Cinquenta Tons de Liberdade - E. L. James

Hoje a Tícia nos brinda com a sequência dos livros Cinquenta Tons de Cinza e Cinquenta tons mais escuros, já resenhados por ela aqui no blog. Vamos conferir a opinião da nossa aniversariante da semana, sobre o desfecho dessa trilogia. (Pode conter Spoiler para quem ainda não leu os livros)
Com vocês...

Cinquenta Tons de Liberdade - E. L. James 
Sinopse:  
Quando a ingênua Anastasia Steele conheceu o jovem empresário Christian Grey, teve início um sensual caso de amor que mudou a vida dos dois irrevogavelmente. Chocada, intrigada e, por fim, repelida pelas estranhas exigências sexuais de Christian, Ana exige um comprometimento mais profundo. Determinado a não perdê-la, ele concorda. Agora, Ana e Christian têm tudo: amor, paixão, intimidade, riqueza e um mundo de possibilidades a sua frente. Mas Ana sabe que o relacionamento não será fácil, e a vida a dois reserva desafios que nenhum deles seria capaz de imaginar. Ana precisa se ajustar ao mundo de opulência de Grey sem sacrificar sua identidade. E ele precisa aprender a dominar seu impulso controlador e se livrar do que o atormentava no passado. Quando parece que a força dessa união vai vencer qualquer obstáculo, a malícia, o infortúnio e o destino conspiram para transformar os piores medos de Ana em realidade.


Nota: como eu disse nas resenhas anteriores, se você é avesso a palavrinhas torpes, semelhantes àquelas que te renderam uns bons tabefes na sua tenra idade, deixa esta resenha de lado e vai comer um suculento hambúrguer de três andares, prontamente sucedido por um sundae GG com calda de morango e raspas de chocolate.
Se sobrar alguma coisa, aceito doação.  

Eis que - “infelizmente” para uns e “já vai tarde” para outros - se encerra um dos maiores fenômenos editoriais dos últimos tempos, a polêmica trilogia Cinquenta tons.
É claro que associar essa série ao adjetivo polêmico é quase um pleonasmo, mas é difícil falar sobre o assunto sem mencionar o quanto estes livros rodaram na boca do povo.

Mas cá pra nós, essa não foi a primeira e nem será a última obra literária controversa que produzirá essa quantidade de debates acalorados entre leitores, facções “nós versus eles” e até mesmo pragas a gerações posteriores e intimidações hostis. Eu mesma fui vítima de uma amiga que demonstrou de forma bastante tempestuosa seu desgosto perante minha simpatia pelo livro.

Aliás, é fato que os opositores à trilogia estão quase apelando para promessas – algo como subir de cabeça para baixo a Jacob's Ladder de Jamestown - só para tentar entender o que nós, do “grupo pró”, vimos na história. Cinquenta tons foi para muitos um conjunto de livros mal escritos, com personagens vazios e trama desinteressante.

Bem, como já disse nas resenhas anteriores, eu realmente passei por cima de todos os pontos fracos e olhei além: o que vi foi uma história romântica, narrada por uma mocinha ingênua e infantil em alguns aspectos, personagens cheios de defeitos e qualidades, rasos em alguns momentos, profundos em outros e um enredo que cresceu nos dois últimos volumes da série. Não tenha dúvida disso: a história só melhorou.

E, por incrível que pareça, as minhas queixas não poderiam ser mais dissonantes com o resto do mundo. Por exemplo, enquanto eu não me importei com as reclamações da maioria, a maioria nem reparou na linguagem chula. Eu fiquei incomodadíssima com isso, mas suportei como macho.
Mas aí é que está: enquanto eu vivia na ignorância, a paz reinou e eu aturava os meter, trepar e similares com um sofrimento estoico. Porém, a simpática Noemi Hackmann, me fez vir para luz quando comentou aqui no blog:

“...a linguagem não é tão 'baixa' no original; ao traduzir, trocaram 'introduzir' por 'meter' e assim por diante, deixando o livro mais pornográfico do que erótico. A palavra que tem demais [no original] é 'fuck', mas essa palavra virou quase uma interjeição”.

!!!???
Devo mencionar minha revolta agora ou deixo pra depois?
Bem, vou largar para lá para evitar a fadiga e ir ao que interessa: Cinquenta tons de liberdade...

O terceiro livro não decepciona. A trama segue coerente, permanecendo fiel à proposta inicial da série, o romance continua lindo, fofo e ainda temos ação e suspense.
Enquanto o primeiro foca o início da relação com requintes sado-masô camarada e o segundo concentra nas obscuridades de Grey bem como aprofunda o romance dos mocinhos, temos na terceira história uma espécie de adequação à nova vida. Sim, Christian e Anastasia agora estão casados.

Aaaaaaaah! Então acabou a sacanagem com chicotadas, brinquedinhos esdrúxulos e Grey com aquela calça jeans desbotada, delineando toda a sua longa coxa e...
Não, eles prosseguem na incessante cópula como se tivessem apenas três dias de vida e pretendessem compensar tamanha perda.

