Sessão da Tarde com Leninha e Vivi #2

Os blogs Sempre Romântica e Romance Gracinha agora batem ponto na coluna Sessão da Tarde. Um bate-papo mensal sobre filmes, livros, cotidiano e outros tantos assuntos que esquentam o cenário da cultura pop. Para animar esse mix delicioso, segue como cortesia da casa um post escrito em parceria. Junte-se a nós! Estoure a pipoca, gele o guaraná, e curta conosco o episódio de hoje:


Em cartaz: Amor Sem Fim estrelando Martin Hewitt e Brooke Shields.




AMOR SEM FIM

Por Leninha

Dois adolescente, uma família liberal para a época, dois jovens descobrindo o amor, esse é o mote de um filme que marcou gerações, até por que era bem avançado para a época por conter cenas de nudez com jovens adolescente.

David foi criado num lar sem conversas, onde os clientes de seus pais (Advogados) tinham uma posição na casa, mas entre os familiares não existia diálogo, isso não acontecia na casa de Jade, que tinha pais modernos que promoviam festas regadas a muita bebidas e drogas.
Isso os torna aos olhos de David a família perfeita, e ele queria fazer parte dela. Ele os conheceu pelas mãos de Keith o filho mais velho e seu amigo, mas encontrou nos braços de Jade as chaves para pertencer a ela.

Por trás de uma fachada politicamente moderna residia um pai opressor, no qual se encaixa perfeitamente a frase: “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço”.

Jade e David ultrapassam os limites desse regime, passando a ter relações sexuais dentro de casa, para o pai de Jade isso era inaceitável, já a mãe era quase cúmplice nessa relação, no qual ela deixa em suspenso que talvez até queira fazer parte. (Essa foi uma das dúvidas que ficaram pulsando nas nossas cabeças, (minha e da Vivi) até pelos longos olhares dessa mãe para David, tínhamos uma ideia de mãe hip, liberal, moderna mas ela aparentava ser muito mais, guardando dentro de si sentimentos muito comprometedores).

Então começa todo o drama, que transforma um leve filme de amor impossível em uma tragédia sem precedentes, beirando a insanidade.

Não espere sentar diante da TV e assistir um filme de suspirar, o filme tem um teor apaixonante sim, com um tema musical perfeito, mas é um filme forte, que mostra o qual obsessivo pode ser uma relação sem rédeas, livre e liberta, chegando aos limites da loucura.
Marcado por cenas quase poéticas, o filme é um achado, um drama romântico visto por milhares de pessoas e bem além da sua época. (1981)

A sintonia dos personagens de David e Jade é palpável, eles têm uma pureza que fascina atores escolhidos a dedo com certeza.

Para quem não viu, dê um jeito, baixe na internet, procure na locadora, o filme deixa você com uma sensação estranha, um gosto de quero mais, apesar da sua intensidade.
Se prepare para arrepiar com o tema musical do filme, de fazer qualquer coração suspirar... Se é que isso é possível, kkkk

Uma curiosidade:

O filme foi baseado no livro de mesmo nome, quem tiver ele ai e quiser me doar estou a disposição.

http://www.skoob.com.br/livro/22700



AMOR SEM FIM

Por Vivi

Esse é um clássico, alguns diriam trash, dos anos 80. Silvio Santos adorava passar esse filme. Era audiência garantida. Mas, eu e minha irmã fomos proibidas de assisti-lo no auge do seu frisson (palavra super badalada nos anos 80!). Tenho pra mim, que a razão da proibição era a Brooke Shields. Muito antes de Amor sem fim, ela havia estrelado o filme Menina bonita onde desempenhava o papel de uma prostituta-mirim. Esse filme gerou um bafafá em escala monumental a ponto de meu pai ficar sabendo. Resultado: Brooke Shields era persona non grata em minha casa. A sessão da tarde com Leninha veio reparar essa ausência cinematográfica em minha vida. De modo que cá estou para falar de Amor sem fim para vocês.


