Conto: A Praça

Oi pessoal, como vocês sabem estou de recesso, mas claro que não poderia deixar de fazer postagens aqui no blog. Então é com prazer que trago hoje um conto que foi postado anteriormente no blog da querida Vivi, no Especial Mês dos Namorados, ano passado.

Fiz o conto especialmente para a Vivi, muitos dos amigos já leram, mas outros não. Então é com prazer que trago hoje...



Conto: A Praça

Todos os dias eu via aquele casal lindo na praça, o encontro dos dois era sempre fervoroso, eles se beijavam e rodopiavam num abraço apaixonado, era muito lindo de se ver, cada gesto demonstrava um amor imenso, que é difícil se encontrar hoje em dia. Ele gostava de passar a mão no rosto dela, e dava para ver o brilho nos seus olhos quando ela sorria. Ela por sua vez gostava de sentar no colo dele e cochichar em seu ouvido.
 
Na minha idade avançada era como voltar aos tempos em que meu querido marido, meu grande amor vinha aqui nessa mesma praça comigo, onde fazíamos juras de amor eterno, mas ele há muito tempo se foi, e sempre venho aqui para recordar nossos momentos, era uma viagem no tempo.
Todos os dias era a mesma coisa, sempre na mesma hora e no mesmo lugar os dois se encontravam. Sempre os procurava e observava abertamente, rindo com suas demonstrações de afeto.
 
Então algo aconteceu, eles pararam de vir… Sentia falta, achava que eles podiam ter viajado, ou mesmo mudado o lugar dos encontros. Na minha vigília constante tentava ver em outros casais aquele mesmo amor, mas era difícil, a cumplicidade daqueles dois saltavam aos olhos.
Então um dia eu a vi, sozinha, no mesmo lugar, com uma tristeza imensa nos olhos, com os ombros curvados, parecia que carregava todo o peso do mundo em suas costas. Procurei o parceiro dela, mas não encontrei, ele não estava lá.
 
A vontade de me aproximar e perguntar por ele era enorme, mas não me sentiu no direito de penetrar naquele mundo de sofrimento. Minha cabeça fervilhada de ideias, será que eles haviam terminado o relacionamento, será que ele a abandonara, será que a morte a tinha visitado assim como a mim, e levado seu grande amor?! Eram só conjecturas, não me arriscava a perguntar.
 
E assim os dias foram passando, ela sempre vinha, na mesma hora, com a mesma tristeza, a mesma desolação. Até que um dia captei um brilho diferente nos seus olhos, uma luz, uma esperança. Ela parecia esperar alguém, olhava sempre no relógio, olhava ao seu redor, foi quando vi aquele mesmo rapaz, aquele a quem ela tanto amava se aproximar, mas agora ele vinha em uma cadeira de rodas.
 
Percebi então o teor da tristeza daquela moça, ela quase perdeu seu amor, mas ele estava ali, chegando de mansinho, não em pé, mas totalmente inteiro, pleno de amor, e seus olhos brilhavam ao se aproximar. Quando os dois se vêem é como se o mundo ao redor tivesse parado de existir e ela corre a seu encontro, se abaixa para abraçá-lo, e senta em seu colo, Ele rodopia na cadeira de rodas fazendo com que ela ria alto, a alegria daquele encontro é contagiante, eles se beijam , se abraçam, são novamente apenas uma pessoa.
 
Senti lágrimas nos meus olhos, foi como um filme passando na minha cabeça, agora dava para entender o porquê da ausência, o porquê da tristeza e o porquê de tanta felicidade.
Almas gêmeas que superam as dificuldades de uma ruptura, que superam as barreiras dos movimentos, mas que apesar de tudo se amam e se completam. Sorrio feliz! Vejo os dois se afastarem de mãos dadas, ela se abaixa e cochicha em seu ouvido, sorriem juntos, sei que eles serão muito felizes, nada pode se impor entre duas pessoas que se amam, nenhum obstáculo é grande demais.
 
Amanhã tenho certeza que os encontrarei aqui novamente, então me levanto, dou um longo suspiro e volto para casa, onde as lembranças ainda me fazem sorrir, eu também amei intensamente, e sei que nem mesmo a morte foi capaz de matar em mim o amor que um dia senti, e sei que onde meu amor estiver estaremos juntos novamente um dia.



8 comentários:

  1. Leninha, ainda não tinha lido esse maravilhoso conto *-*
    Como sempre repleto de emoções e me fez me arrepiar! Parabéns, mais uma vez, por ter escrito uma história tão linda \o/
    Beijos,Nanie - Nanie's World

    ResponderExcluir
  2. Oi Leninha!!! Não conhecia o conto mas adorei!! Me emocionei muito e confesso que não sou fã de contos, mas esse realmente me emocionou. Parabéns. Bjs

    ResponderExcluir
  3. Oi, Lena.

    Você consegue sempre me emocionar com seus contos, que cada vez mais transmitem sentimentos e emoções, que deixam-nos cativadas e arrepiadas à flor da pele.

    Li na época que lançou e amei!

    Continue assim, trazendo ótimas histórias com seu dom único de deixar transparecer a cada linha escrita um sentimento fluído e singelo.

    Beijos.

    ResponderExcluir
  4. Amore, deu saudadezinhas agora...lindo!

    ResponderExcluir
  5. As vezes, eu fico imaginando se realmente existe um amor tão intenso... Parece que hj em dia as pessoas vivem correndo, não olham mais para os lados para pecerber coisas lindas assim, e se envolve com outras  pessoas motivadas pela carência.
    Esse  conto me transmitiu mensagens lindas... Acho que tds nós devemos descobrir o amor verdadeiro, que ultrapassa qualquer barreira! isso é muito real! Lindo conto!

    Bjusss

    ResponderExcluir
  6. Que lindo,fiquei emocionada.
    E o amor é assim.....
    Bjs
    Luciane Oppelt

    ResponderExcluir
  7. Oinnn, esse é meu conto favorito de todos que eu já li, não que não tenha gostado dos outros, mas esse tem um gostinho especial pra mim ;-)
    Adorei ler novamente!

    ResponderExcluir
  8. maria ester moraes19 de janeiro de 2012 21:10

    Que lindo conto! Realmente, quando o amor é verdadeiro, quando almas gêmeas se encontram, nada nem ninguém pode separar ou destruir esse amor! Lindo demais! Parabéns!!!!

    ResponderExcluir

Seu comentário é sempre bem-vindo e lembre-se, todos são respondidos.
Portanto volte ao post para conferir ou clique na opção "Notifique-me" e receba por email.
Obrigada!

Editoras Parceiras

Postagens Recentes

Visualizações

Últimos Comentários

Lançamentos