Aliás, nas primeiras 150 páginas eu já estava me perguntando se teríamos enredo. Era tanta posição nova e tanta variedade de lugar onde sucedia a coisa toda que eu comecei a me distrair tentando adivinhar qual seria o próximo cenário.
Contudo, minha imaginação estava em baixa porque só me vinha na cabeça lugares como “em cima de uma panela de pressão” ou “em uma máquina de lavar no momento da centrífuga”.
Medonho, mas emoção é que não ia faltar.

Continuando, a história se inicia com a viagem de lua de mel que eles estão fazendo pela Europa e prossegue com os primeiros dias após o casório, quando os dois começam o período de adaptação mútua.
Sendo assim, em Cinquenta tons de liberdade temos barraco (ótimos, por sinal), demonstrações de inseguranças, conflitos de personalidades e ideias, superação e aceitação do podre alheio, enfim, as previsíveis brigas cotidianas de um casal.

Achei muito interessante as tentativas de Ana em contornar os impulsos dominadores de Grey que, aqui, estão mais fortes do que nunca. Entretanto, não será tarefa muito fácil porque os limites entre a submissão sexual e submissão matrimonial não estavam bem demarcados. Christian, definitivamente, é um dominador, controlador e mega protetor compulsivo. No sexo e fora dele.
Além dos conflitos entre os dois, temos também tumultos exteriores como perseguição obsessiva de um doidão, mulherada aparecendo na área, sequestros, tiro e por aí vai.

E eu não poderia deixar de mencionar que fiquei imensamente grata a Calíope, Erato, ou sei lá qual é a musa inspiradora dos escritores, que iluminou a autora: os malditos “puta merda”, a deusa interior e o inconsciente quase não deram as feias caras na história.
Porém, alegria de pobre dura pouco porque esses meus desafetos cederam lugar para novos detalhes irritantes como os milhares de “Sr. Grey e Sra. Grey” que pipocaram na narrativa.

O que eu fiz pra merecer isso?
Eu sei que os casais compartilham apelidinhos fofos e carinhosos, mas tudo tem limite. O que aconteceu com o “chuchuzinho” e o “mô”? Concordo que são cafonérrimos, mas soariam melhor do que Sr. Grey e Sra. Grey a cada duas linhas.

Mas tive de relevar, claro, porque a história é realmente bonita e encantadora. O casal Ana e Christian caiu na minha simpatia e sentirei saudade. Eu sempre fico sentimental quando termina uma série de que eu gosto.
Mas infelizmente, a única coisa que posso fazer é mandar uma carta anônima ameaçando a autora caso ela não escreva uma continuação.
Só isso...

Cinquenta tons é um fenômeno. Fato. E sinceramente acredito que todo o furor em volta da série não se deve apenas ao sexo selvagem. Para mim, a história de Ana e Christian trouxe à tona, principalmente nas mulheres, aqueles desejos tão humanos, como amor arrebatador, encontro da cara metade (estou brega hoje, hein?), reciprocidade incondicional dos sentimentos e tantos outros objetos de desejo...

Mediante uma leitura tão vicária, quem não se colocou no lugar de Ana? Quem não suspirou por Grey que, mesmo com seus muitos tons, é a encarnação de tudo o que uma mulher gostaria em um homem. E eu não estou falando de riqueza ou beleza, as mulheres me entenderam muito bem.

É uma leitura que recomendo?
Sem dúvida. Mas aviso que quando terminar, provavelmente você ficará como eu, com essa cara de depressão pós-livro.
Fazer o quê?
Até que aquela carta anônima não é uma má ideia... 

14 comentários:

  1. Concordo em número, gênero e grau...
    Não sei como curar minha ressaca e tudo que pego para ler tem gosto de 'isopor sem graça'.
    Observo muitas críticas rasas onde o que está em jogo nem é a qualidade do livro mais sim a necessidade de polêmica.
    Uma história vibrante de rendição e cura através do amor.
    Parabéns pela resenha completíssima!

    Ps,: Se quiseres ajuda na carta, estou por ti!

