maravilhosa!
    E, infelizmente, a questão do bullying está cada vez mais presente no dia a dia dos nossos estudantes.
    Bjks

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    1. Pois é Sueli, essa é nossa triste realidade!
      Bjks!

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  11. Ei Lena,

    Nossa tem tantos livros desta autora e eu só li um até hoje, nem acredito. Ainda mais porque o que eu li, A guardiã da minha irmã, eu amei e chorei litros.
    Quero muito este também, amei a resenha Lena.
    Eu acho que aqui no Brasil também rola muito isso, só não é tão explícito como nos EUA, Glee por exemplo mostra muito isso apesar do bom humor.

    bjs

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    1. Não li a guardiã, mas tenho ele aqui em casa.
      Aqui rola com certeza, mas nos EUA é o que mais se vê.
      Um pena!
      Beijinhos Nanda, bom te ver!

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  12. Eu acho que é uma bola de neve sempre, lógico que aquele que cometeu o ato em si merece e deve ser responsabilizado (Mas e aqueles que criaram - de certa forma - o monstro?). O problema de casos assim é que a morte redime até a pior pessoa do universo se for do interesse da sociedade... parece ser um livro intenso e infelizmente (concordo com você) será sempre atual tsc tsc Vou colocar no meu skoob

    Beijos,
    Jhey
    www.passaporteliterario.com

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    1. Concordo quando vc diz ...a morte redime até a pior pessoa do universo... vemos isso todos os dias nos noticiários e jornais.
      A vítima sempre é inocente, nunca provocou, nunca roubou, machucou e afins.
      Acredito que só quem perde mesmo é a família, e quem morre.

      Leia o livro Jhey, com certeza dessa vez, vc não vai inocentar as vítimas.

      Beijos!

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  13. Adoro esses livros que transportam a gente para dentro da história e nos fazem sentir as mais diversas emoções. E concordo quanto à parte de não gostar da forma com que os norte-americanos criam os filhos. pra mim parecem mini-monstros prontos para explodir. Mas a gente não está lá para saber como é de verdade, então é complicado saber ao certo o que acontece, só podemos ter impressões...

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    1. Verdade Ju, porém a impressão que passa é que realmente os sentimentos dos americanos são frios, eles geram, alimentam e depois a vida cria.
      Mas quem sou eu para julgar, não é?!
      Beijokas!

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