Posso começar dizendo que a mente prega peças. Esses anos todos alimentaram expectativas que fizeram rodar um filme totalmente diferente na minha cabeça. Imaginava uma história diferente da que vi. Algo bem do tipo tolice sentimental. Algo romântico. Deception mode on. Claro que a noções preconcebidas acerca do filme influenciaram o meu olhar sobre ele. Enquanto a trama se desenrolava, uma pergunta coçava em minha mente:

Onde está o tal do amor sem fim? Jade e David estão ali,  diante de meus olhos, apaixonados e muito apaixonados e, de repente, como que pulando etapas, a paixão vai roendo as cordas da consciência, consumindo o bom senso até sobrar as cinzas negras e feias da obsessão. Há algo errado com essa história, pensei. O lindo título, o lindo casal, a linda música nas vozes consagradas de Diana Ross e Lionel Richie, tudo me passou a soar descomedido, extremista mesmo.

E ao fim, a sensação dominante era o  de total desconforto. Então ruminei: “Pôxa, eu queria algo mais light. Menos intenso”. Enquanto isso, rebobinava a história em minha mente. Não me conformava. Era bem possível que eu tivesse perdido alguma coisa. O filme não podia ser aquilo.

Então, percebi que olhava história de uma perspectiva equivocada; no que agora vejo ser preciso assumir o lugar, o olhar, os sentimentos daqueles dois jovens adolescentes: Jade e David. A história é por eles e 100% aos olhos deles. Aí estava a chave para entender o sentido de tudo que não vi antes. A paixão de ambos é tão intensa, absurdamente desprovida do nexo da experiência e da maturidade que, normalmente, todo ser humano vai conquistando ao longo da vida. Ou seja, não estavam preparados para lidar com emoções tão febris. Nessa idade, o que não se aceita desperdiçar é a paixão. Segundos longe um do outro equivalem à eternidade. Porém, esse “estar-junto-em-combustão” é fogo fora da lareira. Provoca catástrofes. Para completar, o que dá gravidade à história não é linguagem do amor e nem da paixão. Mas a da hipocrisia e omissões paternas.

Historicamente, o clima opressor das décadas anteriores fez-nos herdar o desprendimento dos valores e a permissividade. Jade e seus pais são crias dessa geração criada com base na distorção da psicologia dos anos 70 ao qual se instaurou o lema da permissividade, isto é, a restrição é produtora de traumas futuros na criança. Pois, no filme, é esse o ponto em que o caldo desanda. Quando o pai de Jade percebe que a liberalidade excessiva alimentou o fogo sexual dos dois jovens, transforma-se no repressor sem autoridade. Repressão e hormônios em fúria é uma combinação explosiva. Usar de palavras moralizantes e, sobretudo, incoerentes com a prática visando obter a promessa de emenda, não bastam. Só aumentam o incêndio. As lágrimas de David, sua revolta, seus caprichos, o fato de achar que a vida girava em torno de si e de Jade geram em mim (agora sim!) compaixão. Pois nada mais são do que um apelo de socorro. No entanto, é triste constatar a ignorância e omissão dos pais produzindo um triste fim. (Nem vou falar da mãe da Jade, pois achei aquela mulher o uó!)


Os pais de David, workaholics duplos, eram de tal modo distantes que, ao passo que David era tratado como um membro familiar na
casa da namorada
, Jade lhes era uma completa desconhecida.
 
Dá para notar o contexto intricado e revelador da narrativa. O filme é profundo e, de certo modo, retrato de sua época. Em nenhum momento assume descrever e narrar o amor e seu romantismo. Ao contrário, paira sempre a dúvida do “se”. Será que se tudo fosse diferente, a paixão amadureceria florescendo em um amor realista, distante dos contos de fadas? Distante das tragédias dos que se suicidam por um suposto amor disfarçado de ego? Será que se a influência familiar fosse positiva, essa paixão teria espaço para sobreviver e ganhar o direito de ser amor?

Em mim, não vou negar, o filme desceu amargo. Apesar dos erros técnicos notados nas falhas de continuação e de edição, merece uma assistida. Acho que li em algum lugar que o filme teve de ser cortado, pois completo perfazia três horas de duração.


Também vou tascar algumas curiosidades:


Amor sem fim traz Tom Cruise em seu primeiro filme. É uma ponta. Aqueles personagens que aparecem com uma ideia de jerico e ferram com a vida alheia...

Lembram-se do Ian ziering? O Steve de Barrados no baile? Também aparece como o irmãozinho da Jade.