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    1. OI Denise,
      é uma ressaca literária mesmo. Tô aqui, com cara de pamonha e de "acabou, eles foram felizes, mas eu eu? Como fico?".
      kkkkkkkk

      Blza, então nós juntamos as forças e escrevemos uma carta anônima. Pode deixar que eu fico por conta das ameaças pq sou boa nisso!

      bjooooooooooooo

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    2. kkkkkk. me senti deppre depois dque acabouuuu.. quero continuaçao e libros sobre a visao de Cristian. pois aquela parte de como ele conheceu ela na visao dele foi interresantissima....Quero mais 50 tonsss

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    3. OI Camila,
      A visão de Christian foi legal mesmo, né? Bom, diante disso, te coloco na lista pra adeptos à carta anônima. kkkk

      bjoooooooooooo

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  2. Tícia, foi a melhor resenha que já li sobre os Cinquenta tons, vc está de parabéns!
    Como vc escreve bem, menina!
    Falou tudo e mais um pouco.
    Concordo totalmente com vc.
    Bjs

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    1. OI Neli, obrigada!
      Então posso contar contigo no "projeto carta anônima"? kkkkkkk

      bjooooooooooo

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  3. Pessoal, fiz besteira!!!
    Fui apagar um comentário que havia sido excluido pela Noemi Hackmann e acabei apagando sem querer o comentário errado. E de quebra a resposta da tícia foi junto porque era anexado à ele, Leninha tapada.

    Desculpem Noemi Hackmann e Tícia.

    Se der comentem novamente * Leninha lesada*

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    1. Oi Leninha,
      kkkkkkkkkkkkkkkkk
      ri muito disso!
      Não esquenta! Se a Noemi comentar de novo, eu respondo de novo!

      bjoooooooooooooo

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  4. Você releva muito e diz que a história é bonita romântica.
    Orgulho e Preconceito o filme estou falando do filme, com a sutileza o desejo ardente no olhar e as palavras ditas e não ditas mais excitante não...
    As preliminares que (eu)entendo que pode ser tb as coisas ditas (comportamento)pode ser tão excitante que se deriva bastante prazer sem precisar de chicotinho etc... não? Explico, se um carinha chega p/ mim e começa por falar o tempo todo só do momento do ato e todas as coisas sado que pretende eu broxo...
    Leninha, para ilustrar o que estou dizendo, antes, espero q vc não leve a mal e deixe passar meu comentário, pois sei q é minha opinião e q nem todas pensam igual ok?
    Voltando p/ ilustrar meu ponto, no youtub tem um vídeo assim: Está chovendo homens de época. Nesse vídeo quando os olhares se encontram com os da mulher amada, o homem baixa ou desvia o olhar...
    Me pergunto, será que facilitamos tanto as coisas p/ os homens que o que eles tem hoje de mais difícil em termos de conquista de caça são as meninas novinhas, as virgens...
    E cada vez mais as mulheres de um modo geral não mais virgens e até mesmo os homens estão cada vez mais frustrados em seus relacionamentos.
    Tenho filhos meninos, ainda bem caso contrário seria mais uma coisa a me preocupar muito, pois livros como esse quer q pensemos q é bom e normal... Mas, na real acho que não seria tão simples ou fácil ou prazeroso p/ as jovens mulheres como se quer q acredite...
    Abç e
    boas leituras!!

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    1. Oi CMachado,

      de forma nenhuma deixaria passar seu comentário. Vc tem todo o direito de discordar, uai! ; )
      Adoro "debates"! kkkkkk

      Mas olha só: o que estou abordando na resenha é apenas o livro, a história dos personagens. Assim como discutimos um filme mesmo sabendo que não passaremos por tal situação pq discernimos que é fantasia.

      Concordo totalmente com vc quando às abordagens mais românticas serem melhores, mas isso não quer dizer que desgostei da história, ou até mesmo que agora vou me tornar adepta ao sado ou que mudarei meu estilo de vida.
      Compreende?

      É apenas uma análise de um livro, de uma ficção.
      Mas entendo sua revolta e suas reflexões pq vc falou muita coisa que eu concordo.

      Pode voltar sempre que quiser e comentar, viu? Adoro opiniões pq fazem a gente refletir.

      Bjooooooooooo e boas leituras tb.

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  5. Ah, esqueci desculpa se desmancha prazer mas,
    "Para mim, a história de Ana e Christian trouxe à tona, principalmente nas mulheres, aqueles desejos tão humanos, como amor arrebatador, encontro da cara metade (estou brega hoje, hein?), reciprocidade incondicional dos sentimentos e tantos outros objetos de desejo..."

    Essas coisas somente lendo e viajando na pele das personagens virgens, porque os homens querem virgens de 15, 16, 17 as mulheres ainda não se tocaram ou estão enfiando a cbç num buraco p/ não ver e pior contribuindo enaltecendo estórias como essa do livro...

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    1. OI CMachado.

      Não se chame de desmancha prazeres, tá? É sua opinião e vc tem direito a ela.

      Mas livro não é pra gente viajar?
      vc acha que a mulherada tá colocando a cabeça num buraco? Mas é só uma história, C!
      Não leve tão a sério!

      E qual mulher não sonha com isso? Não é bom sonhar? mas isso tb não quer dizer que a gente agora só vai aceitar Grey lindão chicoteador! rsrsrsrs

      Um bjo e volte sempre, será um prazer.

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  6. Muitooo boa a resenha adorei. Terminei o 50 tons mais escuro e vou partir pra esse vc escrever supeer bem amei sua Resenha.
    Quem quizeer segue o meu Blog bjos

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