Por ora, é só, pessoal! Fiquem com o clipe que apresenta cenas do filme embaladas pela canção-tema:



11 comentários:

  1. Meninhas,

    eu nao assisti esse filme... O.O

    E olha que Brooke fez parte da minha adolescencia.

    Mesmo com alguns senao, vou procurar.

    Ah,adoro essa sessao da tarde com vcs...

    Bjos,

    ResponderExcluir
  2. Engraçado como as coisas são. Esses dias vi um video desse filme no youtube e fiquei muito curiosa para ver, até pesquisei para saber mais sobre ele na internet e hoje Leninha lança esse post que é mais que completo.

    Fiquei muito curiosa para saber ainda mais sobre o filme e tirar minhas próprias impressões.

    Meninas vcs estão de parabéns, esse post ficou 10.

    ResponderExcluir
  3. Nossa, não lembro de ter assistido esse filme, fiquei curiosa e olha que eu assistia várias nessa época, rs. Adorei a música do clipe do filme :)

    Beijinhos

    ResponderExcluir
  4. Diacho de música bonita, sô! Esqueci de dizer que a canção foi eleita pela Billboard como o top dueto de todos os tempos. Para se ver o impacto da música e a sua permanência entre gerações e gerações!!! Leninha, legal ter descoberto livro! Se com o filme já fique choquê, imagine lendo o livro...hehehe

    Beijocas
    Vivi

    ResponderExcluir
  5. Eu acho que nunca ouvi falar do filme,mas isso já foi remediado,eu adoro filmes com finais trágicos,ou polêmicos. e já que as opiniões anda tão divididas irei procurar o filme pra assistir.
    Bj

    ResponderExcluir
  6. Nunca tinha ouvido falar desse filme, mas não gosto de enredo com tema tão pesado, predfiro algo mais hight, acho que a vida já é tão complicada para assistir filme complicado, vou no água com açucar mesmo..rs
    Bjos

    ResponderExcluir
  7. Olá, meninas.

    Amo essa Sessão da Tarde com vocês!

    Ótimo ver opiniões diferentes!

    Eu assisti a esse filme na época, precisamente no SBT e adorava! Mas, como era nova, não entendia muitas coisas, talvez agora eu veria com outros olhos os dramas e as situações com outras nuances.

    Adorava a trilha sonora e a Brooke Shields (assim como ao filme "A Lagoa Azul", que gostaria de ver por aqui também!).

    Para quem ainda não teve a oportunidade de assistir, esse filme é um clássico, com certeza!

    Vocês me fizeram viajar no tempo agora! (risos).
    Muito bom relembrar! Acho que estou ficando velha!!!

    Nem sabia que tinha livro? Adicionando na minha estante agora! :)

    Beijos.

    ResponderExcluir
  8. Que legal! Vou procurar para baixar...
    Que belo post! Adorei!
    Bjss!

    ResponderExcluir
  9. Essas sessões que vocês fazem são muito legais! Adorei!
    Ainda não assisti a esse filminho! Buááááááá!
    Adorei as resenha!
    Bjus,
    Náh

    ResponderExcluir
  10. Gente! Que saudades desse filme! Depois tem como não dizer que os anos 80 são os melhores? E a música Endless Love, eu lembro que eu tinha a tradução dela inteirinha...que saudades! Obrigada meninas por me levar nessa viagem de volta ao passado! Não há dinheiro que compre um momento assim! bjo!

    ResponderExcluir
  11. Eu adorei esse negócio de dupla resenha, ficou ótimo pq uma complementou a outra. Tb gostei das curiosidades no finzinho que a Vivi colocou. Gostei tanto da resenha de vcs que fiquei interessada em assistir ao filme, se bem que acho que irei me decepcionar assim como a Vivi, pois já assisti um filme antigo, sabe o love story, e detestei. Prefiro o livro. :/
    Mas to curiosa pra saber do final, será q eles morrem? O.o

    ResponderExcluir

Seu comentário é sempre bem-vindo e lembre-se, todos são respondidos.
Portanto volte ao post para conferir ou clique na opção "Notifique-me" e receba por email.
Obrigada!

Editoras Parceiras

Postagens Recentes

Visualizações

Últimos Comentários

Pré-venda!

Lançamentos